Saúde

Parou com a 'caneta'? Veja 5 estratégias para não recuperar o peso perdido

Saiba como o 'desmame' gradual e o peso de alerta ajudam a manter o resultado

Luna Almeida

Publicado em 02/02/2026 às 22:30

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a eficácia das canetas emagrecedoras / Freepik

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Com a popularização das chamadas canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, o reganho de peso após a interrupção do uso passou a ser um dos temas mais discutidos quando o assunto é emagrecimento. 

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Para especialistas, porém, esse efeito não representa uma falha do medicamento, mas reflete a própria natureza da obesidade, reconhecida como uma doença crônica.

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O endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), explica que o problema não está na suspensão em si, mas na forma como o tratamento costuma ser encarado. 

Segundo ele, o reganho faz parte da biologia da obesidade, independentemente do uso de medicamentos, e o equívoco mais comum é tratar uma condição crônica de maneira intermitente.

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Pesquisas recentes reforçam esse entendimento. Estudos publicados no New England Journal of Medicine e no BMJ indicam que mais de 60% do peso perdido pode ser recuperado após a interrupção das medicações quando não há acompanhamento contínuo. 

Dados apresentados durante a conferência Obesity Week, nos Estados Unidos, mostram que esse processo pode ocorrer em menos de um ano.

Diante desse cenário, especialistas elencam cinco orientações principais para reduzir o risco de reganho de peso.

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5 estratégias para não recuperar o peso perdido 

Não interromper o uso sem orientação médica

A suspensão por conta própria é apontada como um dos principais fatores de risco. Momentos como férias, festas e feriados prolongados costumam favorecer excessos alimentares e quebra de rotina, aumentando a chance de recuperação do peso. 

Por isso, qualquer ajuste no tratamento deve ser feito com acompanhamento profissional.

Intensificar a atividade física antes da retirada

Aumentar gradualmente a frequência e a intensidade dos exercícios antes do desmame ajuda a compensar alterações metabólicas comuns após a suspensão, como maior apetite e redução do gasto energético.

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Priorizar a qualidade da alimentação

Manter o peso não depende apenas da quantidade de comida ingerida, mas sobretudo da qualidade nutricional. Estratégias baseadas apenas em restrição de volume tendem a aumentar o risco de fome intensa após o fim do medicamento.

Fazer a retirada de forma progressiva

A interrupção abrupta pode intensificar a sensação de fome. Um desmame gradual favorece uma adaptação fisiológica e comportamental mais estável, reduzindo impactos negativos sobre o peso.

Definir um peso de alerta

Estabelecer previamente um limite de peso para reavaliação permite agir rapidamente caso o reganho comece. Isso facilita decisões como retomar a medicação ou intensificar mudanças no estilo de vida antes que o ganho se torne expressivo.

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Tratamento contínuo e abordagem integrada

Especialistas comparam o manejo da obesidade ao de outras doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, nas quais a continuidade do tratamento é amplamente aceita. Para Ramon Marcelino, ainda existe resistência em compreender que o controle do peso exige acompanhamento prolongado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a eficácia das canetas emagrecedoras, mas reforça a necessidade de monitoramento contínuo e mudanças consistentes de hábitos. 

O nutricionista Daniel Forster destaca que o medicamento deve ser visto como parte de um processo mais amplo, que inclui reconstrução da rotina alimentar e trabalho comportamental.

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Esse cuidado integrado também envolve o ambiente e a saúde emocional. Camila Souza, especialista em culinária saudável, aponta que reorganizar a cozinha ajuda a reduzir gatilhos alimentares, enquanto a nutricionista comportamental Marthina Streda Walker ressalta que ansiedade e relação emocional com a comida influenciam diretamente o sucesso a longo prazo.

Programas que reúnem acompanhamento médico, nutricional e comportamental têm ganhado espaço justamente por atuarem na fase de manutenção. 

Para a endocrinologista Luciana Sampaio Péres, o diferencial está na personalização e no monitoramento constante, sobretudo em casos de obesidade mais avançada, nos quais o medicamento segue sendo parte fundamental do tratamento.

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