Desde 2024, a escala de trabalho 6×1 tem sido uma pauta recorrente. A escala consiste em seis dias trabalhados para apenas um de descanso. Ela tem sido cada vez mais debatida não só no campo econômico, mas também na saúde mental. Para a psicologia, o tema vai além da rotina profissional e envolve qualidade de vida, dignidade e bem-estar.
A mestre e psicóloga Ana Clara Gomes Braga destacou em seu Instagram que o excesso de trabalho não pode ser compensado apenas com acompanhamento psicológico.
“Não existe terapia que seja suficiente para suprir a falta de dignidade no trabalho. A saúde mental também é política, e o fim da carga de trabalho excessiva e exploratória dá esperança, vida, rede de apoio e florescimento. Não basta sobreviver, todo ser humano merece viver, sonhar e existir com qualidade”, afirma.
Menos tempo para quem importa
Um dos principais impactos da escala 6×1 está na redução do tempo de qualidade com amigos e familiares. De acordo com a psicóloga, a literatura científica já mostra que, a partir dos 30 anos, a qualidade de vida tende a cair, e isso está diretamente ligado à diminuição do convívio com pessoas importantes.
Em uma rotina com apenas um dia de folga, muitas vezes usado para descansar, torna-se difícil manter relações próximas, criar novos vínculos ou fortalecer conexões.
Exaustão constante
Outro ponto crítico destacado por Ana Clara é o cansaço acumulado.
Segundo a especialista, trabalhar seis dias seguidos, com apenas um de descanso, impede uma recuperação física e mental adequada. Isso gera exaustão contínua e desânimo, afetando não só a saúde, mas também a forma como a pessoa enxerga o trabalho e o futuro.

Queda na produtividade
A psicóloga também ressaltou que, apesar de parecer mais produtiva, essa escala pode ter o efeito contrário. Com o desgaste constante, o trabalhador passa a ter mais dificuldade para tomar decisões, resolver problemas e lidar com imprevistos. O corpo e a mente, sem descanso suficiente, não conseguem operar em sua melhor capacidade.
Sono e rotina desregulados
A falta de tempo também impacta hábitos básicos, como dormir bem, se alimentar corretamente e praticar atividades físicas. Segundo a especialista, sem espaço na rotina, esses cuidados acabam sendo deixados de lado, o que compromete ainda mais a saúde física e mental.
Sensação de sufocamento
Atividades simples do dia a dia, como sair com amigos, passar tempo com a família ou até tomar sol, tornam-se raras.
Com o tempo, isso pode gerar uma sensação de sufocamento e perda de perspectiva, como se a vida estivesse restrita apenas ao trabalho.
“Muitas dessas pessoas passam a experimentar uma profunda sensação de desamparo em relação à vida, perdendo gradativamente o brilho pelo viver”, explica a psicóloga.
