Variedades

Sem possibilidade de aposentadoria aos 65 anos, esta é a realidade de trabalhar aos 70 e 80 anos

Alto custo de vida e moradia cara forçam idosos a manter rotinas exaustivas mesmo após décadas de contribuição

Luna Almeida

Publicado em 18/02/2026 às 18:20

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Dados oficiais indicam que cerca de 96,6 mil neozelandeses com 70 anos ou mais continuam empregados / Freepik

Continua depois da publicidade

A imagem da aposentadoria tranquila aos 65 anos está cada vez mais distante da realidade de muitos idosos. Em vários casos, homens e mulheres continuam trabalhando até os 70, 80 anos ou mais simplesmente para conseguir pagar despesas básicas como aluguel, contas e alimentação.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Um exemplo é o de um caminhoneiro da cidade de Rotorua, na Nova Zelândia, que só conseguiu parar de trabalhar aos 84 anos, depois de obter moradia com aluguel reduzido por meio de uma instituição de apoio a idosos. Até então, a renda da aposentadoria não era suficiente para cobrir os custos mensais.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Idosos aposentados que continuam trabalhando podem receber salário maior, segundo projeto

• Alteração na aposentadoria: governo troca regras e idade mínima sofre mudança importante

• Essa charmosa vila alemã fica na Argentina e é o paraíso dos aposentados

Trabalho pesado mesmo na velhice

Embora fosse mecânico de profissão, ele passou anos dirigindo caminhão diariamente antes do amanhecer para transportar fertilizantes entre cidades vizinhas. A rotina exaustiva persistiu por falta de alternativa financeira.

Após mudar para uma microcasa subsidiada por uma entidade social, finalmente conseguiu se aposentar. Mesmo assim, continua colaborando com a comunidade, transportando outros idosos sem carro em veículos da instituição.

Continua depois da publicidade

O caso não é isolado. Dados oficiais indicam que cerca de 96,6 mil neozelandeses com 70 anos ou mais continuam empregados. No Brasil, este número chega a cerca de 60% dos aposentados. 

O aumento da longevidade, combinado com o alto custo de vida, tem pressionado o sistema previdenciário e a vida dos aposentados.

Debate sobre aumento da idade mínima

Economistas e autoridades discutem a possibilidade de elevar a idade para aposentadoria para algo entre 72 e 73 anos, argumentando que o país pode não conseguir sustentar os gastos atuais no futuro.

Continua depois da publicidade

Hoje, não existe idade obrigatória para parar de trabalhar na Nova Zelândia, mas a pensão pública começa a ser paga aos 65 anos e é concedida independentemente da renda.

A proposta, porém, gera forte resistência, especialmente entre quem exerceu trabalhos fisicamente exigentes ao longo da vida e não tem condições de continuar ativo por mais tempo.

Idosos que trabalham por necessidade

Muitos aposentados afirmam que a renda mensal cobre apenas despesas básicas. Sem casa própria quitada ou economias substanciais, a aposentadoria pode significar perda significativa de qualidade de vida.

Continua depois da publicidade

Especialistas apontam que despesas com moradia, energia, saúde, impostos e alimentação pesam de forma desproporcional sobre os idosos, além de eventuais dívidas ou ajuda financeira a familiares mais jovens.

Dados indicam que cerca de 40% dos beneficiários da previdência pública não possuem nenhuma outra fonte de renda, enquanto outros 20% têm apenas pequenas economias.

Crescimento expressivo do trabalho na terceira idade

Organizações que auxiliam profissionais mais velhos relatam aumento constante na procura por emprego entre pessoas acima dos 65 anos. Muitos buscam trabalho não por escolha, mas por necessidade de sobrevivência.

Continua depois da publicidade

Desde o ano 2000, o número de trabalhadores entre 65 e 69 anos cresceu mais de cinco vezes, enquanto o contingente com 70 anos ou mais teve aumento ainda maior. Atualmente, quase metade das pessoas entre 65 e 69 anos continua ativa no mercado.

Questão política e social

O tema também divide lideranças políticas. Alguns defendem manter a aposentadoria aos 65 anos para garantir segurança e previsibilidade à população. Outros consideram inevitável rever as regras diante do envelhecimento da população.

Críticos alertam que elevar a idade mínima pode afetar principalmente pessoas com problemas de saúde ou histórico de trabalho pesado, que muitas vezes não conseguem permanecer empregadas.

Continua depois da publicidade

Apesar do debate sobre sustentabilidade financeira do sistema previdenciário, especialistas ressaltam que qualquer mudança precisa considerar a realidade social e econômica dos idosos, para evitar que a aposentadoria se torne apenas um ideal distante.

Aposentadoria no Brasil

No Brasil, a idade mínima para aposentadoria foi alterada pela Reforma da Previdência de 2019. Atualmente, homens precisam ter pelo menos 65 anos e mulheres 62 anos, além de cumprir tempo mínimo de contribuição ao INSS. 

O benefício é calculado com base na média salarial e nas contribuições ao longo da vida profissional, o que faz com que muitos recebam valores inferiores ao último salário da ativa.

Continua depois da publicidade

Apesar da existência de programas assistenciais e aposentadorias especiais, uma parcela significativa dos idosos brasileiros continua trabalhando após se aposentar, seja para complementar a renda, seja para manter o sustento da família. 

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software