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Terra Nostra expõe drama da peste bubônica que separou Giuliana e Matteo no Porto de Santos

A trama da novela da Globo mostra como surto de doença em navio mudou destino de Giuliana e Matteo; mortes e quarentena marcaram a época

Giovanna Camiotto

Publicado em 20/01/2026 às 20:02

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Ana Paula Arósio, Thiago Lacerda (Giuliana, Matteo Batistela) / Divulgação/Globo

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A novela "Terra Nostra" utiliza um dos capítulos mais sombrios da história da saúde pública para mover sua narrativa: o surto de peste bubônica. Embora seja ficção, o drama vivido por Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda) no navio Andrea I é um espelho fiel dos riscos sanitários que os imigrantes enfrentavam no início do século 20, quando as embarcações vindas da Europa eram focos de epidemias letais.

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Na vida real, assim como na novela, a doença era transmitida por pulgas de ratos que se escondiam nos porões dos navios mercantes e de passageiros. O surto mostrado na TV reflete o terror da época: sintomas como febre alta, dores lancinantes e o surgimento de bulbos (inchaços) pelo corpo.

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A comparação com a realidade histórica é nítida quando os pais de Giuliana morrem e têm seus corpos lançados ao mar, uma medida drástica e comum para evitar que o navio fosse impedido de atracar no Brasil por questões de segurança sanitária.

A conexão entre a ficção de Benedito Ruy Barbosa e a história do Brasil fica evidente no impacto social da doença. Na trama, o caos gerado pela peste é o responsável direto pelo desencontro do casal protagonista ao desembarcarem no Porto de Santos.

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A peste bubônica é causada pela bactéria Yersinia pestis e marcou a história como a Peste Negra. Na vida real e em tramas como Terra Nostra, sua disseminação ocorria principalmente por pulgas de ratos que infestavam navios mercantes e de imigrantes em condições precárias de higiene/Pexels
A peste bubônica é causada pela bactéria Yersinia pestis e marcou a história como a Peste Negra. Na vida real e em tramas como Terra Nostra, sua disseminação ocorria principalmente por pulgas de ratos que infestavam navios mercantes e de imigrantes em condições precárias de higiene/Pexels
O nome da doença vem dos bubões, que são inchaços dolorosos nos linfonodos. Além disso, a infecção provoca febre alta, calafrios e dores intensas, sendo uma das enfermidades mais letais da história da humanidade antes do advento dos antibióticos modernos/Pexels
O nome da doença vem dos bubões, que são inchaços dolorosos nos linfonodos. Além disso, a infecção provoca febre alta, calafrios e dores intensas, sendo uma das enfermidades mais letais da história da humanidade antes do advento dos antibióticos modernos/Pexels
No início do século 20, portos como o de Santos eram portas de entrada para o progresso, mas também para epidemias. A peste bubônica forçava quarentenas rígidas e desinfecções severas em bagagens, mudando o destino de milhares de imigrantes que chegavam ao país/Pexels
No início do século 20, portos como o de Santos eram portas de entrada para o progresso, mas também para epidemias. A peste bubônica forçava quarentenas rígidas e desinfecções severas em bagagens, mudando o destino de milhares de imigrantes que chegavam ao país/Pexels
A bordo dos navios de imigrantes, a peste bubônica era um pesadelo sem fuga. Sem isolamento adequado, famílias inteiras eram dizimadas em poucos dias, e os corpos precisavam ser lançados ao mar para evitar que a embarcação fosse proibida de atracar no destino final/Pexels
A bordo dos navios de imigrantes, a peste bubônica era um pesadelo sem fuga. Sem isolamento adequado, famílias inteiras eram dizimadas em poucos dias, e os corpos precisavam ser lançados ao mar para evitar que a embarcação fosse proibida de atracar no destino final/Pexels
O combate à peste bubônica ajudou a moldar as políticas de saúde pública no Brasil. A necessidade de conter surtos em cidades portuárias levou à criação de institutos de pesquisa e ao desenvolvimento de estratégias de vigilância sanitária que utilizamos até hoje/Pexels
O combate à peste bubônica ajudou a moldar as políticas de saúde pública no Brasil. A necessidade de conter surtos em cidades portuárias levou à criação de institutos de pesquisa e ao desenvolvimento de estratégias de vigilância sanitária que utilizamos até hoje/Pexels

Historicamente, surtos de peste e febre amarela forçavam quarentenas rígidas na Hospedaria dos Imigrantes, separando famílias e reescrevendo o destino de milhares de italianos que chegavam para trabalhar nas lavouras de café paulistas.

Ao revisitar "Terra Nostra", o público percebe que o drama dos imigrantes ia além da saudade de casa. O medo do "inimigo invisível" era uma constante nos portos de Gênova e Santos. Matteo, que sobrevive à bactéria na novela, representa a resiliência de quem conseguia superar a baixa infraestrutura médica da época.

Entender esse paralelo ajuda a compreender por que o desembarque em solo brasileiro era, ao mesmo tempo, um momento de esperança e de profunda angústia para quem vencia as epidemias em alto-mar.

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