A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a eficácia das canetas emagrecedoras / Freepik
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Com a popularização das chamadas canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, o reganho de peso após a interrupção do uso passou a ser um dos temas mais discutidos quando o assunto é emagrecimento.
Para especialistas, porém, esse efeito não representa uma falha do medicamento, mas reflete a própria natureza da obesidade, reconhecida como uma doença crônica.
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O endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), explica que o problema não está na suspensão em si, mas na forma como o tratamento costuma ser encarado.
Segundo ele, o reganho faz parte da biologia da obesidade, independentemente do uso de medicamentos, e o equívoco mais comum é tratar uma condição crônica de maneira intermitente.
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Pesquisas recentes reforçam esse entendimento. Estudos publicados no New England Journal of Medicine e no BMJ indicam que mais de 60% do peso perdido pode ser recuperado após a interrupção das medicações quando não há acompanhamento contínuo.
Dados apresentados durante a conferência Obesity Week, nos Estados Unidos, mostram que esse processo pode ocorrer em menos de um ano.
Diante desse cenário, especialistas elencam cinco orientações principais para reduzir o risco de reganho de peso.
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A suspensão por conta própria é apontada como um dos principais fatores de risco. Momentos como férias, festas e feriados prolongados costumam favorecer excessos alimentares e quebra de rotina, aumentando a chance de recuperação do peso.
Por isso, qualquer ajuste no tratamento deve ser feito com acompanhamento profissional.
Aumentar gradualmente a frequência e a intensidade dos exercícios antes do desmame ajuda a compensar alterações metabólicas comuns após a suspensão, como maior apetite e redução do gasto energético.
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Manter o peso não depende apenas da quantidade de comida ingerida, mas sobretudo da qualidade nutricional. Estratégias baseadas apenas em restrição de volume tendem a aumentar o risco de fome intensa após o fim do medicamento.
A interrupção abrupta pode intensificar a sensação de fome. Um desmame gradual favorece uma adaptação fisiológica e comportamental mais estável, reduzindo impactos negativos sobre o peso.
Estabelecer previamente um limite de peso para reavaliação permite agir rapidamente caso o reganho comece. Isso facilita decisões como retomar a medicação ou intensificar mudanças no estilo de vida antes que o ganho se torne expressivo.
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Especialistas comparam o manejo da obesidade ao de outras doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, nas quais a continuidade do tratamento é amplamente aceita. Para Ramon Marcelino, ainda existe resistência em compreender que o controle do peso exige acompanhamento prolongado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a eficácia das canetas emagrecedoras, mas reforça a necessidade de monitoramento contínuo e mudanças consistentes de hábitos.
O nutricionista Daniel Forster destaca que o medicamento deve ser visto como parte de um processo mais amplo, que inclui reconstrução da rotina alimentar e trabalho comportamental.
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Esse cuidado integrado também envolve o ambiente e a saúde emocional. Camila Souza, especialista em culinária saudável, aponta que reorganizar a cozinha ajuda a reduzir gatilhos alimentares, enquanto a nutricionista comportamental Marthina Streda Walker ressalta que ansiedade e relação emocional com a comida influenciam diretamente o sucesso a longo prazo.
Programas que reúnem acompanhamento médico, nutricional e comportamental têm ganhado espaço justamente por atuarem na fase de manutenção.
Para a endocrinologista Luciana Sampaio Péres, o diferencial está na personalização e no monitoramento constante, sobretudo em casos de obesidade mais avançada, nos quais o medicamento segue sendo parte fundamental do tratamento.
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