Saúde

Litoral de São Paulo não alcança nem 5% da vacinação contra dengue

Baixa vacinação compromete ainda mais o cenário regional da doença; especialista explica a importância de informar sobre a vacina

Luana Fernandes

Publicado em 18/05/2024 às 17:28

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Especialista fala sobre a importância de vacinar contra a doença / DIvulgação/PMB

Desde o início de maio, as nove cidades da Baixada Santista iniciaram a imunização contra a dengue, entretanto, a região sofre com a falta de adesão à vacinação. A maioria dos municípios não alcançou nem 5% do público-alvo.

A campanha, que inicialmente tinha como público-alvo pessoas de 10 a 11 anos, foi ampliada para pessoas de 10 a 14 anos, exceto no município de Bertioga, por falta de procura pelas doses.

Até a última  quarta-feira (15), Santos teve um índice de vacinação de 3,67%, Guarujá contabiliza 2,73% de vacinados, Praia Grande atingiu 3%, Itanhaém chegou a 2,6%, Bertioga teve um percentual de 3,86%, Peruíbe imunizou 1,02% e São Vicente aplicou 329 doses em 10 dias de imunização. Já Mongaguá e Cubatão tiveram um índice maior, sendo 30,58% e 10,21% de vacinados, respectivamente.

A baixa vacinação compromete ainda mais o cenário regional da doença, que já conta com mais de 14 mil casos confirmados, 13 mortes e cerca de 4 mil diagnósticos em investigação.

Para repercutir os benefícios da vacinação para a saúde coletiva e a necessidade da aplicação, a reportagem do Diário do Litoral conversou com o médico clínico geral e cirurgião, Dr. Marcelo Bechara. Confira:

Diário do Litoral - Ao que se deve a baixa adesão da vacina da dengue?

Marcelo Bechara: Aquele movimento antivacina, que já começou alguns anos atrás, principalmente nas redes sociais, e foi potencializado com a vacina do Covid. Isso acabou atingindo todas as vacinas. Outra coisa, as pessoas não estão sabendo da vacina da dengue. Eu comento com os pacientes, a gente vê os colegas também falando, mas as pessoas não sabem ainda que existe vacina da Dengue e, principalmente, que ela já está no SUS. Antes era só em clínica particular, mas por causa da epidemia ela já está no SUS e as pessoas ainda não sabem.

DL - O que as prefeituras da Baixada Santista devem fazer para atrair o público-alvo?

Bechara: O que as prefeituras deveriam fazer é informar mais, investir mais em informação. Informação para o público saber que existe essa vacina e ir lá no posto tomar, falar que ela é segura.

DL - Qual o público-alvo principal da vacina? Quem mais precisa desta proteção?

Bechara: O principal público-alvo seriam as crianças, que são as mais suscetíveis. Os idosos também. A maior taxa de mortalidade está entre criança e idoso. Uma atenção também para paciente deprimido, paciente que tem o problema no fígado ou alguma doença hepática, paciente que tem problemas de discrasia sanguínea como anemias, hemofilias, problemas de coagulação.

DL - Por que é tão importante que a adesão seja mais alta?

Bechara: Quanto mais gente imunizada, menor vai ser a taxa de incidência da doença. Com menos gente doente, não vai sobrecarregar o sistema de saúde. E o que vai acontecer também? Imunes, você vai diminuir ou até interromper a transmissão. O ideal é interromper o ciclo de transmissão da doença. O mosquito aedes aegypti pica a pessoa, essa pessoa está infectada, ele se infecta e depois vai picar outra pessoa e vai infectar outra pessoa que esteja sã. Se a pessoa tá imunizada, não tá doente, quanto mais tiver gente imunizada, vai chegar uma hora que o vírus vai desaparecer, porque vai interromper este ciclo.

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