Pandemia da Covid-19 dispara a prática da automedicação

Venda de vitamina C aumenta 198%; paracetamol e dipirona também são mais procuradas

Um levantamento realizado pela consultoria IQVIA, a pedido do Conselho Federal de Farmácia, apontou o aumento significativo nas vendas de medicamentos e vitaminas relacionados à Covid-19 nos primeiros meses desse ano em relação ao mesmo período do ano passado.

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Entre eles estão o ácido ascórbico (vitamina C), associado por fake news à prevenção da doença, que teve um crescimento de 198,23%; o paracetamol, com 83,56% a mais em sua comercialização e a dipirona sódica, com aumento de 51%.

Segundo Marco Fiaschetti, diretor executivo da Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), as causas dessa procura maior não são certeiras, mas é possível afirmar que, para evitar ir aos hospitais, as pessoas estão tentando resolver suas queixas de saúde por conta própria e realizando de forma mais recorrente a automedicação.

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“Além disso, há uma profusão muito grande de informações, incluindo promessas milagrosas de prevenção e cura, o que também pode gerar o aumento da busca por determinadas substâncias. Os dois casos são cenários que oferecem riscos à população”, diz.

Já a vitamina C ajuda o sistema imunológico, mas não trata nem previne a Covid-19. A dipirona e o paracetamol são amplamente utilizados para aliviar sintomas como dor no corpo, dor de cabeça e febre, sintomas comuns na infecção pela Covid-19, e apesar de poderem ser comprados sem receita, não significa que devam ser usados livremente.

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“Não existe nenhum medicamento que seja reconhecido pela ciência até o momento com efeito de prevenir a infecção pelo coronavírus. No que diz respeito à imunidade, é importante entender que, qualquer que seja o estado de saúde da pessoa, ela tem as mesmas chances de contrair a Covid-19, por isso é tão importante seguir as medidas de isolamento”, alerta Marco.

REGIÃO

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O aumento nas vendas dessas medicações foi sentido na Baixada Santista. De acordo com Monike Freitas, farmacêutica em uma drogaria em Cubatão, além das substâncias citadas, a venda de hidroxicloroquina e ivermectina também dispararam – ambas associadas de forma prematura a um possível tratamento do coronavírus.

“Tenho uma paciente que faz uso controlado da hidroxicloroquina e ficou sem devido à procura nos últimos meses. Isso mostra como há um problema de automedicação no país que piorou durante a pandemia, mas não vem de agora”, analisa Monike.

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Ela diz que os farmacêuticos tentam alertar os clientes quando percebem uma compra exagerada de medicamentos, mas que nem todos escutam as orientações dos profissionais.

Vale lembrar que o uso de remédios de maneira incorreta ou irracional pode causar, ainda, reações alérgicas, dependência e até a morte.