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Especialista de Harvard detalha tática usada para fazer a vÃtima duvidar da própria sanidade e médico psiquiatra explica como a manipulação pode causar transtornos sérios na vÃtima
A prática repetida do gaslighting corrói silenciosamente a confiança da vÃtima em si mesma / Freepik/stefamerpik
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O termo gaslighting consolidou-se nos últimos anos como um dos conceitos mais importantes para a compreensão de dinâmicas de abuso e saúde mental. Trata-se de uma forma de manipulação psicológica sistemática na qual o agressor tenta fazer com que a vÃtima duvide de sua própria percepção da realidade, de suas memórias e de sua sanidade.
O fenômeno, que teve um aumento de buscas superior a 1.700% em anos recentes, é definido por especialistas como um processo prolongado que leva o indivÃduo à confusão mental, perda de autoestima e dependência emocional do manipulador.
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A origem da expressão remete ao cinema clássico, especificamente ao filme "Gaslight" (1944), no qual um marido manipula a esposa para que ela acredite estar enlouquecendo, com o objetivo de roubar sua fortuna.Â
Na trama, o personagem esconde objetos e altera o ambiente, convencendo a mulher de que suas percepções estão erradas.Â
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Na vida real, o gaslighting manifesta-se de forma mais sutil, através de diálogos que desqualificam os sentimentos do outro, sendo eleito por dicionários internacionais como uma das palavras mais influentes da atualidade devido ao seu impacto social.
A psicóloga Courtney S. Warren, da Escola de Medicina de Harvard, revelou em análise as expressões mais frequentes utilizadas por manipuladores para desestabilizar suas vÃtimas. Identificar esses padrões é o primeiro passo para estabelecer limites saudáveis:
"Você está agindo como um louco": O objetivo aqui é questionar diretamente a lucidez da vÃtima. A orientação é responder reafirmando que, mesmo sem concordância, aquela é a sua visão da realidade.
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"Você está exagerando": Ao acusar o outro de ser dramático, o agressor tenta invalidar queixas e preocupações. Especialistas sugerem deixar claro que os sentimentos não estão sujeitos a debate ou julgamento.
"Eu estava apenas brincando": Essa frase serve para minimizar o impacto de crÃticas ou comentários cruéis, fazendo a vÃtima se sentir sensÃvel demais. A resposta deve focar no fato de que o comentário, independentemente da intenção, causou mágoa.
"Você me obrigou a fazer isso": É a tática de esquiva de responsabilidade por excelência. É fundamental pontuar que o comportamento de alguém é reflexo de suas próprias escolhas, e não de terceiros.
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"Se você me amasse, me deixaria fazer o que eu quero": Ocorre quando a vÃtima tenta impor limites. O manipulador usa a culpa para tentar romper esses marcos. A defesa consiste em reafirmar que limites refletem valores pessoais e devem ser respeitados.
Veja também: 'Love Bombing': Entenda a manipulação emocional nos relacionamentos e como quebrar ciclos tóxicos
A prática repetida do gaslighting corrói silenciosamente a confiança da vÃtima em si mesma. O manipulador utiliza perguntas fechadas e direcionadas para criar ganchos que favoreçam sua própria narrativa, ocupando sempre o papel principal na conversa.
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A Reportagem contatou um psiquiatra para entender mais sobre o assunto e, de acordo com o doutor Sergio Luiz dos Santos Prior, especialista na área, com o tempo, uma pessoa vÃtima de gaslighting pode começar a acreditar que não pode confiar em si mesma ou até mesmo que tem algum transtorno mental.
Nestes casos, o gaslighting pode levar a transtornos como ansiedade, depressão e inclusive transtorno de estresse pós-traumático.
Com o tempo, a pessoa alvo dessa tática passa a questionar se suas reações são proporcionais aos fatos, gerando um ciclo de incerteza emocional.
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Para romper esse padrão, a recomendação é focar na escuta ativa e na preservação da própria versão dos fatos. Identificar o desvio de responsabilidade e a minimização dos sentimentos ajuda a neutralizar a estratégia do agressor.Â
Estabelecer respostas firmes que não permitam a negociação da própria sanidade é essencial para manter a estabilidade mental diante de personalidades manipuladoras.