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Papo de Domingo: 'Quando há intervenção verde, os malefícios regridem'

Esse é o estudo que foi apresentado no último dia 19 pela pesquisadora Rosilma Menezes Roldan durante o 7º Congresso Internacional de Direito Sanitário, na USP

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29 OUT 2017Por Carlos Ratton10h30
'Se colocarmos uma parede verde na Avenida Mário Covas haverá uma redução enorme na poluição', afirmaFoto: Rafaella Martinez/DL

Criar um cinturão verde entre a cidade e o Porto que funcione como uma barreira capaz de reduzir parte do material particulado emitido pelas atividades portuárias. Esse é o estudo que foi apresentado no último dia 19 pela pesquisadora Rosilma Menezes Roldan durante o 7º Congresso Internacional de Direito Sanitário, na Universidade de São Paulo (USP). Ela conversou com o Diário. Confira os principais pontos da entrevista:

Diário do Litoral – Qual o título do trabalho?
Rosilma Roldan -
Poluição Atmosférica, Saúde Humana e Mitigação por Coberturas Vegetadas (telhados verdes). Vale lembrar que, desde 2012, a poluição atmosférica na região atinge índices 80% acima do nível seguro para a saúde humana e foi responsável pela morte de milhões de pessoas, no mundo, tendo aumentado mais de 150%, em uma década. A mitigação dos efeitos da poluição atmosférica leva à regressão dessas doenças.

Diário – O projeto será dividido em fases?
Rosilma –
Serão quatro até o final de 2019. A primeira é o levantamento bibliográfico, relacionando a poluição atmosférica e os impactos à saúde urbana. Temos gases e material particulado, que ao serem inspirados atingem a corrente sanguínea e geram diversos problemas de saúde. A segunda é saber que tipo de poluição temos em Santos e a terceira é a mitigação, que são os telhados, paredes verdes e florestas lineares, que bloqueiam as impurezas. Cem metros quadrados de telhado verde absorvem 20 quilos de material particulado por ano, 20% de nitrogênio e 37% de enxofre. Se colocarmos uma parede verde na Avenida Mário Covas, por exemplo, haverá uma redução enorme na poluição da Ponta da Praia, inclusive o barulho que pode cair em até 8 decibéis. Um teto verde é capaz de diminuir a temperatura em até 80%. Imagina a economia de ar-condicionado.       

Diário – Falta a quarta fase.  
Rosilma
- A quarta fase é a medição de resultados.

Diário – A situação da Ponta da Praia é bem conhecida.
Rosilma –
Sim. Temos duas estações da Cetesb em Santos. Uma no Boqueirão (perto do Hospital Guilherme Álvaro) e outra na Ponta da Praia (Praça José Rebouças). A poluição do Boqueirão é menor porque a estação dista 3,2 quilômetros dos armazéns 17 e 18. Já a da Ponta da Praia fica apenas 650 metros dos armazéns.

Diário – Cite alguns problemas à saúde por conta da poluição?   
Rosilma -
A poluição atmosférica está associada com hipertensão gestacional, baixo peso ao nascer e parto prematuro. O sistema endócrino, cuja deficiência leva à obesidade e à diabetes, e o sistema neurocognitivo, são afetados negativamente pela poluição do ar. Pessoas com baixa faixa etária (fetos ou crianças), idosos, pessoas com baixo nível socioeconômico, com doenças crônicas ou gestantes são mais suscetíveis a problemas de saúde causados pela poluição do ar. Até a aumento de enfartes tem relação com o ar.

Diário – A senhora está sendo orientada por quem e o trabalho já possui um projeto em andamento?
Rosilma -
Por Fernando Reverendo Vidal Akaoui e Marcelo Lamy. O Projeto Respirando Vida, desenvolvido na Universidade Santa Cecília, tem como foco a mitigação da poluição atmosférica da região, principalmente no bairro da Ponta da Praia. Para isso, propõem a adoção de tecnologias como o teto verde, que consiste no cultivo de vários tipos de vegetação sobre fachadas, paredes, muros, coberturas, ou seja, qualquer superfície. Essa técnica já era utilizada há muitos séculos, e pode utilizar jardim ou grama, no lugar das lajes ou telhas tradicionais.

Diário – Os telhados verdes conseguem promover mudanças?  
Rosilma -
Os telhados verdes proporcionam habitat natural para animais e plantas, retêm as águas pluviais, reduzem a poeira, o material particulado e a poluição atmosférica, mitigando os efeitos das chamadas “ilhas de calor” urbanas, podendo ainda serem utilizados, dentro do espaço urbano, como um refúgio natural e como lazer, reduzindo a poluição sonora e ­gerando maior conforto térmico, o que se traduz em valorização imobiliária.

Diário – A senhora acredita numa mudança de consciência?
Rosilma -
Precisamos mudar a cultura para diminuir a poluição. Quando há intervenção verde, os malefícios regridem. Menos pessoas ficam doentes e isso traz um impacto positivo para a saúde pública, sem contar o panorama visual. Temos que atuar de forma metropolitana, envolvendo também Guarujá, São Vicente e Cubatão.

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