Mais de 70% dos idosos com câncer avançado tomam remédios sem benefício, diz estudo

Pesquisa japonesa mostra que mais de 70% dos pacientes mantêm tratamentos sem benefício real até o último mês de vida

Mesmo em cuidados paliativos, prescrições extensas seguem sendo uma realidade para idosos com câncer avançado

Mesmo em cuidados paliativos, prescrições extensas seguem sendo uma realidade para idosos com câncer avançado | Freepik

Mesmo quando a prioridade passa a ser conforto, idosos com câncer avançado continuam tomando diversos medicamentos. Um estudo recente mostra que tratamentos sem efeito permanecem até os últimos dias de vida.

A pesquisa japonesa analisou prescrições ao longo dos meses finais e identificou falhas recorrentes na retirada de medicamentos.

O cenário inclui horários rígidos, múltiplos comprimidos e efeitos colaterais desnecessários. Para muitos pacientes idosos, a carga medicamentosa não diminui, mesmo diante da progressão da doença.

Uma prática que se mantém até o final

A análise foi realizada pela Universidade de Tsukuba e envolveu 1.269 pacientes idosos com câncer avançado. As prescrições foram avaliadas em diferentes momentos antes do óbito.

Seis meses antes da morte, 77% dos pacientes usavam ao menos um medicamento potencialmente inadequado. No último mês, o percentual ainda era de 70%.

Os dados mostram que a descontinuação de tratamentos não acompanha o agravamento do quadro clínico, mesmo quando os benefícios se tornam incertos.

Excesso de medicamentos em momentos críticos

A média de uso chegou a sete medicamentos por paciente. Em situações de expectativa de vida curta, terapias preventivas podem causar mais danos do que benefícios.

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Entre os medicamentos mais frequentemente retirados estavam estatinas, anti-hipertensivos, antidiabéticos orais e antiplaquetários. Vitaminas e remédios para osteoporose também eram comuns.

Esses tratamentos costumam visar ganhos a longo prazo, o que deixa de ser relevante quando o cuidado se concentra no alívio de sintomas imediatos.

Pesquisas internacionais confirmam o problema

Na França, um estudo com idosos com câncer de pulmão metastático encontrou média de seis medicamentos diários, sem incluir os oncológicos.

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A maioria dos pacientes apresentava polifarmácia, além de prescrições inadequadas e interações clinicamente relevantes. Mudanças eram frequentes após avaliações farmacêuticas.

Os resultados reforçam a necessidade de revisar tratamentos de forma contínua, especialmente em fases avançadas da doença.

Revisão de cuidados ainda é insuficiente

No Japão, a retirada de medicamentos inadequados foi mais comum em pacientes hospitalizados e em unidades de cuidados paliativos. Esses serviços demonstraram maior atenção à revisão das prescrições.

Mulheres e pacientes com múltiplas comorbidades também tiveram mais chances de simplificação terapêutica. Ainda assim, os índices seguem elevados.

Mesmo no último mês de vida, mais de 70% dos pacientes mantinham medicamentos sem benefício. Especialistas defendem mudanças estruturais para tornar o cuidado mais adequado ao fim da vida.