Saúde

Perigo do 'tadala': os mitos e riscos do uso de tadalafila sem prescrição médica

Medicamento para disfunção erétil virou tendência nas redes sociais, mas especialistas alertam para riscos à saúde

Luna Almeida

Publicado em 10/03/2026 às 19:44

Atualizado em 10/03/2026 às 19:44

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A tadalafila faz parte de um grupo de fármacos usados no tratamento de disfunção erétil orgânica / Freepik/drobotdean

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O uso recreativo da tadalafila, medicamento indicado para tratar disfunção erétil, tem se popularizado entre jovens brasileiros, principalmente após a viralização de conteúdos nas redes sociais. 

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Conhecido informalmente como “tadala”, o remédio aparece em vídeos que prometem melhorar o desempenho sexual ou até funcionar como pré-treino para potencializar resultados na academia.

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Apesar da popularidade, especialistas alertam que essas supostas vantagens não têm respaldo científico e podem trazer riscos à saúde quando o medicamento é utilizado sem indicação médica.

A tadalafila faz parte de um grupo de fármacos usados no tratamento de disfunção erétil orgânica, condição mais comum em homens acima dos 40 anos. No entanto, o consumo sem diagnóstico tem se tornado cada vez mais frequente entre pessoas jovens.

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Uso sem indicação médica

Uma revisão publicada em 2024 no Diversitas Journal analisou mais de 20 estudos nacionais e internacionais sobre o consumo desses medicamentos nas últimas duas décadas. 

O levantamento apontou que muitos usuários adquirem a substância sem prescrição médica, motivados por curiosidade, pressão para desempenho sexual ou tentativa de reduzir ansiedade antes de relações íntimas.

Especialistas explicam que esses fatores são, em grande parte, psicológicos e comportamentais, e não podem ser resolvidos apenas com o uso do medicamento.

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A tadalafila, assim como outros remédios da mesma classe – como a sildenafila (popularmente conhecida como Viagra) e a vardenafila – atua promovendo vasodilatação, aumentando o fluxo sanguíneo na região peniana. 

Esse mecanismo ajuda homens que possuem disfunção erétil causada por problemas fisiológicos.

Em pessoas sem esse diagnóstico, porém, não há ganho real de desempenho sexual.

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Efeito psicológico

Segundo especialistas, muitos jovens relatam melhora na confiança após o uso da substância, mas esse efeito costuma ser mais psicológico do que fisiológico.

A crença de que o medicamento garantirá um melhor desempenho pode reduzir a ansiedade momentaneamente, funcionando como uma espécie de apoio psicológico. Ainda assim, o efeito não altera de forma significativa fatores como duração da relação ou tamanho do órgão sexual.

Entidades médicas também afirmam que a sensação de “pump” muscular relatada por alguns usuários provavelmente está relacionada à vasodilatação temporária e pode ter efeito semelhante ao placebo.

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Riscos à saúde

O uso indiscriminado desses medicamentos pode provocar efeitos colaterais importantes.

Entre os sintomas mais comuns estão rubor facial, congestão nasal, dor de cabeça e queda de pressão arterial, todos relacionados ao efeito vasodilatador do fármaco.

Em casos mais graves, o consumo abusivo pode provocar taquicardia, desmaios, perda temporária de visão ou audição, além de aumentar o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral.

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Outro risco associado é o priapismo, condição caracterizada por ereção prolongada e dolorosa que não está relacionada ao desejo sexual e que pode exigir atendimento médico imediato.

A situação pode se tornar ainda mais perigosa quando o medicamento é combinado com álcool, já que a bebida atua como depressor do sistema nervoso central e pode interferir no mecanismo de ereção.

Dependência psicológica

Embora esses medicamentos não causem dependência química, especialistas alertam para a possibilidade de dependência psicológica.

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Nesse cenário, o usuário passa a acreditar que só conseguirá manter um bom desempenho sexual com o auxílio do remédio, o que pode aumentar a ansiedade e prejudicar a vida sexual no longo prazo.

Fatores como o consumo excessivo de pornografia, expectativas irreais sobre desempenho sexual e dificuldades de comunicação nos relacionamentos também contribuem para esse tipo de comportamento.

Venda irregular na internet

Outro ponto de preocupação é a comercialização de versões irregulares do medicamento.

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Na internet, é possível encontrar produtos que prometem os mesmos efeitos da tadalafila em formatos como gomas ou suplementos, muitas vezes sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Essas formulações podem apresentar riscos adicionais, como contaminação ou dosagens inadequadas.

Especialistas reforçam que medicamentos para disfunção erétil devem ser utilizados apenas com prescrição e acompanhamento médico, após avaliação clínica adequada.

Caso episódios de dificuldade de ereção ocorram com frequência, a orientação é procurar um especialista para investigar as causas e indicar o tratamento mais apropriado.

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