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'Sem olhar para a história, fica difícil avançar': diretor fala sobre documentário dos Raimundos

Diretor Daniel Ferro fala sobre a série 'Andar na Pedra', que estreia no Globoplay e revisita momentos decisivos da história da banda

Luna Almeida

Publicado em 17/03/2026 às 07:49

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Daniel Ferro e Rodolfo / Globoplay
Daniel Ferro e Rodolfo / Globoplay
A produção inclui depoimentos do jornalista santista Sérgio Vieira / Divulgação
A produção inclui depoimentos do jornalista santista Sérgio Vieira / Divulgação
O documentário também traz entrevistas inéditas com músicos, familiares e pessoas próximas à banda / Divulgação
O documentário também traz entrevistas inéditas com músicos, familiares e pessoas próximas à banda / Divulgação
Dirigida por Daniel Ferro, a produção revisita mais de quatro décadas de história do grupo Raimundos / Karyme França/Globoplay
Dirigida por Daniel Ferro, a produção revisita mais de quatro décadas de história do grupo Raimundos / Karyme França/Globoplay
Dividida em cinco episódios, a série mergulha nas amizades, tensões e decisões que moldaram a trajetória da banda / Divulgação
Dividida em cinco episódios, a série mergulha nas amizades, tensões e decisões que moldaram a trajetória da banda / Divulgação

Dirigida por Daniel Ferro, a produção revisita mais de quatro décadas de história do grupo Raimundos / Karyme França/Globoplay

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A trajetória de uma das bandas mais marcantes do rock brasileiro ganha um novo olhar na série documental ‘Andar na Pedra – A História dos Raimundos’, que estreia nesta quinta-feira (19) no Globoplay. 

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Dirigida por Daniel Ferro e produzida pela Ferrorama, a produção revisita mais de quatro décadas de história do grupo Raimundos, abordando desde a formação em Brasília até os conflitos e rupturas entre os integrantes.

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Dividida em cinco episódios, a série mergulha nas amizades, tensões e decisões que moldaram a trajetória da banda, responsável por álbuns que marcaram os anos 1990, como Lavô Tá Novo e Só no Forévis. 

O documentário também traz entrevistas inéditas com músicos, familiares e pessoas próximas à banda, além de material de arquivo digitalizado pela primeira vez.

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Entre os temas abordados está a tragédia ocorrida durante um show da banda em Santos, em 8 de novembro de 1997, episódio que marcou profundamente a história do grupo e que também é discutido na série. 

A produção inclui depoimentos do jornalista santista Sérgio Vieira, autor do livro ‘Raimundos – O Show Que Nunca Terminou’, obra utilizada como referência na pesquisa do documentário. 

Em entrevista ao Diário do Litoral, Daniel Ferro explicou por que considerou essencial incluir esse episódio na narrativa da série.

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Segundo o diretor, ignorar o acontecimento significaria deixar de fora um momento decisivo para entender a trajetória da banda. 

“É impossível contar a história do Raimundos ao longo de quatro décadas sem falar do que aconteceu em 8 de novembro de 1997 em Santos. Aquela noite marcou não só uma cidade, mas também o destino da banda”, afirmou.

Ele destaca que o episódio teve consequências que se refletiram ao longo dos anos seguintes, influenciando decisões e relações entre os integrantes. 

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“No documentário, mostramos como esse episódio impactou profunda e diretamente decisões que vieram depois, tanto profissionais quanto pessoais. Ao longo da série, as peças desse quebra-cabeça vão se encaixando e ajudam a entender melhor a relação complexa entre os integrantes originais”, explicou.

Pesquisa e abordagem cuidadosa

Tratar de um tema tão sensível dentro de um documentário musical exigiu um processo cuidadoso de investigação. Ferro conta que a equipe reuniu materiais jornalísticos e buscou diferentes perspectivas para reconstruir o episódio.

“O trabalho do jornalista Sérgio Vieira foi fundamental nessa pesquisa, além de um acervo vasto de matérias jornalísticas que também enriqueceram o trabalho. O livro dele, que trata justamente do caso, foi uma referência importante”, disse.

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O diretor afirma que conversar sobre o assunto com integrantes da banda e pessoas que estavam presentes naquele momento foi um dos momentos mais delicados da produção.

“Conversar sobre isso com os integrantes originais do Raimundos e também com pessoas da equipe que presenciaram a tragédia foi um momento delicado, porque mesmo quase 30 anos depois é nítido como ainda é um assunto muito pesado”, relatou. 

“Por isso tratamos tudo com muito cuidado, entendendo que é, e para sempre será, um episódio marcante e doloroso.”

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Presença de Canisso dá dimensão emocional

A série também traz registros raros do baixista Canisso, gravados antes de sua morte em 2023. Segundo Ferro, a presença do músico acabou dando uma camada emocional inesperada ao projeto.

“Um dos maiores desafios da série foi lidar com o falecimento do Canisso a poucas semanas de começarmos a gravar oficialmente. Felizmente, já tínhamos gravado bastante material na fase de pesquisa com ele”, explicou.

Na narrativa, o público acompanha o músico falando sobre diferentes momentos da trajetória da banda enquanto a história também aborda sua morte. 

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“Isso acabou dando ao projeto uma dimensão muito forte e emocional. Vemos o Canisso vivo, falando abertamente sobre os acontecimentos, enquanto a narrativa mais à frente também aborda a sua morte”, disse.

Para o diretor, esse contraste amplia o significado da obra. “Mesmo com Fred e Rodolfo fora do grupo, a perda do Canisso reverbera entre todos e amplia a história para além da biografia de uma banda. Ela passa a falar sobre amizades, reencontros, perdão e oportunidades perdidas.”

Reconstrução de uma história cheia de lacunas

O projeto levou mais de cinco anos entre pesquisa, conversas e negociações até que todos os depoimentos fossem reunidos. 

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Um dos diferenciais, segundo Ferro, é justamente colocar diferentes personagens para contar a história a partir de suas próprias experiências.

“O grande diferencial da série é reunir todos – integrantes, familiares, amigos e testemunhas – contando essa história juntos pela primeira vez e de maneira profundamente pessoal e confessional”, afirmou.

Além dos depoimentos, a produção também recupera imagens raras da banda. “Temos dezenas de horas de imagens de arquivo inéditas que estavam guardadas e foram digitalizadas pela primeira vez”, contou.

Mesmo sendo uma história bastante comentada ao longo dos anos, o diretor acredita que ainda existiam muitos pontos pouco explorados. 

“Sempre existiram lacunas, boatos e versões incompletas. O documentário vai além dos fatos e busca entender os porquês: as motivações psicológicas, as escolhas e suas consequências.”

Ele compara a trajetória do grupo a um efeito em cadeia. “Mostramos como pequenas decisões geram um efeito dominó – quase um efeito borboleta – que acaba impactando para sempre a vida de muita gente, algumas de maneira irreversível.”

Reconciliações e tensões entre integrantes

Outro ponto abordado na série é a reconciliação entre Rodolfo Abrantes e Digão, que passaram anos afastados após a saída do vocalista da banda em 2001.

Segundo Ferro, a notícia do perdão entre os dois serviu como ponto de partida para retomar o projeto do documentário.

“O ponto de partida foi a notícia do perdão entre Rodolfo e Digão. Aquilo serviu como catalisador para apresentar o projeto”, contou.

Ainda assim, reunir todos os integrantes para contar a história não foi simples. “Ainda existiam tensões, especialmente envolvendo Fred e Canisso de um lado e Digão do outro, e foram meses de conversas – e muita paciência – até que isso se tornasse possível.”

Para o diretor, essas diferenças acabaram contribuindo para a força narrativa da série. “Essa dinâmica ainda delicada trouxe emoções reais e pessoas em diferentes estágios de reconciliação. Algumas lidando com o perdão, outras ainda sentindo a necessidade de manter distância.”

Memória e reflexão

Ao revisitar acontecimentos marcantes, incluindo a tragédia ocorrida em Santos, Ferro acredita que o documentário também cumpre um papel de preservação da memória.

“Uma das grandes funções dos documentários é carregar histórias e aprendizados para as novas gerações”, afirmou.

Ele destaca que revisitar episódios do passado é essencial para compreender o presente. “O Brasil é um país que muitas vezes carece de memória. Trabalhos como esse ajudam a revisitar e refletir sobre acontecimentos importantes.”

Para o diretor, a reflexão é fundamental. “Sem olhar para a história, fica difícil avançar, aprender com os erros e melhorarmos.”

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