Tecnologia desenvolvida no Paraná antecipa os riscos da emergência climática para o meio ambiente / Reprodução/Wikipedia
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A araucária, símbolo do Paraná, é o foco de um estudo que utiliza tecnologia para avaliar os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade.
A espécie foi escolhida como modelo para testar o caretSDM, um software desenvolvido no Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação em Emergência Climática (NAPI-EC), rede que reúne universidades, centros de pesquisa e empresas em busca de soluções para os desafios climáticos.
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A ferramenta utiliza modelos preditivos para analisar como fatores ambientais, como temperatura e regime de chuvas, influenciam a distribuição das espécies ao longo do tempo.
Desenvolvido em linguagem R, o caretSDM permite simular cenários futuros e identificar áreas com maior chance de sobrevivência para plantas e animais, além de regiões que exigirão maior atenção em políticas de conservação.
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O funcionamento do software envolve etapas de coleta e processamento de dados ambientais, calibração e avaliação dos modelos, geração de projeções futuras e interpretação dos resultados.
Essas informações podem ser aplicadas diretamente no planejamento ambiental, na definição de áreas prioritárias para preservação e na antecipação de impactos sobre cadeias produtivas.
Além da conservação, o caretSDM também pode ser utilizado em áreas como agricultura e saúde pública, auxiliando na previsão do deslocamento de pragas, vetores de doenças e riscos associados às mudanças climáticas.
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Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), o software já é utilizado por professores e estudantes, que contribuem para seu aprimoramento contínuo.
O projeto é baseado em uma abordagem interdisciplinar, envolvendo especialistas em ecologia, geografia e ciência da computação.
Os primeiros resultados são preocupantes. Estudos indicam que, até 2090, as áreas adequadas para a coexistência da araucária e da gralha-azul podem diminuir em 75,3%, comprometendo a regeneração das florestas.
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As projeções também apontam uma possível redução de até 84,8% da área de distribuição da araucária, que ficaria restrita principalmente ao Sul do Paraná.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem que a ciência e a tecnologia sejam usadas como base para políticas públicas de conservação, capazes de antecipar riscos e proteger espécies fundamentais para o equilíbrio ambiental e para a sociedade.