Variedades
A produção do Globoplay expõe batalha judicial, conflitos familiares e versões opostas sobre a fortuna bilionária de Anita
A obra acompanha a complexa disputa pela herança da empresária Anita Harley, das Casas Pernambucanas / Reprodução/Globo
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A série documental "O Testamento: O Segredo de Anita Harley" se tornou um fenômeno de audiência no Globoplay desde o lançamento no fim de fevereiro. Nas últimas semanas, a produção liderou o ranking de conteúdos mais vistos da plataforma, superando até atrações populares como a novela "Três Graças" e o reality show "Big Brother Brasil 26".
Dividido em cinco episódios, o documentário acompanha a complexa disputa pela herança da empresária Anita Harley, ligada à tradicional rede varejista Casas Pernambucanas. A fortuna envolvida é estimada em cerca de R$ 1 bilhão, e o conflito envolve familiares, funcionárias próximas e personagens que reivindicam vÃnculos afetivos e legais com a empresária.
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A trama real começou em 2016, quando Anita sofreu um Acidente Vascular Cerebral que a deixou em coma. A partir desse momento, iniciou-se uma intensa batalha judicial pela curatela, mecanismo legal que define quem passa a representar civilmente uma pessoa incapaz de administrar sua própria vida e patrimônio.
Um dos pontos centrais apresentados na série envolve o testamento vital deixado por Anita antes do AVC. O documento indicaria a secretária de confiança Cristine Rodrigues como responsável por decisões sobre seus cuidados.
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Do outro lado está Sônia Soares, funcionária que vivia na mansão da empresária e que afirma ter mantido uma relação afetiva com Anita. A disputa ganhou novos capÃtulos quando Suzuki obteve na Justiça o reconhecimento de união estável com a herdeira, passando a ter influência direta sobre o patrimônio.
A situação ficou ainda mais complexa com a entrada de Arthur Miceli no processo. Ele chegou a conseguir o reconhecimento de maternidade socioafetiva com Anita, o que o colocaria como herdeiro da fortuna. No entanto, familiares da empresária contestaram essa relação, intensificando o conflito judicial.
A série também reúne depoimentos de advogados, amigos e parentes que apresentam versões diferentes sobre o relacionamento de Anita com as pessoas ao seu redor, criando uma narrativa cheia de contradições e reviravoltas.
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A ideia do documentário surgiu da curiosidade da diretora Camila Appel, que descobriu o caso ao notar que uma paciente com forte esquema de segurança estava internada no mesmo hospital que seu pai. A pergunta sobre quem era aquela mulher acabou levando à investigação que deu origem à série.
A produção é do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, atualmente liderado pelo jornalista Pedro Bial. Além de Camila Appel, a direção conta com Dudu Levy, enquanto o roteiro é assinado por Ricardo Calil, Camila Appel e Iuri Barcelos.
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O sucesso da produção se explica pela combinação de elementos dignos de ficção: uma herança bilionária, disputas familiares, revelações inesperadas e personagens excêntricos. A narrativa mistura entrevistas, investigação jornalÃstica e até encenações com atores para reconstruir episódios importantes da história.
Ao longo dos episódios, novas informações surgem e mudam a percepção do público sobre quem tem razão na disputa. Como os processos judiciais continuam em andamento, a série termina deixando a sensação de que a história ainda está longe de um desfecho definitivo.