Carolina Dieckmann em cena de '(Des)Controle' / Globo Filmes/Divulgação
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Não é novidade que o cinema nacional está em alta nos últimos anos, por conta do reconhecimento de trabalhos como "Ainda Estou Aqui" e "O Agente Secreto". Aproveitando esse momento, os estúdios estão apostando em enfatizar o talento de diversos atores famosos em tramas dramáticas reais, envolvendo cenários do dia a dia.
No caso de "(Des)Controle", a trama é inspirada em uma passagem da vida pessoal da produtora Iafa Britz, de quando ela enfrentou um quadro de alcoolismo e como isso se tornou prejudicial em sua vida.
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A história gira em torno da escritora Kátia (Carolina Dieckmann), que precisa entregar seu novo livro ao mesmo tempo que possui uma vida atribulada com os filhos e o marido, Zaca (Caco Ciocler). No meio do caos, ela acaba encontrando conforto no álcool.
O roteiro procura explorar situações do cotidiano nas quais o espectador facilmente consegue criar um vínculo com Kátia e seus problemas. Ao mesmo tempo, a trama estabelece a própria bebida alcoólica como o vilão.
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Para transparecer isso ao público, a atuação de Dieckmann não apenas encontra o timing certo, como ela consegue mudar da água para o vinho em questão de segundos. No mesmo padrão de atuação da personagem Camila, de "Laços de Família", a atriz consegue representar o quanto a doença do alcoolismo pode derrubar o ser humano.
Existem, inclusive, dois momentos cruciais dela com Irene Ravache e Daniel Filho (que interpretam seus pais), nos quais vemos o quanto ela realmente parece uma pessoa atingida pela doença e que está procurando a cura.
Só que um detalhe prejudicial da trama, e que acontece com boa parte das produções nacionais, é a narrativa se explicar constantemente sobre o que está sendo feito, de forma insistente. Embora seja bastante sutil em algumas vertentes, em outras a trama não consegue se sobressair.
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No entanto, a produção acaba escolhendo um caminho equivocada ao acrescentar tons de comédia a uma história que, em si, não é engraçada. Embora esses momentos surjam principalmente através da personagem de Julia Rabello — que cumpre muito bem sua função ao equilibrar a carga dramática —, a escolha desse tom soa estranha
"(Des)Controle" termina como mais um sinal de reflexão de que o cinema ainda precisa focar em assuntos necessários para serem retratados.