O álbum 'Boladona', de Tati Quebra Barraco, foi eleito como o 19º melhor disco de música eletrônica / Divulgação
Continua depois da publicidade
A cantora Tati Quebra Barraco expôs no domingo (15) uma disputa envolvendo direitos autorais de músicas de sua carreira. Em vídeos publicados nos últimos dias, a funkeira afirmou que não recebe valores por composições de sua autoria e acusou DJs de ficarem com os repasses financeiros.
Segundo Tati, canções conhecidas do público seguem gerando receita sem que ela seja remunerada. “A música ‘Barraco II’ é da minha autoria, sendo que eu não recebo até hoje. São dois DJs que recebem esse dinheiro. Um é o Dennis DJ. Beleza, já passou. Não recebo, vou correr atrás dos meus direitos”, disse.
Continua depois da publicidade
Ela também citou outras músicas, como “Bota na boca, bota na cara”, e afirmou que só recentemente conseguiu o reconhecimento de créditos em uma faixa que utiliza trecho de sua obra, gravada por The Weeknd e Anitta.
No desabafo, Tati afirmou que enfrenta dificuldades há anos para ter sua autoria reconhecida. “Eu venho sendo massacrada desde sempre, até porque eu era ingênua. É massacre atrás de massacre. É muita injustiça. Já estou sufocada”, declarou a artista.
Continua depois da publicidade
A cantora também relatou ter sido notificada por DJ Marlboro após a edição de uma de suas músicas. Segundo ela, o episódio faz parte de um histórico de conflitos envolvendo o controle de suas obras.
Segundo o relato de Tati, a falta de liberação de músicas afeta diretamente sua renda. Ela citou o caso de “Boladona”, um dos maiores sucessos de sua carreira.
“Hoje não posso fazer publicidade porque não tem liberação. Vocês não têm noção de quanto eu perco de publicidade. ‘Boladona’ é o carro-chefe da minha vida. Só consagrou minha carreira, mas eu não posso usar”, afirmou ela.
Continua depois da publicidade
Após a repercussão, Dennis DJ comentou uma das publicações pedindo desculpas. “Se eu recebi alguma coisa relacionada a essa música, eu vou te devolver”, escreveu ele, procurando Tati para prestar contas.
Em nota, a equipe do DJ afirmou que, no início dos anos 2000, uma das músicas foi registrada de forma equivocada em seu nome por uma produtora. Segundo o comunicado, a autoria de Tati foi regularizada em 2020 e os valores recebidos anteriormente estão sendo levantados para possível devolução.
As declarações da cantora repercutiram entre artistas e familiares de nomes históricos do funk. Herdeiros de Mr. Catra publicaram nota em apoio à funkeira e relataram situação semelhante envolvendo direitos autorais.
Continua depois da publicidade
“Entendemos a luta que ela está passando. Nosso pai nunca recebeu prestações de contas e, após sua morte, seguimos sem acesso aos repasses”, disse o comunicado.
Familiares de MC Marcinho também manifestaram solidariedade. Segundo eles, o cantor enfrentou problemas para regravar as próprias músicas e chegou a perder oportunidades comerciais.
Outros artistas também se posicionaram publicamente. A cantora Valesca Popozuda afirmou que o desabafo de Tati abre espaço para que outros funkeiros cobrem seus direitos. “A fala dela não é sobre dinheiro, mas sobre justiça. Muitos de nós não conhecíamos nossos direitos e acabamos prejudicados”, escreveu ela.
Continua depois da publicidade
O caso reacende discussões antigas sobre direitos autorais no funk, especialmente envolvendo artistas que começaram a carreira nas décadas de 1990 e 2000. Tati afirma que pretende buscar reconhecimento e reparação: “É muito fácil estar com pessoas que só querem sugar”, disse a cantora, ao encerrar o desabafo.