O medo de ir ao dentista, conhecido como odontofobia, ainda afeta grande parte da população. O som dos equipamentos, o cheiro característico do consultório e a expectativa de dor durante procedimentos são alguns dos fatores que geram ansiedade.
No entanto, os avanços recentes na odontologia brasileira e as mudanças na forma de atendimento vêm reduzindo esse receio de estar em uma clínica dentária. Confira abaixo algumas razões para a fobia e como amenizá-la.
Medo de dentista pode ter origem na infância
Para muitos pacientes, o medo de dentista está ligado a experiências negativas anteriores ou a relatos de terceiros. Esse cenário começa a mudar com abordagens mais acolhedoras desde a infância.
Segundo especialistas da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, o atendimento infantil passou a adotar linguagem lúdica e explicações detalhadas sobre os procedimentos, criando uma experiência mais positiva.
Além disso, estratégias como apresentar previamente o profissional por meio de vídeos e respeitar o ritmo da criança ajudam a construir confiança desde os primeiros contatos com o consultório odontológico.
Tecnologias tornam tratamento odontológico menos invasivo
Entre adultos, o foco está na comunicação clara e no uso de tecnologias que reduzem o desconforto. Equipamentos modernos e técnicas inovadoras têm transformado a experiência no consultório.
Entre os avanços estão a laserterapia de baixa potência, utilizada antes da anestesia, e o uso de lasers dentários que, em alguns casos, substituem a broca tradicional. Esses recursos permitem procedimentos com menos dor, sem ruído e com menor invasividade.
Outras inovações incluem a microabrasão, que preserva a estrutura saudável do dente, além de materiais mais resistentes, como cerâmicas e resinas modernas, e o uso de impressão 3D para próteses e implantes personalizados.
Acesso ao dentista ainda é desigual no Brasil
Apesar dos avanços, o acesso aos serviços odontológicos ainda apresenta desigualdades. Levantamento do Conselho Federal de Odontologia em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos aponta que 68% dos brasileiros consultaram um dentista no último ano, mas apenas 23% foram atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os dados também mostram diferenças conforme o nível de escolaridade: enquanto 75% das pessoas com ensino superior foram ao dentista, o índice cai para 54% entre aqueles com ensino básico.
Especialistas reforçam que consultas regulares são fundamentais para prevenir problemas e evitar tratamentos mais complexos. A recomendação geral é realizar ao menos uma visita por ano, podendo chegar a duas, dependendo da condição de saúde do paciente.
Como superar o medo de ir ao dentista
Para quem ainda enfrenta ansiedade ao ir ao dentista, algumas estratégias podem ajudar. Técnicas de relaxamento, como respiração profunda, ouvir música durante o atendimento e manter diálogo com o profissional são alternativas eficazes.
Levar um acompanhante também pode aumentar a sensação de segurança. Em casos mais intensos, o acompanhamento psicológico é recomendado.
Para pacientes com ansiedade elevada ou fobia, existem opções como sedação consciente e, em situações específicas, procedimentos realizados em ambiente hospitalar com anestesia geral, sempre com avaliação e acompanhamento profissional.
Com a evolução das práticas odontológicas e maior foco no bem-estar do paciente, espera-se que o medo de dentista comece a diminuir, facilitando o acesso aos cuidados essenciais para a saúde bucal.
*O texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein e republicado pela revista Superinteressante.






