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Pais de estudante que fugiu de casa não são mais vistos

Gloria Maria de Souza Rocha foi ouvida na tarde desta segunda-feira pelo promotor da Infância e da Juventude, Carlos Alberto Carmello Júnior, no Fórum de Santos

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12 JUN 2017Por Gilmar Alves Jr.22h47
Joselito Oliveira Rocha não foi mais visto desde o último domingoFoto: Reprodução

Os pais da estudante Gloria Maria de Souza Rocha, que fugiu de casa, no Gonzaga, devido a agressões, não foram mais vistos desde o último domingo e não atendem telefonemas. O pai, o escritor Joselito Oliveira Rocha, de 40 anos, será investigado em inquérito da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos pelas agressões relatadas pela menina, de 17 anos.

Gloria foi ouvida ontem pelo promotor da Infância e da Juventude, Carlos Alberto Carmello Júnior, no Fórum de Santos, por cerca de três horas. O conteúdo do depoimento não foi divulgado devido ao sigilo da apuração. A jovem deixou o Fórum de Santos sem falar com os jornalistas.

A irmã dela, Erica Cristina Carballo de Oliveira, de 23 anos, relatou, em entrevista, que Gloria sofria em silêncio. Devido à fuga da irmã, Érica, moradora de Mongaguá, voltou a ter contato com ela após 16 anos. Joselito, pai adotivo de Erica, e a mãe, Maria José de Souza Franklin, de 44 anos, perderam a guarda dela, quando tinha seis anos, devido a agressões.  

Segundo Erica, Gloria lhe contou que estava vivendo em um ambiente muito agressivo. “Ela não tinha para quem correr. Ele não deixava ela ter rede social, não deixava ela sair, não deixava ela ter amigos, ninguém podia frequentar a casa dela. Ele estava ameaçando a família dela, a vida dela, o círculo de pessoas que estava com ela, que ela gosta”, declarou Erica.

Ao final do depoimento da jovem, o conselheiro tutelar Maurício Bezouro Carvalho afirmou que a jovem “está protegida” e que a guarda será definida pela Justiça nesta terça-feira.

O advogado que representa Erica, Darcio Cesar Marques, afirma que a guarda deverá ser dada para a irmã da estudante.

Gloria deixou a casa da família no último dia 5 e inicialmente recebeu assistência de uma família no Morro do José Menino. Na mesma semana ela foi para Mongaguá, onde ficou na casa da irmã, e depois foi entregue ao pai pelo Conselho Tutelar.

Ela afirma ter sido obrigada pelo pai a registrar um boletim de ocorrência de extorsão mediante sequestro junto à Polícia Civil. No último domingo, ela relatou a falsa comunicação de crime arquitetada pelo pai e as agressões sofridas ao registrar ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ).

Chicote

Marques afirma que Gloria chegou a relatar que na casa da família, na Orla do Gonzaga, há um chicote usado para as agressões.

“Os fatos estão se esclarecendo. O que se mostrava era um desaparecimento e o que a gente vê é que um grande monstro se construía através dessa família”, afirma.

Testemunha

Uma amiga da família também deu entrevista no início da noite de ontem e afirmou acreditar que o escritor é um psicopata.

“Quem vê ele nas ruas acha que ele é uma pessoa doce e de fala mansa, mas dentro de casa eu infelizmente tive o desprazer de ver (como maltratava a família)”. 

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