Banner Sabesp

Baixada registra cerca de um novo caso HIV positivo por dia

O município que registrou mais casos é o de Santos, com 116. Já Mongaguá teve a confirmação de apenas um caso em 2017

Comentar
Compartilhar
01 DEZ 2017Por Caroline Souza09h57
Santos tem 116 casos de hiV positivo até o momento. Dessa forma, é o município com maior número de registros em 2017Foto: Divulgação

No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, os números da Baixada Santista assustam. Este ano, a região registrou um novo caso de pessoas infectadas pelo vírus da Aids, o HIV, por dia. Isso porque, juntas, as nove cidades somam 378 soropositivos até o momento. O município que registrou mais casos é o de Santos, com 116. Já Mongaguá teve a confirmação de apenas um caso em 2017.

A segunda cidade com o maior número de registros é Itanhaém, com 68 casos de HIV, seguida por Praia Grande, 56; Guarujá, 49; São Vicente, 47; Cubatão, 20; Peruíbe, 12; Bertioga, 9.

Os jovens de 20 a 29 anos representam a faixa etária de maior incidência em Santos, que realiza cerca de 17 mil testes durante o ano.

Em São Vicente, Cubatão, Praia Grande, Guarujá e Bertioga, os registros se concentram nas idades entre 20 e 39 anos. E, em Peruíbe, entre os 40 e 49 anos. Mongaguá disse não informar detalhes, por questões de privacidade dos pacientes.

“Chama a atenção que, quando informado, a maior parte dos infectados tem uma boa escolaridade e em algum momento dentro da educação formal ouviu falar em DSTs e formas de prevenção”, afirma a prefeitura de Santos. De acordo com as informações fornecidas, 27 pessoas possuem ensino médio completo e 16 ensino superior completo; 40 indivíduos não quiseram informar seu grau de escolaridade.

Já os casos de Aids, distribuem-se da seguinte forma na Baixada Santista: 62 em Santos, 38 em Guarujá e 8 em Cubatão. Bertioga e Mongaguá não tiveram registros de Aids até o momento.  Praia Grande, Itanhaém, Peruíbe e São Vicente não diferenciam os casos de HIV e Aids, por isso os registros foram contados como HIV positivo.

Ações em Santos

De acordo com a Prefeitura, Santos promove diversas ações para conscientizar a população sobre a importância da prevenção. Uma delas, é o Programa Jovem Doutor, com alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental.

“Iniciado em 2015, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Este projeto se utiliza de tecnologias da comunicação interativa com aplicativos de dispositivos móveis, recursos de computação gráfica, imagens tridimensionais do corpo humano, produção de estruturas por impressoras 3D e educação à distância. Os alunos se tornam multiplicadores de conhecimento e promotores de saúde, atuando junto à outros adolescentes na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis/Aids”, informa.

Além disso, são realizadas ações para populações de maior vulnerabilidade social, como trabalhadores do sexo e população de rua.

Ainda segundo a Prefeitura, são distribuídos, em média, 1,5 milhão de preservativos masculinos nas unidades de saúde.

Fique Ligado

Durante essa semana, com o objetivo de incentivar a realização de testes rápidos para detecção de HIV, a fim de buscar o diagnóstico precoce das infecções, as prefeituras estão realizando a campanha Fique Sabendo.

A ação, que tem parceria com o governo estadual, conta com a participação de 597 municípios e pretende realizar 150 mil testes rápidos de HIV e 25 mil exames convencionais do vírus. A campanha termina hoje.

No entanto, os testes podem ser realizados o ano todo, basta dirigir-se a uma unidade de saúde do seu município. Também são feitas outras campanhas de conscientização, que ressaltam a importância da prevenção, com o uso de camisinhas - distribuídas gratuitamente nas cidades.

HIV e Aids

Vale lembrar que HIV e Aids não são a mesma coisa. O primeiro trata-se da sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Ele é o causador da Aids e ataca o sistema imunológico do corpo. Apesar da infecção não ter cura, tem tratamento e pode evitar que a pessoa chegue ao estágio mais avançado, conhecido como Aids.

Um portador do vírus HIV pode viver anos sem apresentar os sintomas e sem desenvolver a doença, por isso o tratamento com medicamentos é tão importante. Mesmo que não haja sintomas, um soropositivo transmite o vírus para outras pessoas.

Dezembro Vermelho

“Dezembro Vermelho” é um projeto de lei da Câmara aprovado recentemente pelo Senado e que segue para sanção presidencial.

Se aprovado, o mês de dezembro será dedicado para ações direcionadas ao enfrentamento do HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

De acordo com a dra. Karina Hatano, médica do exercício e do esporte, a ocasião também é importante para se falar das vantagens da atividade física para quem convive com o vírus. “Porém, vale lembrar que, para produzirem resultados significativos, é fundamental a orientação de um especialista que terá condições de avaliar, prescrever e acompanhar a realização das atividades, indicadas para cada caso e, inclusive, interrompê-las quando julgar necessário”, explica.

Caminhada, dança, musculação, natação, hidroginástica, corrida de rua, entre outras modalidades, promovem segundo a especialista uma resposta fisiológica melhorando a qualidade de vida do praticamente. No geral, proporcionam benefícios no sistema cardiorrespiratório, aumento dos níveis de força, elevação no “colesterol bom” (HDL) e redução no “colesterol ruim” (LDL). “Também diminuem os níveis de triglicérides, ajudam a controlar os índices de glicose no sangue, além de elevarem a disposição e a autoestima. Ainda aliviam o estresse e, o mais importante para os soropositivos, estimulam o sistema imunológico na defesa do organismo e amenizam alguns efeitos colaterais provocados pelos medicamentos”, comenta a médica.

O programa de treinamento deve ser individualizado, estabelecendo as metas e as intensidades para cada um. Precisa prever um monitoramento constante para adequação de carga e período de repouso, o que reforça ainda mais a necessidade de uma correta orientação.

 

Colunas

Contraponto