00h : 01min

Conheça o
Caderno + DL

Ler

Assine o Jornal por R$8
por mês no plano atual

AssineLer Jornal

Fitch vê incerteza na recuperação e mantém Brasil em grau especulativo

A perspectiva continua negativa, o que significa que pode haver rebaixamentos do rating nos próximos meses

Comentar
Compartilhar
19 MAI 2017Por Folhapress18h30
Fitch vê incerteza na recuperação e mantém Brasil em grau especulativoFoto: Divulgação

A agência de classificação de risco Fitch manteve nesta sexta-feira (19) a nota de crédito do Brasil em grau especulativo, citando incertezas na recuperação da economia e fraqueza estrutural das finanças. A perspectiva continua negativa, o que significa que pode haver rebaixamentos do rating nos próximos meses se a agência entender que as condições apontadas não melhoraram.

A nota foi mantida em "BB", segundo degrau abaixo do grau de investimento (categoria atribuída a países considerados de menor risco de calote, que, por isso, obtêm financiamento com juros menores).

A manutenção ocorre um dia depois de os mercados reagirem com pânico à divulgação de notícias indicando que o presidente Michel Temer teria dado aval ao pagamento de propina para silenciar o ex-deputado Eduardo Cunha.

Segundo a Fitch, a manutenção do rating é justificada pelo crescente endividamento do governo, que compromete as finanças públicas, perspectivas fracas de expansão e indicadores de governança mais enfraquecidos em comparação com países de mesmo porte que o Brasil. Esses fatores, junto com o que a agência chama de "repetidos episódios de instabilidade política", têm implicações negativas para a economia brasileira, complementa.

A agência vê melhora nas políticas econômicas e considera que o ajuste nos mercados externos, a inflação e o melhor ancoramento das expectativas de preços e também a aprovação do teto de gastos poderiam facilitar a consolidação fiscal.

A perspectiva negativa, prossegue, reflete incertezas para a recuperação da economia brasileira, as perspectivas para a estabilização da dívida pública a médio prazo devido aos desequilíbrios fiscais e a evolução da agenda legislativa, especificamente no que diz respeito à reforma da Previdência.

A Fitch estima que a economia brasileira crescerá 0,5% neste ano e 2,5% em 2018, apesar de enxergar riscos a essas projeções, como o desemprego elevado e incertezas políticas e fiscais permanentes.

O crescimento para 2018 poderia ganhar força com a ajuda da política de queda de juros do Banco Central, e também com a contribuição do exterior.

"Volatilidade financeiro alta no exterior e no cenário doméstico, um recuo na agenda de reforma que possa prejudicar a confiança e um impacto menor do afrouxamento monetário sobre a demanda doméstica continuam representando riscos de baixa para o panorama de crescimento", afirma a Fitch no comunicado.

INCERTEZA POLÍTICA

Segundo a Fitch, o cenário político continua desafiador, apesar do alívio provocado pelo encaminhamento das reformas e pelo apoio na base do governo. "A aprovação de algumas reformas atesta a forte coalizão da base da administração Temer. No entanto, governabilidade ampla e o processo de reforma continuam vulneráveis pela ampliação do escopo das investigações da Lava Jato, que agora envolve lideranças políticas", indica o comunicado.

As eleições presidencial e para o Congresso em 2018 são citadas como focos de incerteza.

Nesta quinta-feira (18), o apoio ao governo Temer ficou em suspenso, após o presidente ser gravado pelo empresário Joesley Batista, presidente da JBS, em conversas que indicam que ele tomou conhecimento de um plano para destituir um procurador da República que investigava o grupo.

O Planalto confirmou encontro com Joesley, mas Temer diz que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio" de Cunha.

Colunas

Contraponto