Saúde

Surto de superbactéria trava internações no maior hospital de Campinas

O Hospital confirma novos casos de KPC e mantém UTI fechada para conter avanço de micro-organismo resistente a antibióticos

Giovanna Camiotto

Publicado em 18/03/2026 às 18:49

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Campinas confirmou na segunda-feira (16) mais dois casos de infecção por superbacteria / Reprodução/PMC

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A cidade de Campinas confirmou na segunda-feira (16) mais dois casos de infecção pela bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) na UTI adulto do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Com a atualização, chega a nove o total de pacientes infectados na unidade. Não há registro de mortes.

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Segundo a Rede Mário Gatti, os dois novos casos envolvem pacientes que já estavam internados há mais de sete dias na UTI, antes da adoção das medidas de contenção e do fechamento do setor para novas internações.

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Os exames que confirmaram as infecções, de acordo com a administração, foram concluídos antes da transferência desses pacientes para uma ala separada, criada para atender pessoas sem a bactéria.

Desde a última terça-feira (10), a UTI adulto do hospital não recebe novos pacientes. Casos que demandam cuidados intensivos estão sendo direcionados para outras unidades, como o Hospital Ouro Verde, ou regulados por meio da central de vagas do sistema de saúde.

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Os dois novos casos envolvem pacientes que já estavam internados há mais de sete dias na UTIOs dois novos casos envolvem pacientes que já estavam internados há mais de sete dias na UTI/Pexels

O que é a KPC

A KPC integra um grupo de bactérias classificadas como “superbactérias”, devido à alta resistência a antibióticos. O micro-organismo produz enzimas capazes de neutralizar diversos medicamentos usados no tratamento de infecções bacterianas, o que dificulta o controle clínico dos casos.

Identificada no Brasil no início dos anos 2000, a bactéria tem histórico de surtos periódicos em ambientes hospitalares, sobretudo em unidades de terapia intensiva, onde há maior uso de antibióticos de amplo espectro e pacientes em estado mais vulnerável.

Os exames que confirmaram as infecções foram concluídos antes da transferência para uma ala separadaOs exames que confirmaram as infecções foram concluídos antes da transferência para uma ala separada/Pexels

Como surgem os surtos

Especialistas apontam que o surgimento desse tipo de bactéria está associado ao uso contínuo e, muitas vezes, intensivo de antibióticos ao longo do tempo. Esse processo favorece a seleção de micro-organismos resistentes, que passam a circular com maior frequência dentro de hospitais.

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A disseminação ocorre principalmente em ambientes com pacientes imunossuprimidos e pode ser agravada por falhas em protocolos de higiene e desinfecção. Equipamentos como ventiladores mecânicos, cateteres e sondas também podem atuar como vetores de transmissão.

Principais infecções associadas

A presença da KPC pode levar a diferentes quadros clínicos, a depender do estado de saúde do paciente. Entre as infecções mais comuns estão:

  • infecções da corrente sanguínea (sepse)
  • pneumonias
  • infecções do trato respiratório
  • infecções urinárias, com menor frequência
  • infecções em feridas cirúrgicas
A disseminação ocorre principalmente em ambientes com pacientes imunossuprimidosA disseminação ocorre principalmente em ambientes com pacientes imunossuprimidos/Pexels

Prevenção

A transmissão ocorre por contato com fluidos de pacientes infectados ou por meio de superfícies e equipamentos contaminados. Por isso, o controle depende de medidas rigorosas de higiene hospitalar e isolamento de casos confirmados.

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Para a população em geral, a principal recomendação é a higiene frequente das mãos, com água e sabão ou álcool em gel. Já profissionais de saúde devem seguir protocolos específicos de biossegurança, incluindo uso de equipamentos de proteção e desinfecção adequada de materiais.

Embora a infecção fora do ambiente hospitalar seja considerada rara, autoridades de saúde reforçam a necessidade de vigilância constante para evitar a propagação da bactéria, especialmente em unidades com pacientes de maior risco.

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