Academias ‘raiz’ fazem sucesso na Região

O país é o segundo em número de empresas do nicho, perdendo apenas para os Estados Unidos

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29 JAN 2018Por Vanessa Pimentel12h45
Academia em SV não se intimidou com a chegada das grandes redes e segue firme desde 2005Foto: Rodrigo Montaldi/DL

O número de academias no Brasil não para de crescer. De acordo com uma pesquisa realizada pelo IHRSA (International Health, Racquet & Sportsclub Association) e divulgada pela Associação Brasileira de Academias, o país é o segundo em número de empresas do nicho, perdendo apenas para os Estados Unidos.

A Baixada Santista acompanha a demanda e as grandes redes do setor se espalham pelas cidades. As de grande porte chegam a oferecer estacionamento, cadeira de massagem, ambiente climatizado e avaliação física.

Mesmo com toda essa estrutura, existem na Região academias que sobrevivem ao boom fitness e pessoas que não as trocam por nada.  Em São Vicente, paralelo ao VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), uma casa térrea anexa ao Itararé Praia Clube (desde 1925), abriga a ‘Academia de ­Musculação’.

Sem ‘gourmetização’ no nome - muito menos no ambiente - o local ainda atrai alunos e mantém os antigos. Renilson de Jesus conta que a academia foi inaugurada em 2005. Quando o primeiro dono saiu da sociedade, ele assumiu a empresa.

“Eu comecei construindo os equipamentos. Visitava outras academias, via como eram feitos os aparelhos e replicava aqui com o material que eu tinha, como ferro e pedras”, explica.

Com o tempo, os aparelhos se modernizaram e Renilson adaptou o espaço, mas até certo ponto: nada de ar condicionado, o ambiente é climatizado apenas por ventiladores. “Quem treina precisa suar”, brinca um dos alunos.

Atualmente a academia conta com 150 alunos que pagam R$50 por mês para se exercitar de segunda a sábado. O treino é feito por Renilson, que é formado em Educação Física.

Questionado em como mantém o sucesso da academia mesmo com concorrentes de peso por perto, ele diz que ainda há pessoas que gostam do treino de “ferreiro”.

“Acredito que o pessoal que vem aqui gosta da liberdade que essa academia oferece. Nada dessa coisa de catraca, mensalidade cara, roupa de marca. O treino que eu passo também ajuda porque vai de encontro com quem quer ganhar massa, levantar peso mesmo”, explica.

Em Santos, a praia também atrai inúmeras pessoas que preferem se exercitar ao ar livre. Por isso, ali na divisa da cidade com São Vicente, no José Menino, uma academia que tem árvores como telhado e a Ilha Urubuqueçaba como vista também não se intimida com os modernos centros de treino.

E foi essa vontade de unir a liberdade com a prática de exercícios que fez surgir, em 1980, a Associação Musculação na Praia. “Antigamente o supino era feito no banco da praia com concreto, ali debaixo dos coqueiros. Quando o espaço cresceu substituímos as pedras pelos pesos de ferro”, explica o coordenador do projeto Miguel Lustoza e o responsável também pela manutenção do espaço.

Desde 2010, a academia improvisada na areia foi para um terreno colado à ciclovia cedido pela prefeitura. Há cerca de 600 alunos cadastrados e 200 que frequentam semanalmente. O local conta com o auxílio de dois professores, mas é mantido com a ajuda voluntária dos alunos e apoiadores, como a Casa dos Parafusos e Litoral Aço.

Sandro Justino é um dos frequentadores mais assíduos do local. Morador do Saboó pedala todo dia até a academia e se exercita por cerca de duas horas.

“Não troco por nada. A gente acaba de treinar e no fim dá um mergulho no mar, fora o pôr do sol que abençoa o treino”, diz Sandro.

Anderson Melo tem 25 anos e cancelou a matrícula feita em uma academia de uma grande rede pela musculação na praia.

“Faz um mês que treino na academia de praia. Meu irmão que indicou, eu não conhecia aqui. Sinto que o corpo reponde mais rápido e tem essa paisagem também. A outra (academia) era legal, mas aqui é diferente, me identifiquei mais”, diz.

 

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