Saúde

São Paulo deve ultrapassar 20 mil novos casos de câncer de mama em 2026

Estado lidera projeções do INCA e especialistas alertam para avanço da doença entre mulheres jovens

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 18/02/2026 às 12:25

Atualizado em 18/02/2026 às 13:10

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Alerta chama atenção para um fenômeno preocupante: o crescimento de diagnósticos entre mulheres mais jovens / Divulgação

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O Estado de São Paulo deve registrar 20.820 novos casos de câncer de mama em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer.

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O número coloca a unidade federativa na liderança nacional em diagnósticos da doença, dentro da projeção de 78.610 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026-2028. Somente na capital paulista, a expectativa é de 5.840 ocorrências neste ano.

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O alerta é reforçado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM-SP), que chama atenção para um fenômeno preocupante: o crescimento de diagnósticos entre mulheres mais jovens.

Por que São Paulo concentra mais casos

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, São Paulo é o estado mais populoso do país, com cerca de 46 milhões de habitantes — o equivalente a 21,6% da população brasileira. A capital reúne aproximadamente 11,9 milhões de moradores.

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De acordo com o mastologista Fábio Bagnoli, presidente da SBM-Regional São Paulo, o maior volume de diagnósticos também está ligado à estrutura de rastreamento mais consolidada e a campanhas de conscientização amplas.

“Por ser o estado mais populoso e ter rastreamento mais efetivo, é esperado que São Paulo apareça com a maior projeção de casos”, afirma.

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Aumento entre mulheres jovens preocupa

Outro ponto que tem mobilizado especialistas é o aumento proporcional de casos em pacientes mais jovens.

A mastologista Carolina Nazareth Valadares, integrante da Comissão de Imaginologia Mamária da SBM-SP, explica que parte desses diagnósticos pode estar relacionada a mutações genéticas hereditárias, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

Essas alterações ganharam visibilidade internacional após a atriz Angelina Jolie revelar, em 2013, que realizou uma mastectomia preventiva após identificar mutação genética associada a alto risco da doença.

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Predisposição genética e riscos

Estudos indicam que entre 5% e 10% dos casos de câncer de mama têm origem hereditária. A mutação nos genes BRCA está associada a:

60% a 80% de risco de câncer de mama ao longo da vida

20% a 40% de risco de câncer de ovário

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Apesar disso, a maioria dos diagnósticos ocorre sem ligação direta com mutações genéticas conhecidas.

Estilo de vida também é fator de risco

Segundo especialistas da SBM, embora não haja explicação científica definitiva para o crescimento entre mulheres jovens, alguns fatores comportamentais são considerados relevantes:

  • Sedentarismo
  • Consumo frequente de álcool
  • Dieta rica em alimentos ultraprocessados
  • Nuliparidade (não engravidar)
  • Ausência de amamentação

Esses elementos podem contribuir para o aumento do risco ao longo da vida.

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Câncer mais incidente entre mulheres

O câncer de mama é a neoplasia maligna mais frequente entre mulheres brasileiras, representando cerca de 30% dos novos casos diagnosticados.

Apesar de avanços no tratamento e redução da mortalidade em países de alta renda, o Brasil ainda apresenta taxa elevada: aproximadamente 11,7 óbitos por 100 mil mulheres.

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Para a Sociedade Brasileira de Mastologia, os dados reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico precoce e acesso rápido ao tratamento.

“A estimativa de aumento entre 2026 e 2028 é um alerta que não pode ser negligenciado”, conclui Bagnoli.

Quando procurar avaliação

Especialistas recomendam que mulheres realizem mamografia regularmente a partir dos 40 anos — ou antes, em casos de histórico familiar ou fatores de risco identificados por avaliação médica.

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O diagnóstico precoce continua sendo o principal fator para aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade associada à doença.

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