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Problema com hidrogênio líquido é o mesmo que atrasou a missão anterior, os engenheiros trabalham em reparos na umbilical de serviço do foguete gigante
Astronautas deixam quarentena e aguardam nova data de partida para a Lua. Nasa mira agora o mês de março para realizar o voo histórico de dez dias / NASA/Robert Markowitz
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O primeiro voo tripulado à Lua em mais de cinco décadas terá que esperar um pouco mais. A Nasa anunciou na madrugada da terça-feira (3) que a missão Artemis II, que levará quatro astronautas para um sobrevoo lunar, não será lançada em fevereiro conforme planejado.
A decisão veio após a equipe técnica enfrentar um vazamento de hidrogênio líquido durante o ensaio geral com fluidos ("wet dress rehearsal") realizado no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
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O teste crítico, iniciado na segunda-feira (2), simulou as etapas finais de contagem regressiva com o abastecimento real do foguete Space Launch System (SLS). Apesar de os engenheiros terem conseguido encher completamente os tanques com mais de 700 mil libras de propelentes super-resfriados, uma vazamento na interface da umbilical de serviço da cauda interrompeu o cronômetro aos 5 minutos e 15 segundosdo T-0 simulado.
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, confirmou o adiamento em publicação na rede social X. "Com a conclusão do ensaio molhado hoje, estamos deixando a janela de lançamento de fevereiro e mirando março como a data mais próxima possível para a Artemis II". Ele ressaltou que os problemas eram esperados.
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"Há mais de três anos entre um lançamento e outro do SLS. É exatamente por isso que realizamos esse tipo de teste – para identificar falhas em solo, não com a tripulação a bordo".
Os quatro astronautas da missão – Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (Nasa) e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense) – chegaram a entrar em quarentena em Houston no fim de janeiro, mas deverão deixar o isolamento e retornar à rotina até que a nova data se aproxime.
Quando partir, a Artemis II será histórica por múltiplos aspectos. Será a primeira vez que mais de três pessoas viajam juntas até as proximidades da Lua. A tripulação incluirá a primeira mulher(Christina Koch) e o primeiro negro(Victor Glover) a realizar um sobrevoo lunar, além do primeiro não-americano, o canadense Jeremy Hansen, a embarcar em uma missão de espaço profundo.
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A viagem está planejada para durar cerca de dez dias. A bordo da cápsula Orion, os astronautas farão um arco ao redor do lado oculto da Lua, ultrapassando o recorde de distância da Terra estabelecido pela missão Apollo 13, em 1970.
Não haverá pouso, o objetivo é testar sistemas de suporte à vida, comunicações e navegação em ambiente de radiação profunda antes da tentativa de retorno à superfície lunar, prevista para a Artemis III, atualmente programada para 2028.
O vazamento desta semana reacendeu memórias da campanha da Artemis I, em 2022. Na ocasião, o mesmo tipo de falha no mesmo ponto do foguete – a umbilical de serviço da cauda – obrigou a Nasa a adiar o lançamento não tripulado por meses.
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Desta vez, a equipe tentou contornar o problema aquecendo a vedação e ajustando o fluxo do propelente, tática que permitiu manter o abastecimento. Contudo, nos momentos finais da contagem regressiva, o vazamento voltou a ultrapassar os limites de segurança, e o sistema automático de solo interrompeu o teste.
Além da falha no hidrogênio, os técnicos enfrentaram oscilações no áudio das comunicações da equipe de lançamento e um problema na válvula de pressurização da escotilha da Orion, que precisou ser reapertada . O frio intenso que atingiu a Flórida no fim de semana também atrasou o início da operação .
A Nasa ainda não definiu o dia exato da nova tentativa, mas a janela de março oferece cinco oportunidades entre os dias 6 e 11 do mês. Uma janela suplementar em abril também está disponível caso novos reparos sejam necessários .
A agência deverá realizar um segundo ensaio geral antes de autorizar o voo.
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"Vamos revisar todos os dados, solucionar cada problema encontrado, fazer os reparos necessários e retornar aos testes", afirmou Isaacman.
A tripulação, que já havia se despedido da família e ingressado na fase de isolamento médico, reassumirá a rotina normal de treinamentos em Houston e aguardará a convocação para voar à Flórida assim que o foguete for declarado pronto. Apesar do adiamento, o tom na Nasa é de cautela, não de frustração.
"Aprendemos muito no Artemis I. Tudo o que aprendemos foi incorporado ao Artemis II", disse o diretor de lançamento, Charlie Blackwell-Thompson. "Acreditamos no sucesso porque fizemos a lição de casa".
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