Variedades
Com mais de 400 mortos e bairros varridos do mapa, o deslizamento em massa na Serra do Mar transformou Caraguatatuba em um cenário de guerra
As fortes chuvas que aconteceram em 1967 quase fizeram a cidade sumir do mapa / PMC/Divulgação
Continua depois da publicidade
O Brasil já vivenciou diversos cenários trágicos envolvendo chuvas de verão, mas o episódio ocorrido em 18 de março de 1967, em Caraguatatuba, permanece até hoje como uma das maiores catástrofes do país.
As inundações resultaram em 436 mortes oficiais, deixaram quase 3 mil desabrigados e destruíram 10 bairros. Naquela tarde, a força da natureza foi tamanha que cerca de 30 mil árvores foram arrastadas pelas correntezas.
Continua depois da publicidade
Leia também: Maior produtor trava vendas e peixe que todo brasileiro já comeu pode sumir dos mercados
No dia 17 de março, a chuva intermitente já causava pontos de alagamento. Entretanto, o volume de água intensificou-se drasticamente na manhã do dia 18.
Continua depois da publicidade
Os deslizamentos começaram no período da tarde; por volta das 13h, uma avalanche de pedras, árvores e lama desceu dos morros do Cruzeiro, Jaraguá e Jaraguazinho, soterrando partes da cidade.
A população ouvia grandes estrondos, mas a cortina de chuva impedia que a real dimensão da tragédia fosse avaliada. Às 15h30, Caraguatatuba estava isolada: a Rodovia dos Tamoios foi destruída e dezenas de carros ficaram presos no trecho de serra.
O acesso a São Sebastião e Ubatuba tornou-se possível apenas por mar ou via aérea.
Continua depois da publicidade
Às 16h30, uma nova frente de destruição abriu-se no vale do Rio Santo Antônio. O leito, que antes tinha 40 metros de largura, expandiu-se para 200 metros sob a pressão da lama e dos detritos.
No bairro Rio de Ouro, barreiras gigantescas formaram uma represa natural que se rompeu horas mais tarde, varrendo o bairro do mapa e deslocando a ponte principal.
Ironicamente, especialistas afirmam que, se esse rompimento não tivesse ocorrido, a cidade inteira teria sido permanentemente inundada e coberta pelas águas.
Continua depois da publicidade
Leia também: Única cidade do mundo onde a chuva é proibida fica perto do Brasil e tem forte turismo
Embora a contagem oficial registre 436 mortos, sobreviventes e moradores locais sustentam que o número real é muito maior, com corpos levados ao mar ou sepultados sob metros de lama.
A estrada da serra foi tão castigada que seu traçado original tornou-se irreconhecível em diversos trechos, dando lugar a precipícios com mais de 100 metros de profundidade.
Continua depois da publicidade
Caraguatatuba permaneceu três dias em trevas, sem qualquer fornecimento de energia.