Entrada da Cidade

Diário do Litoral, 19 anos de histórias

Do eterno Guile da entrada de Santos, Até a histórias dos irmãos que venceram a fome em Portugal e conseguiram o sucesso em São Vicente

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16 NOV 2017Por Da Reportagem18h42
A história de Guile foi contada pela primeira vez no Diário em julho de 2016Foto: Rodrigo Montaldi/DL

O eterno Guile da entrada da Cidade

Todas as tardes, George de França Freitas oferecia gentilmente seus bombons aos motoristas que paravam no último semáforo da Rodovia Anchieta, na entrada de Santos. A rotina foi a mesma por 19 anos, até o ‘Jean Claude Van Damme’ da entrada da cidade ter a vida abreviada enquanto se dirigia para o trabalho.

A história de Guile foi contada pela primeira vez no Diário em julho de 2016. Conhecido também como ‘Marreta’, o vendedor trabalhou também nas portas da balada e na balsa, mas foi na entrada da cidade que fez fama e passou a colecionar admiradores.

Em maio deste ano, o vendedor foi pauta de outra reportagem, onde questionava uma cirurgia que tinha feito na visão. Em junho, Guile morreu ontem após ser atropelado por um caminhão na Avenida Nossa Senhora de Fátima, próximo a Rodovia Anchieta, em Santos.

Da fome em Portugal ao sucesso em São Vicente

Em junho deste ano a trajetória dos irmãos Ulisses e Celestino foi contada no Diário do Litoral. As ruas do Centro de São Vicente ainda eram de terra quando o jovem português Ulisses Alves Domingues, então com 15 anos, chegou à primeira vila do Brasil. O ano era 1961 quando ele deixou em Portugal o pai, a mãe, cinco irmãos e a fome para trabalhar na mercearia de um tio distante no Brasil. Mais de meio século depois daquela viagem de 10 dias de navio e o sonho de uma vida melhor, o rapaz, que tinha apenas o quarto ano do primário, se tornou um importante empresário e dono do supermercado  ‘Ao Fiel Barateiro’.

Dona Adelise e a Vila Santa Casa

Em junho de 2001 o Diário do Litoral fez uma reportagem especial sobre a Vila Santa Casa. A matéria destacava a história de dona Aldenora Maria de Jesus, migrante de Juazeiro do Norte (CE) e que em 1987 chegou ao local fugindo da seca.

Na comunidade, Aldenora virou líder comunitária e conseguiu mudar o antigo nome de ‘Caldeirão do Diabo’. Com a luta, conseguiu também a instalação de postes de luz e rede de esgoto.

O nome de dona Aldenora foi dado ao primeiro edifício construído no bairro, me homenagem ao trabalho desenvolvido com a comunidade.

Samara e a luta nos cortiços do Centro

Samara é uma mulher de características marcantes. Tem a pele preta e o rosto emoldurado por uma cabelereira cacheada. Com simplicidade, sua fala passeia por assuntos simples e complexos: fala sobre o drama de famílias devastadas e imbróglios legislativos, com a experiência de quem transita pelas duas esferas há muito tempo. Ela foi personagem de uma reportagem especial sobre os cortiços do Centro Histórico e a luta por moradia no Centro de Santos.

Há 20 anos, Samara é figura recorrente em audiências, manifestações, congressos e premiações. A mulher que batalha para que famílias tenham direito a condições mais dignas de moradia ainda vive em um cortiço.

João, um morador da Casa de Saúde Anchieta

Em um dos muitos corredores do antigo manicômio Anchieta, a reportagem conheceu o senhor João Alves de Souza. No quarto mofado e repleto de goteiras, ele mantém pendurado, com muito orgulho, seus três diplomas: o de eletricista, o de técnico em edificações e o de mestre de obras. Sem emprego, ele mora há 10 anos em uma das solitárias da antiga casa dos horrores. Para encontrar trabalho, João juntou uma pequena quantia financeira e mandou fazer alguns cartões onde oferece seu trabalho braçal, mesmo beirando os 70 anos de vida. Tem pouquíssimas coisas: algumas se desfez para fazer dinheiro; outras, pela precariedade de onde vive, não faz questão de ter. Mas não se separa do seu violão e de uma pasta onde guarda como ouro dez folhas de papel nas quais escreveu, com sua letra caprichosa, algumas músicas autorais.

“Eu falo sobre amor e sobre a dor também. Mais sobre a dor ultimamente, pois a gente coloca para fora o que pesa aqui dentro”, conta, deixando cair uma lágrima.

 

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