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'Trimestre zero': o que ninguém te conta sobre o protocolo de 90 dias que viralizou no TikTok

A ciência confirma que hábitos saudáveis ajudam, mas o excesso de rigor no 'Trimestre Zero' pode gerar o efeito oposto ao desejado

Ana Clara Durazzo

Publicado em 12/04/2026 às 19:00

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A ideia do chamado "trimestre zero" é simples: dedicar cerca de 90 dias antes da gravidez a mudanças rigorosas no estilo de vida / Imagem gerada por IA

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Uma nova tendência nas redes sociais, especialmente no TikTok, tem chamado a atenção de mulheres que desejam engravidar. Conhecida como “trimestre zero”, a prática propõe uma preparação intensa do corpo nos três meses que antecedem a tentativa de concepção, mas especialistas fazem alertas importantes sobre exageros e riscos.

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‘Trimestre zero’ viraliza e promete aumentar fertilidade

A ideia do chamado “trimestre zero” é simples: dedicar cerca de 90 dias antes da gravidez a mudanças rigorosas no estilo de vida, incluindo dieta, exercícios, uso de suplementos e até a eliminação de produtos considerados “tóxicos”.

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A promessa é sedutora: aumentar a fertilidade, melhorar a qualidade dos óvulos e reduzir o risco de aborto espontâneo. Nas redes, o período virou quase um protocolo, com rotinas detalhadas e altamente disciplinadas.

Ao analisar esse conjunto de dados comportamentais de longo prazo, o sistema se mostrou não apenas mais preciso na detecção da gravidez, mas também eficaz na previsão de outras condições de saúdeA promessa é sedutora: aumentar a fertilidade, melhorar a qualidade dos óvulos e reduzir o risco de aborto espontâneo

Existe base científica? Sim, mas com limites

Especialistas explicam que o conceito tem, sim, um fundamento biológico. Tanto os óvulos quanto os espermatozoides levam cerca de 90 dias para amadurecer, e hábitos nesse período podem influenciar a qualidade dessas células.

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No entanto, isso não significa que três meses de mudanças intensas sejam capazes de transformar a fertilidade de forma significativa.

Uma revisão científica publicada em 2025, com quase 8 mil mulheres, mostrou que intervenções no estilo de vida não aumentaram as taxas de gravidez entre pessoas já saudáveis.

Ou seja: o “trimestre zero” pode ajudar quem tem fatores de risco, mas não é uma solução milagrosa.

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Riscos de exageros preocupam médicos

Um dos principais alertas envolve práticas extremas incentivadas por influenciadores:

  • Dietas muito restritivas
  • Perda de peso rápida
  • Exercícios intensos em excesso

Essas mudanças podem ter o efeito contrário ao desejado. Segundo especialistas, intervenções radicais podem desregular hormônios e até impedir a ovulação.

Além disso, o estresse gerado pela pressão de “preparar o corpo perfeito” também pode dificultar a gravidez, afetando o ciclo menstrual.

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Aprenda a integrar exercícios rápidos para uma vida mais saudávelSegundo especialistas, intervenções radicais podem desregular hormônios e até impedir a ovulação.

Expectativas irreais podem gerar frustração

Outro ponto importante é que a fertilidade não é totalmente controlável. Mesmo casais saudáveis têm apenas 20% a 25% de chance de engravidar por ciclo.

Criar a expectativa de que tudo depende de hábitos adotados nesses três meses pode gerar ansiedade e frustração, principalmente quando a gravidez não acontece rapidamente.

Nem tudo pode ser “melhorado” em 90 dias

Nas redes, muitos conteúdos sugerem que é possível melhorar a qualidade dos óvulos rapidamente. Mas especialistas explicam que isso depende de fatores complexos, como genética e idade.

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A chamada reserva ovariana, por exemplo, é definida antes mesmo do nascimento e diminui ao longo da vida, especialmente após os 35 anos. Nenhuma mudança de estilo de vida é capaz de reverter isso.

Fertilidade não é só feminina

Outro erro comum da trend é ignorar o papel do homem. O fator masculino está presente em até metade dos casos de infertilidade.

Hábitos como:

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  • Tabagismo
  • Consumo de álcool
  • Sedentarismo
  • Má alimentação

também impactam diretamente a qualidade do esperma, reforçando que a fertilidade é responsabilidade do casal.

O que realmente faz diferença

Apesar dos exageros, algumas mudanças são recomendadas e podem ajudar:

  • Parar de fumar
  • Reduzir álcool
  • Manter peso saudável
  • Controlar doenças como diabetes e tireoide
  • Tomar ácido fólico antes da gravidez

A suplementação de ácido fólico, por exemplo, é comprovadamente eficaz na prevenção de malformações no bebê.

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Mais do que três meses, um cuidado contínuo

Especialistas são unânimes: não existe fórmula mágica para engravidar. O ideal é manter hábitos saudáveis ao longo de toda a vida fértil, e não apenas em um período específico.

O “trimestre zero” pode ser útil como um momento de organização da saúde, mas não deve ser encarado como garantia de gravidez.

Entre a trend e a realidade

O sucesso do “trimestre zero” mostra como as redes sociais influenciam decisões importantes de saúde. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de buscar informação confiável e acompanhamento médico.

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No fim, a recomendação é clara: cuidar da saúde sempre, sem cair em promessas milagrosas da internet.

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