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A trama da novela da Globo mostra como surto de doença em navio mudou destino de Giuliana e Matteo; mortes e quarentena marcaram a época
Ana Paula Arósio, Thiago Lacerda (Giuliana, Matteo Batistela) / Divulgação/Globo
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A novela "Terra Nostra" utiliza um dos capítulos mais sombrios da história da saúde pública para mover sua narrativa: o surto de peste bubônica. Embora seja ficção, o drama vivido por Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda) no navio Andrea I é um espelho fiel dos riscos sanitários que os imigrantes enfrentavam no início do século 20, quando as embarcações vindas da Europa eram focos de epidemias letais.
Na vida real, assim como na novela, a doença era transmitida por pulgas de ratos que se escondiam nos porões dos navios mercantes e de passageiros. O surto mostrado na TV reflete o terror da época: sintomas como febre alta, dores lancinantes e o surgimento de bulbos (inchaços) pelo corpo.
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A comparação com a realidade histórica é nítida quando os pais de Giuliana morrem e têm seus corpos lançados ao mar, uma medida drástica e comum para evitar que o navio fosse impedido de atracar no Brasil por questões de segurança sanitária.
A conexão entre a ficção de Benedito Ruy Barbosa e a história do Brasil fica evidente no impacto social da doença. Na trama, o caos gerado pela peste é o responsável direto pelo desencontro do casal protagonista ao desembarcarem no Porto de Santos.
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Historicamente, surtos de peste e febre amarela forçavam quarentenas rígidas na Hospedaria dos Imigrantes, separando famílias e reescrevendo o destino de milhares de italianos que chegavam para trabalhar nas lavouras de café paulistas.
Ao revisitar "Terra Nostra", o público percebe que o drama dos imigrantes ia além da saudade de casa. O medo do "inimigo invisível" era uma constante nos portos de Gênova e Santos. Matteo, que sobrevive à bactéria na novela, representa a resiliência de quem conseguia superar a baixa infraestrutura médica da época.
Entender esse paralelo ajuda a compreender por que o desembarque em solo brasileiro era, ao mesmo tempo, um momento de esperança e de profunda angústia para quem vencia as epidemias em alto-mar.
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