Saúde

Por que um ortopedista proibiu o filho de 3 anos de usar chinelo de borracha

Médico explica como o formato largo e a sola muito aderente podem aumentar quedas e fraturas em crianças pequenas

Pedro Henrique Fonseca

Publicado em 14/03/2026 às 13:13

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Entenda por que o especialista libera o uso só em trajetos curtos, como após o banho, e recomenda evitar escola e parquinho. / Unsplash

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Um ortopedista decidiu que o filho, de três anos, não usa chinelos de borracha para brincar. Ele sustenta que o calçado pode aumentar o risco de torções de tornozelo, quedas e fraturas, além de comprometer o fortalecimento dos pés na infância.

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O alerta virou debate porque o modelo é popular, leve e fácil de calçar. Mesmo assim, o médico chama atenção para o que ele considera “risco oculto”, uma estrutura larga e instável, somada a uma sola que pode prender no piso.

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Com isso, ele defende um uso mais criterioso. Em vez de virar calçado para tudo, a orientação é limitar a situações de baixa movimentação e evitar ambientes em que a criança corre e muda de direção o tempo todo.

O que muda no pé de uma criança pequena

O médico explica que, aos três anos, o pé está em fase de aprendizado funcional. Músculos, tendões e ossos precisam ser estimulados para ganhar força e coordenação. A escolha do calçado entra nesse processo diário.

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Segundo ele, o esse tipo de chinelo é muito largo e muito maleável. Assim, o pé pode se acomodar de forma passiva, sem trabalhar tanto o equilíbrio. Em uma fase de crescimento, essa “facilidade” pode virar um obstáculo.

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O especialista é direto ao avaliar o efeito: o calçado "não fortalece onde tem que fortalecer". Na visão dele, sem suporte adequado, a sustentação do arco e a estabilidade do tornozelo podem ficar mais frágeis com o tempo.

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Por isso, ele reforça que o ideal é um calçado que permita sentir o terreno e responder ao movimento natural do corpo. O objetivo é dar base para correr, parar e virar com segurança, sem exigir “compensações” do tornozelo.

Por que a sola pode virar armadilha

O ponto mais grave, segundo o ortopedista, envolve a tração excessiva da sola de borracha. Quando ela adere muito ao chão, pode ocorrer um travamento brusco no meio da corrida ou na hora de mudar de direção.

Ele descreve esse efeito com uma frase: a sola "trava o pé na hora que não era para travar". Se o corpo continua o movimento, mas o pé fica preso, o tornozelo recebe uma força maior e a torção vira um risco real.

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Crianças brincam com mudanças rápidas de direção. Elas correm, param, viram e pulam sem prever o próximo passo. Se o calçado prende no solo, a chance de queda aumenta, mesmo em um piso aparentemente seguro.

O médico resume a consequência possível: "de uma queda boba pode virar uma grave fratura". Ele defende que o risco está no cotidiano, porque o movimento é repetido muitas vezes ao longo do dia.

Checklist dos principais riscos citados

Para orientar responsáveis, o especialista organiza os principais riscos que associa ao uso desse tipo de calçado em momentos de brincadeira. A lista ajuda a decidir com base na atividade e no ambiente.

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  • Dificuldade no fortalecimento de tendões e músculos dos pés e pernas.
  • Aumento na incidência de torções de tornozelo por falta de suporte lateral.
  • Risco elevado de quedas durante atividades que exigem mudanças de direção.
  • Possibilidade de fraturas graves decorrentes de acidentes em superfícies lisas.

Quando ele aceita o uso e quando ele recomenda evitar

Apesar do alerta, o médico não diz que a criança nunca pode usar o calçado. Ele delimita um momento em que considera o uso aceitável, com baixa velocidade e pouca chance de impacto, dentro de casa.

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A frase é clara: "para sair do banho, tudo bem". Nesse cenário, a criança costuma andar devagar, em um trajeto curto. Assim, o risco de torção severa diminui, porque não há corrida nem mudança brusca de direção.

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Já em situações como escola, shopping e parquinho, ele recomenda evitar. Esses locais têm alta demanda física e muita circulação. A criança corre, disputa espaço e muda de direção com frequência, o que aumenta o risco de travar e cair.

Como buscar uma alternativa mais segura

O ortopedista orienta a priorizar calçados que não travem o pé e que ofereçam ajuste firme no calcanhar. O encaixe correto reduz o pé “solto” dentro do sapato e melhora a estabilidade na caminhada e na corrida.

Também vale evitar que o pé fique "dançando" dentro do calçado. Quando isso acontece, o controle diminui e a criança precisa compensar com o tornozelo, justamente uma área mais exposta a torções em brincadeiras.

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Em resumo, ele recomenda reservar modelos de borracha para momentos de relaxamento em casa. Para o resto do dia, a prioridade é um calçado que ajude o pé a desenvolver força, equilíbrio e estabilidade.

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