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'São tempos difíceis, de homens e mulheres tomarem posição'

A frase é do combativo professor de História Maykon Rodrigues Dos Santos

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30 ABR 2018Por Carlos Ratton09h20
O professor de História, Maykon Rodrigues Dos Santos, falou com o DiárioFoto: Rafaella Martinez/DL

A frase é do combativo professor de História Maykon Rodrigues Dos Santos. Sempre liderando batalhas de educadores da região, ele esteve entre os professores que ocuparam a Secretaria de Educação de Cubatão em busca de melhores salários e condições de trabalho. Agora, ele é pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Confira os principais trechos da entrevista: 

Diário – O PSOL sempre toma posição, ou não?
Maykon Rodrigues dos Santos –
Estamos no campo dos que tomam posição, mas acredito que isso deva ser mais forte com a lógica de minha pré-candidatura. Eu já tive convites em outras oportunidades, mas agora não está em minha esfera individual falar não, em tempos de ataques brutais a direitos sociais, trabalhistas, avanço do conservadorismo, do racismo, da pobreza e número de assassinatos de LGBTs. Nós, que somos militantes sociais, não temos o direito de ficar em casa, assistindo tudo isso. Temos que tomar posição.

Diário – Haverá mudança?
Maykon dos Santos –
As pessoas estão esperançosas e acreditando que novas lideranças vão surgir. Há uma consciência que os nossos representantes (deputados) não representam os interesses dos trabalhadores e dos movimentos sociais. Foram eleitos a partir de nome, dinheiro, campanhas milionárias. Eles não estão nas ruas. É só ver a reforma trabalhista que foi aprovada. Nenhum da região votou contrário a ela.  Existe uma falta de representatividade muita grande. 

Diário – João Dória, Paulo Skaf e Márcio França estão à frente das pesquisas. Muda alguma coisa?
Maykon dos Santos –
O PSOL deve continuar na oposição, pois desde a redemocratização, nada mudou. É o mesmo grupo político há 30 anos. A educação paulista é um caos. Poucos educadores conseguem sustentar sua família com dignidade. Há pouco tempo, o maior estado da federação pagava menos que o piso. O último reajuste de 7% foi dado porque o governador foi obrigado. São Paulo é uma máquina de adoecer professores e destruir vidas e sonhos de alunos.

Diário – Como avalia problemas em outras áreas?
Maykon dos Santos –
Um mandato tem que ser multifacetário. Temos que discutir o momento político que atravessa o País e essa hegemonia conservadora, mas também que lutar para que a região cresça socialmente e gere empregos. Somos 3% da população do Estado e recebemos pouco mais de 1% dos recursos. As pessoas estão tendo que subir para São Paulo para serem atendidas na área da saúde. Isso é inaceitável. São sete prefeitos do PSDB, um dos PMDB e outro do PSB. Todos aliados do Governo do Estado que é tucano e nada muda. Só ficou no discurso de eleições. 

Diário – É preciso mudar o foco?
Maykon dos Santos –
Precisamos debater e colocar em prática um novo modelo de desenvolvimento. O modelo industrial vem caindo ano a ano. O Polo Industrial de Cubatão é um reflexo disso. Temos que encontrar novas vocações, inclusive turísticas. Temos  que atrair empresas de tecnologia. Não capacitamos os pequenos empreendedores e nem incentivamos as pequenas empresas, que poderiam estar gerando milhares de empregos. O Estado e as Prefeitura só pensam nos grandes empreendedores, mas são os pequenos que superam crises e movimentam a economia. É preciso investir no pequeno empreendedor. Estamos três anos fechando postos de trabalho. 

Diário – A mobilidade urbana é fundamental?
Maykon dos Santos –
Precisamos resolver a questão da travessia entre Santos e Guarujá e acabar com as enchentes. Juntas ajudam para esse caos gigantesco. As linhas férreas foram desativadas e estimulou-se o transporte sobre rodas. A infraestrutura férrea continua e não está sendo aproveitada para o transporte de passageiros. Só inauguram obras e projetos em anos eleitorais e, mesmo assim, em ritmo pequeno. A lógica não está sendo o bem-estar do cidadão, mas manter os mesmos grupos políticos no poder, nem que para isso tenha que corromper, inibir a liberdade de expressão e comprar deputados. Essa é a lógica de privilégios para poucos. O PSOL e os movimentos sociais estão aí para mudar isso. Eu estive sempre à frente da luta contra a Reforma da Previdência. Não podemos cortar gastos pela base da pirâmide social.

Diário – Seu mandato será diferente?
Maykon dos Santos –
Será coletivo e expressará os movimentos sociais. Será destinado à defesa do serviço público, à luta para melhorar os índices educacionais, promover a transparência, trabalhar nas ruas e apoiar os movimentos sociais. Por fim, provar que política não é profissão e, para isso, vou viver do meu salário de professor. Se me tornar candidato e me eleger, o salário de deputado será depositado em um fundo que será aplicado em projetos sociais. Não vou me render as benesses e aos privilégios que a máquina do Estado proporciona. O Dória doa o salário dele (R$ 24 mil), mas é milionário. Assim é fácil. Vou continuar vivendo do dinheiro do meu trabalho.        
         

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