Saúde

Síndrome de Pica: O distúrbio silencioso que afeta crianças, grávidas e adulto

Especialistas em neurociências explicam que esse comportamento não é apenas uma "mania", mas sim uma resposta a desequilíbrios químicos ou estruturais

Fábio Rocha

Publicado em 07/01/2026 às 15:12

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A Síndrome de Pica é um transtorno alimentar que gera um desejo compulsivo por itens sem valor nutricional / ImageFX

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Você já sentiu uma vontade incontrolável de mastigar gelo, terra, tijolo ou até mesmo papel? Embora pareça apenas um hábito estranho, a ciência alerta: isso pode ser um sinal de que seu corpo está gritando por socorro.

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Conhecido tecnicamente como Alotriofagia, esse transtorno alimentar faz com que o indivíduo sinta desejo por substâncias que não possuem valor nutricional, podendo levar a complicações fatais.

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Por que o cérebro deseja?

Especialistas em neurociências explicam que esse comportamento não é apenas uma "mania", mas sim uma resposta a desequilíbrios químicos ou estruturais. Entre as causas mais comuns, destacam-se:

  • Deficiências Nutricionais: Níveis baixos de ferro (anemia) ou zinco são os gatilhos mais frequentes. O corpo tenta "buscar" esses minerais em fontes inusitadas.
  • O Papel da Serotonina: Baixos níveis deste neurotransmissor aumentam a ansiedade e a compulsão, favorecendo o surgimento de vícios alimentares bizarros.
  • Disfunção Cerebral: Falhas no lobo temporal, responsável pela memória semântica (saber o que é ou não comida), podem confundir o reconhecimento dos objetos.
  • Fatores Psicológicos: Depressão, transtornos de ansiedade e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) também estão fortemente ligados ao quadro.
O problema está frequentemente ligado à falta de nutrientes essenciais no organismo, principalmente a deficiência de ferro e zinco / ImageFX
O problema está frequentemente ligado à falta de nutrientes essenciais no organismo, principalmente a deficiência de ferro e zinco / ImageFX
Desequilíbrios químicos no cérebro, como a baixa produção de serotonina, podem intensificar as compulsões e a ansiedade ligadas ao distúrbio
Desequilíbrios químicos no cérebro, como a baixa produção de serotonina, podem intensificar as compulsões e a ansiedade ligadas ao distúrbio
Ingerir objetos não comestíveis oferece riscos graves à saúde, incluindo envenenamento, infecções por parasitas e obstruções intestinais fatais
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O diagnóstico é realizado por meio de uma investigação completa que envolve exames de sangue, testes de imagem e avaliações comportamentais
O diagnóstico é realizado por meio de uma investigação completa que envolve exames de sangue, testes de imagem e avaliações comportamentais
O tratamento envolve terapias para mudar o comportamento, correção de carências nutricionais e, em casos específicos, uso de medicação
O tratamento envolve terapias para mudar o comportamento, correção de carências nutricionais e, em casos específicos, uso de medicação
 

Os perigos invisíveis

O que começa com um desejo curioso pode evoluir para um cenário médico de emergência. Quem sofre com a síndrome está exposto a riscos como:

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  • Envenenamento: Especialmente por chumbo (ao lamber tintas ou paredes).
  • Obstrução Intestinal: Acúmulo de materiais que o corpo não consegue digerir, exigindo cirurgias.
  • Infecções Parasitárias: Como a ascaridíase, comum em quem ingere terra.
  • Danos Cardíacos: Desequilíbrios eletrolíticos causados pela má absorção de nutrientes podem gerar arritmias graves.

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Como identificar e tratar?

O diagnóstico não depende apenas de um exame de sangue, mas de uma investigação multidisciplinar que inclui raios-X, tomografias e avaliações comportamentais. A boa notícia é que existem frentes eficazes para reverter o quadro:

  • Terapia Comportamental: Focada em ensinar estratégias de enfrentamento para mudar o hábito de levar objetos à boca.
  • Reforço Positivo: Treinamento para focar em alimentos saudáveis e atividades que desviem a atenção da compulsão.
  • Suplementação Médica: Muitas vezes, a correção da anemia ou de carências de zinco faz o desejo desaparecer quase que instantaneamente.

Atenção: Em casos de crianças ou gestantes (públicos onde a síndrome é mais comum), o monitoramento deve ser imediato para evitar danos ao desenvolvimento e à saúde do bebê.

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