O que foi o Clube da Esquina? Conheça o movimento mineiro que revolucionou a MPB

A morte do cantor e compositor Lô Borges neste domingo (2) reacende a história do movimento mineiro que redefiniu a música brasileira com inovação e poesia

O movimento é marcado pela mistura de MPB com rock, jazz, bossa nova e influências latino-americanas

O movimento é marcado pela mistura de MPB com rock, jazz, bossa nova e influências latino-americanas | Reprodução

A Música Popular Brasileira (MPB) perdeu um de seus pilares neste domingo (2) com o falecimento do cantor e compositor Lô Borges, aos 73 anos. A morte do artista, cofundador de um dos movimentos mais influentes do país, o Clube da Esquina, inspira a revisitação de uma história de amizade, criatividade e renovação musical que mudou para sempre o panorama cultural brasileiro.

O que foi o Clube da Esquina?

Mais que um grupo musical, o Clube da Esquina foi um movimento artístico e coletivo que surgiu no município de Belo Horizonte, Minas Gerais, no final dos anos 1960.

O nome nasceu simbolicamente do encontro constante de jovens músicos na esquina das ruas Divinópolis com Paraisópolis, no boêmio bairro de Santa Teresa. Este ponto de convivência se transformou em um laboratório criativo, onde a repressão da ditadura militar era respondida com poesia e inovação sonora.

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Quem fazia parte?

O núcleo essencial do movimento gravitava em torno da parceria entre Milton Nascimento (apelidado de Bituca) e os irmãos Lô Borges e Márcio Borges. O álbum homônimo duplo de 1972 é considerado o manifesto sonoro desse coletivo.

Junto com eles se juntaram talentos como Beto Guedes, Wagner Tiso, Toninho Horta, Fernando Brant (letrista fundamental), Tavinho Moura, Nelson Ângelo e o letrista Ronaldo Bastos, entre outros músicos e compositores que colaboraram ativamente nos discos e projetos.

A Importância para a MPB

O legado do Clube da Esquina é um divisor de águas na MPB. Sua importância reside na corajosa fusão de referências musicais que, até então, pareciam inconciliáveis.

O grupo incorporou harmonias complexas do Jazz, o lirismo e a experimentação rítmica dos Beatles e do Rock Progressivo, a tradição da música folclórica brasileira e mineira (como o congado), e as influências sul-americanas.

O resultado foi uma sonoridade “world music” poética e vanguardista que se diferenciava da Bossa Nova e da Tropicália. Canções como “O Trem Azul”, “Clube da Esquina Nº 2” e “Tudo Que Você Podia Ser” se tornaram atemporais, elevando o padrão da composição e do arranjo e influenciando gerações de artistas brasileiros.