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Saúde

Iluminação artificial pode contribuir com a Síndrome de Burnout

Quase 40 milhões de pessoas sofrem com a doença no Brasil

Luana Fernandes

Publicado em 06/01/2023 às 11:10

Atualizado em 06/01/2023 às 12:09

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A síndrome está diretamente relacionada aos problemas e pressão que a vida profissional provoca nas pessoas / Divulgação

Não é de hoje que muitas empresas estão focadas somente no sucesso, dando ênfase aos bons resultados e lucro, e acabam esquecendo dos benefícios que funcionários motivados podem trazer à organização.

Desde janeiro de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece os efeitos do estresse crônico causado pelo ritmo de trabalho como parte de uma doença ocupacional que apresenta sintomas físicos e emocionais, denominada Síndrome de Burnout.

Para a OMS, ela tem três indícios principais: sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia; aumento do distanciamento mental do próprio trabalho; sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho; e redução da eficácia profissional.

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Entramos no Janeiro Branco, mês de conscientização sobre a saúde mental, e no momento em que muitas pessoas voltam do recesso e focam novamente no trabalho, os cuidados devem ser redobrados. Afinal, segundo dados de levantamento feito pela própria OMS em 2022, 44% dos brasileiros dizem ter a sensação de esgotamento profissional nos últimos anos.

Ou seja, são cerca de 39,6 milhões de trabalhadores afetados - em um ranking de oito países sondados, o Brasil ocupa a primeira colocação, à frente de Singapura (37%), Estados Unidos (31%) e Índia (29%).

E por trás disso tudo, há um fator que pode contribuir diretamente com esse esgotamento e, na maioria das vezes, passa despercebido pelas pessoas. Durante a evolução da humanidade, a maior parte do tempo era vivenciada na natureza. Hoje esta situação foi invertida e passamos mais de 90% do dia em espaços fechados, seja em nossas casas ou trabalho.

Nosso corpo foi moldado de acordo com a natureza, para se harmonizar com plantas, rios, montanhas e não com ambientes construídos. Isto é inerente ao ser humano, nós temos uma relação de interdependência com a natureza, por isso o aumento das doenças chamadas doenças da sociedade moderna, que se dá pelo modo de vida que temos hoje.

Acontece que os ambientes nunca são neutros e estão sempre impactando de alguma forma. Alguns locais de trabalho podem ser considerados tóxicos para as pessoas, dependendo da forma como foram planejados e construídos. Por isso vemos este aumento tão grande da Síndrome de Burnout.

“A luz artificial é o principal fator de um ambiente construído, pois impacta biologicamente no organismo das pessoas, por isso podemos afirmar que dependendo do projeto de iluminação de um ambientes de trabalho, a luz pode estar agravando ou sendo fator de gatilho para síndromes como esta”, explica a naturopata e especialista em projetos de iluminação saudável, Adriana Tedesco.

Um ambiente de trabalho, sem acesso a luz natural, com baixa intensidade luminosa, com ofuscamento emitido pelas fontes de luz, com uma temperatura de cor fixa o dia inteiro, certamente trará conseqüências sérias para a saúde dos usuários, aumentando estresse, agressividade, dificuldade de concentração, baixa produtividade, dor de cabeça, fadiga visual,  ou despertar de tristeza, entre outros que, dependendo da predisposição de cada organismo, pode ou não desencadear algumas doenças.

“Uma boa iluminação para ambientes de trabalho deve atender as necessidades humanas, por isso deve considerar colocar a luz em movimento, que precisa ser o mais próximo possível do ciclo natural que o sol faz durante o dia, ou seja, simular a passagem do tempo, entregando aos usuários as informações corretas do horário do dia em que estamos, mudando em temperatura de cor e intensidade, para que o organismo fique sincronizado com a natureza, funcionando de maneira mais equilibrada”, diz Adriana.

Para o home office 

Trabalhar em casa vai exigir os mesmos cuidados em relação a iluminação. Uma dica bastante eficaz é a de posicionar a mesa de trabalho perpendicular à janela, pois desta forma se impede o excesso de ofuscamento.

“A luz natural vai se encarregar de informar corretamente ao organismo do indivíduo o momento do dia em que estamos, para que os hormônios corretos sejam desencadeados na hora certa e vai contribuir para que esta pessoa comece a desacelerar no final de tarde, com a emissão da luz âmbar do pôr do sol”.

Este recurso contribui bastante para que os níveis de estresse diminuam consideravelmente, mas existem outras estratégias que utilizamos, baseadas nas respostas já evidenciadas pela ciência, em relação ao comportamento do nosso cérebro, sobre a interpretação dos elementos de um ambiente, favorecendo a ativação das ondas Alfa, que por sua vez influenciam na dopamina, que regula nosso humor e estresse.

“Um bom projeto de iluminação precisa ser integrativo, deve permitir uma boa qualidade e quantidade de luz, levando em consideração as questões emocionais/psicológicas, visuais e biológicas, que vão melhorar consideravelmente a saúde e o bem estar dos usuários dos espaços, melhorando desempenho visual e produtividade”, afirma Adriana.

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