Saúde

Nova tecnologia promete revolucionar a saúde e detectar risco de infarto 4 anos antes

De acordo com o cardiologista intervencionista Dr. Hideo Kajita, a avaliação da vulnerabilidade da placa permite ir além da simples obstrução arterial

Igor de Paiva

Publicado em 19/02/2026 às 22:15

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O sistema, batizado de Makoto, combina espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS) com ultrassom intravascular de alta definição (IVUS-HD) / Pixabay

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Já imaginou prever um infarto com até quatro anos de antecedência? Uma nova tecnologia promete justamente isso ao identificar placas de gordura “vulneráveis” nas artérias antes que elas provoquem um evento cardíaco.

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O sistema, batizado de Makoto, combina espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS) com ultrassom intravascular de alta definição (IVUS-HD). A tecnologia consegue analisar simultaneamente a estrutura da artéria e a composição química das placas ateroscleróticas, inclusive em áreas com cálcio ou presença de stents.

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'Em poucos segundos, o equipamento gera um “mapa químico” colorido (chemogram) que identifica o acúmulo de gordura e calcula automaticamente o Índice de Carga Lipídica (LCBI), que varia de 0 a 1000.

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De acordo com o cardiologista intervencionista Dr. Hideo Kajita, a avaliação da vulnerabilidade da placa permite ir além da simples obstrução arterial, integrando dados anatômicos e biológicos para estimar o risco real de eventos cardiovasculares futuros.

Estudos internacionais reforçam o potencial da tecnologia. No estudo LRP, publicado no Journal of the American College of Cardiology em 2020, pacientes com LCBI igual ou superior a 400 apresentaram risco cerca de quatro vezes maior de eventos cardíacos em até 24 meses.

Já o estudo PROSPECT II apontou risco elevado mesmo com índice acima de 324, com possibilidade de eventos em até 48 meses. Pesquisas como PACMAN-AMI e PREVENT também reforçam o papel da imagem híbrida NIRS-IVUS na identificação de pacientes de alto risco.

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Desenvolvida nos Estados Unidos e comercializada no Brasil pela Nipro, a tecnologia já está presente em 64 países e em processo de aprovação em outros 12. No Brasil, é utilizada em hospitais como o Hospital Sírio-Libanês, Hospital Santa Lúcia Sul, Hospital Biocor, Hospital do Coração de Duque de Caxias e Hospital Beneficente de Belém.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 300 mil brasileiros sofrem infarto por ano, e as doenças cardiovasculares causam aproximadamente 400 mil mortes anuais no país. A identificação precoce de placas vulneráveis pode permitir intervenções mais precisas e contribuir para reduzir esses números.

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