A ideia do chamado "trimestre zero" é simples: dedicar cerca de 90 dias antes da gravidez a mudanças rigorosas no estilo de vida / Imagem gerada por IA
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Uma nova tendência nas redes sociais, especialmente no TikTok, tem chamado a atenção de mulheres que desejam engravidar. Conhecida como “trimestre zero”, a prática propõe uma preparação intensa do corpo nos três meses que antecedem a tentativa de concepção, mas especialistas fazem alertas importantes sobre exageros e riscos.
A ideia do chamado “trimestre zero” é simples: dedicar cerca de 90 dias antes da gravidez a mudanças rigorosas no estilo de vida, incluindo dieta, exercícios, uso de suplementos e até a eliminação de produtos considerados “tóxicos”.
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A promessa é sedutora: aumentar a fertilidade, melhorar a qualidade dos óvulos e reduzir o risco de aborto espontâneo. Nas redes, o período virou quase um protocolo, com rotinas detalhadas e altamente disciplinadas.
A promessa é sedutora: aumentar a fertilidade, melhorar a qualidade dos óvulos e reduzir o risco de aborto espontâneoEspecialistas explicam que o conceito tem, sim, um fundamento biológico. Tanto os óvulos quanto os espermatozoides levam cerca de 90 dias para amadurecer, e hábitos nesse período podem influenciar a qualidade dessas células.
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No entanto, isso não significa que três meses de mudanças intensas sejam capazes de transformar a fertilidade de forma significativa.
Uma revisão científica publicada em 2025, com quase 8 mil mulheres, mostrou que intervenções no estilo de vida não aumentaram as taxas de gravidez entre pessoas já saudáveis.
Ou seja: o “trimestre zero” pode ajudar quem tem fatores de risco, mas não é uma solução milagrosa.
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Um dos principais alertas envolve práticas extremas incentivadas por influenciadores:
Essas mudanças podem ter o efeito contrário ao desejado. Segundo especialistas, intervenções radicais podem desregular hormônios e até impedir a ovulação.
Além disso, o estresse gerado pela pressão de “preparar o corpo perfeito” também pode dificultar a gravidez, afetando o ciclo menstrual.
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Segundo especialistas, intervenções radicais podem desregular hormônios e até impedir a ovulação.Outro ponto importante é que a fertilidade não é totalmente controlável. Mesmo casais saudáveis têm apenas 20% a 25% de chance de engravidar por ciclo.
Criar a expectativa de que tudo depende de hábitos adotados nesses três meses pode gerar ansiedade e frustração, principalmente quando a gravidez não acontece rapidamente.
Nas redes, muitos conteúdos sugerem que é possível melhorar a qualidade dos óvulos rapidamente. Mas especialistas explicam que isso depende de fatores complexos, como genética e idade.
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A chamada reserva ovariana, por exemplo, é definida antes mesmo do nascimento e diminui ao longo da vida, especialmente após os 35 anos. Nenhuma mudança de estilo de vida é capaz de reverter isso.
Outro erro comum da trend é ignorar o papel do homem. O fator masculino está presente em até metade dos casos de infertilidade.
Hábitos como:
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também impactam diretamente a qualidade do esperma, reforçando que a fertilidade é responsabilidade do casal.
Apesar dos exageros, algumas mudanças são recomendadas e podem ajudar:
A suplementação de ácido fólico, por exemplo, é comprovadamente eficaz na prevenção de malformações no bebê.
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Especialistas são unânimes: não existe fórmula mágica para engravidar. O ideal é manter hábitos saudáveis ao longo de toda a vida fértil, e não apenas em um período específico.
O “trimestre zero” pode ser útil como um momento de organização da saúde, mas não deve ser encarado como garantia de gravidez.
O sucesso do “trimestre zero” mostra como as redes sociais influenciam decisões importantes de saúde. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de buscar informação confiável e acompanhamento médico.
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No fim, a recomendação é clara: cuidar da saúde sempre, sem cair em promessas milagrosas da internet.