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Uma das maiores catástrofes climáticas do Brasil atingiu o litoral paulista há quase seis décadas

Com mais de 400 mortos e bairros varridos do mapa, o deslizamento em massa na Serra do Mar transformou Caraguatatuba em um cenário de guerra

Gabriel Fernandes

Publicado em 17/02/2026 às 12:22

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As fortes chuvas que aconteceram em 1967 quase fizeram a cidade sumir do mapa / PMC/Divulgação

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O Brasil já vivenciou diversos cenários trágicos envolvendo chuvas de verão, mas o episódio ocorrido em 18 de março de 1967, em Caraguatatuba, permanece até hoje como uma das maiores catástrofes do país.

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As inundações resultaram em 436 mortes oficiais, deixaram quase 3 mil desabrigados e destruíram 10 bairros. Naquela tarde, a força da natureza foi tamanha que cerca de 30 mil árvores foram arrastadas pelas correntezas.

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Como aconteceu?

No dia 17 de março, a chuva intermitente já causava pontos de alagamento. Entretanto, o volume de água intensificou-se drasticamente na manhã do dia 18.

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Os deslizamentos começaram no período da tarde; por volta das 13h, uma avalanche de pedras, árvores e lama desceu dos morros do Cruzeiro, Jaraguá e Jaraguazinho, soterrando partes da cidade.

A população ouvia grandes estrondos, mas a cortina de chuva impedia que a real dimensão da tragédia fosse avaliada. Às 15h30, Caraguatatuba estava isolada: a Rodovia dos Tamoios foi destruída e dezenas de carros ficaram presos no trecho de serra.

No dia 17 de março, a chuva intermitente já causava pontos de alagamento. Entretanto, o volume de água intensificou-se drasticamente na manhã do dia 18 (PMC/Divulgação/Imagem Meramente Ilustrativa)
No dia 17 de março, a chuva intermitente já causava pontos de alagamento. Entretanto, o volume de água intensificou-se drasticamente na manhã do dia 18 (PMC/Divulgação/Imagem Meramente Ilustrativa)
Os deslizamentos começaram no período da tarde; por volta das 13h, uma avalanche de pedras, árvores e lama desceu dos morros do Cruzeiro, Jaraguá e Jaraguazinho, soterrando partes da cidade (PMC/Divulgação/Imagem Meramente Ilustrativa)
Os deslizamentos começaram no período da tarde; por volta das 13h, uma avalanche de pedras, árvores e lama desceu dos morros do Cruzeiro, Jaraguá e Jaraguazinho, soterrando partes da cidade (PMC/Divulgação/Imagem Meramente Ilustrativa)
Caraguatatuba permaneceu três dias em trevas, sem qualquer fornecimento de energia, com 436 mortes oficiais, quase 3 mil desabrigados e 10 bairros destruídos e cerca de 30 mil árvores foram arrastadas pelas correntezas (PMC/Divulgação/Imagem Meramente Ilustrativa)
Caraguatatuba permaneceu três dias em trevas, sem qualquer fornecimento de energia, com 436 mortes oficiais, quase 3 mil desabrigados e 10 bairros destruídos e cerca de 30 mil árvores foram arrastadas pelas correntezas (PMC/Divulgação/Imagem Meramente Ilustrativa)

O acesso a São Sebastião e Ubatuba tornou-se possível apenas por mar ou via aérea.

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Às 16h30, uma nova frente de destruição abriu-se no vale do Rio Santo Antônio. O leito, que antes tinha 40 metros de largura, expandiu-se para 200 metros sob a pressão da lama e dos detritos.

No bairro Rio de Ouro, barreiras gigantescas formaram uma represa natural que se rompeu horas mais tarde, varrendo o bairro do mapa e deslocando a ponte principal.

Ironicamente, especialistas afirmam que, se esse rompimento não tivesse ocorrido, a cidade inteira teria sido permanentemente inundada e coberta pelas águas.

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O Resultado

Embora a contagem oficial registre 436 mortos, sobreviventes e moradores locais sustentam que o número real é muito maior, com corpos levados ao mar ou sepultados sob metros de lama.

A estrada da serra foi tão castigada que seu traçado original tornou-se irreconhecível em diversos trechos, dando lugar a precipícios com mais de 100 metros de profundidade.

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Caraguatatuba permaneceu três dias em trevas, sem qualquer fornecimento de energia.

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