Saúde
Autoridades de saúde alertam para a resistência de pais em Ubatuba e Caraguatatuba, enquanto Ilhabela começa a aplicar nova vacina do Butantan em profissionais da saúde
Com baixa adesão vacinal e transmissão ativa em períodos atípicos, prefeituras de São Sebastião, Ubatuba, Caraguatatuba e Ilhabela intensificam bloqueios e nebulizações / Reprodução/Getty imagens
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O verão reacende um alerta que preocupa entidades de saúde de todo o país. A dengue é, hoje, uma das doenças mais prevalentes no Brasil.
Somente no ano passado, o estado de São Paulo atingiu a marca de 844.175 casos confirmados e 1.082 mortes, segundo o primeiro alerta epidemiológico do ano divulgado pela Sala de Situação Estadual.
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Os números, que abrangem até a 37ª semana, acenderam o sinal de alerta devido à alta incidência de chikungunya e zika, além da própria dengue. Esse estado de atenção estende-se para o verão de 2026.
Neste ano, o país deve contar com duas vacinas contra a doença, a Qdenga, utilizada desde 2024 (em esquema de duas doses), e a Butantan-DV, aprovada pela Anvisa e desenvolvida pelo Instituto Butantan, sendo a primeira vacina de dose única do mundo contra a enfermidade.
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A expectativa é que a disponibilidade de ambos os imunizantes fortaleça o controle da dengue nos próximos anos. Contudo, a adesão à vacinação e a eliminação dos criadouros do mosquito continuam essenciais para prevenir novos surtos e óbitos.
No Litoral Norte, as prefeituras têm reforçado medidas preventivas e campanhas de imunização diante do cenário estadual. A região foi fortemente afetada no ano passado e, embora a vacina Qdenga esteja disponível no SUS desde o início de 2025, a cobertura vacinal permanece baixa.
Em São Sebastião, a Secretaria de Saúde irá intensificar as ações após a conclusão da Avaliação de Densidade Larvária (ADL) de outubro, que apontou índice de 1,74. O levantamento, realizado quatro vezes ao ano por orientação do Ministério da Saúde, identifica áreas com maior infestação e direciona as ações de combate.
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No ano passado, o município chegou a decretar estado de emergência em saúde pública devido à epidemia de dengue.
A vacina contra a doença está disponível em todas as unidades de saúde para adolescentes de 10 a 14 anos, público definido pelo Ministério da Saúde.
No entanto, a cobertura vacinal segue abaixo da meta nacional de 95%, cenário que também se repete em outras cidades da região. Em 2026, o município registrou 361 notificações de casos suspeitos, com 10 confirmações até o momento.
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Em Ubatuba, somente em janeiro foram confirmados 94 casos de dengue. A Vigilância em Saúde intensificou as ações com nebulizações e bloqueios em bairros como Região Central, Sumidouro, Pedreira Alta, Vila Gonzaga e Mato Dentro, além de eliminação de criadouros no Itaguá.
A cobertura vacinal entre adolescentes de 10 a 14 anos também preocupa. A primeira dose atingiu 34% (2.041 aplicações) e a segunda, 14,21% (855 doses), números abaixo da meta nacional.
Segundo a Vigilância Epidemiológica (Viep), a principal dificuldade é a baixa adesão, especialmente pela recusa de parte dos responsáveis em autorizar a vacinação. O município adotou estratégias como busca ativa, horários estendidos nas unidades de saúde e vacinação em escolas, mas ainda enfrenta resistência.
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Em Caraguatatuba, a campanha é voltada para crianças e adolescentes de 10 a 15 anos. Em 2025, a cobertura foi de 31,06% para a primeira dose e 12,35% para a segunda, também abaixo da meta de 95%.
De acordo com o boletim epidemiológico atualizado em 10 de fevereiro, a cidade registrou 34 casos confirmados de dengue desde o início do ano, sendo cinco apenas nos primeiros dias de fevereiro. Não há registro de óbitos.
Ilhabela recebeu nesta semana 240 doses da nova vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.
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Conforme deliberação da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), neste primeiro momento a imunização será destinada a trabalhadores da Atenção Primária à Saúde do SUS, devido à disponibilidade limitada de doses.
A vacina do Butantan é aplicada em dose única e protege contra os quatro sorotipos da dengue. Em 2025, o município também recebeu 1.650 doses de vacina importada, destinada ao público de 10 a 14 anos, aplicada em duas doses, a primeira foi utilizada integralmente. Nas últimas duas semanas, foi registrado apenas um caso de dengue na cidade.
Apesar de variações entre os municípios, os dados reforçam a necessidade de manter as ações contínuas de combate ao mosquito, intensificar a vacinação e ampliar a conscientização da população.
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As autoridades de saúde alertam que eliminar criadouros, permitir a entrada de agentes de controle de endemias e aderir à vacinação são medidas fundamentais para reduzir a circulação do vírus e evitar novos surtos na região.