O câncer de mama pode voltar? O que a ciência diz sobre o risco de recidiva e como se proteger

Oncologistas e psicólogos explicam como o acompanhamento contínuo e a vigilância ativa ajudam a reduzir a ansiedade e salvar vidas

Especialistas apontam que o risco de recidiva varia conforme o perfil biológico de cada paciente: em casos iniciais de alto risco, a probabilidade de retorno oscila entre 20% e 43%, enquanto em casos de baixo risco, o índice cai para 5% a 7%. O monitoramento é a principal ferramenta de controle/Freepik

Falar sobre o câncer de mama ainda pode ser um tabu para algumas mulheres. Mesmo com os avanços nos diagnósticos e nos tratamentos, ainda existe muita desinformação sobre o tema e muitas dúvidas, principalmente quando se fala sobre a recidiva.

O retorno do câncer de mama não é incomum, mas também não é um atestado de óbito. O ponto mais importante é entender os riscos, os sinais que exigem atenção e realizar o acompanhamento contínuo.

O risco de o câncer voltar ainda é uma dura realidade para quem luta contra a doença. Estudos indicam que mulheres com câncer de mama inicial de alto risco apresentam entre 20% e 43% de chance de recorrência, enquanto pacientes de baixo risco têm probabilidade entre 5% e 7%.

Para desmistificar o tema, os especialistas Gilberto Amorim, oncologista, e Caio Vianna, psicólogo e psico-oncologista, separaram alguns mitos e verdades que toda mulher precisa conhecer. Confira:

Após o tratamento inicial, o câncer de mama está definitivamente curado

Mito: Mesmo após cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, o risco de recidiva pode persistir por anos. Isso ocorre porque células tumorais podem permanecer no organismo de forma silenciosa. Por isso, o acompanhamento contínuo e, em alguns casos — como no câncer de mama luminal —, o uso de terapias adjuvantes são ferramentas fundamentais para reduzir o risco de retorno da doença.

O risco de recidiva é diferente para cada paciente

Verdade: O risco varia significativamente de acordo com fatores clínicos e biológicos, como tamanho do tumor, comprometimento de linfonodos, subtipo molecular e resposta ao tratamento. Esses elementos orientam a definição de estratégias terapêuticas individualizadas.

“O entendimento sobre o risco de recidiva permite que a paciente participe ativamente das decisões ao longo da jornada de tratamento, o que impacta diretamente na qualidade do cuidado e nos desfechos clínicos”, afirma Amorim.

A recidiva pode acontecer mesmo muitos anos após o tratamento

Verdade: O retorno do câncer de mama não ocorre apenas no curto prazo. Ele pode surgir meses ou até anos após o tratamento inicial, o que reforça a importância do acompanhamento de longo prazo e da vigilância contínua.

Se não houver sintomas, não há risco de recidiva

Mito: A recidiva pode não apresentar sintomas nos estágios iniciais e ser identificada em exames de rotina, o que reforça a importância do acompanhamento contínuo, mesmo na ausência de sinais aparentes da doença.

A informação sobre o risco de recidiva ajuda na tomada de decisão

Verdade: Compreender o risco individual permite que as mulheres participem de forma mais ativa das decisões sobre seu tratamento e acompanhamento. O acesso à informação qualificada também contribui para reduzir incertezas e melhorar o diálogo com a equipe médica, favorecendo escolhas mais seguras e alinhadas às necessidades de cada paciente.

“Falar abertamente sobre a possibilidade de recidiva é um passo importante para reduzir a ansiedade e fortalecer o protagonismo da paciente na jornada de cuidado. Quando bem-informadas, as mulheres estão mais preparadas para discutir opções terapêuticas e buscar acesso ao cuidado adequado”, ressalta Vianna.

O impacto emocional da recidiva é menor porque a paciente já passou pelo tratamento uma vez

Mito: “A possibilidade de recidiva pode gerar ansiedade, medo e insegurança ao longo de toda a jornada, muitas vezes até mais intensos do que no diagnóstico inicial”, explica o psico-oncologista. O temor do retorno da doença pode afetar o bem-estar emocional mesmo após o término do tratamento, reforçando a importância do acompanhamento psicológico com profissional especializado em pacientes oncológicas e de uma abordagem multidisciplinar no cuidado.