Guia sobre os transplantes de órgãos mais comuns no Brasil

Uma visão geral sobre os procedimentos mais realizados, incluindo rim, fígado e coração, e os fatores que tornam o transplante renal o mais frequente

O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo, gerenciado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo, gerenciado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). | Freepik

O transplante de órgãos é um procedimento cirúrgico que consiste na substituição de um órgão ou tecido de um indivíduo doente (receptor) por outro saudável, proveniente de um doador.

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Trata-se de uma terapia médica consolidada e, em muitos casos, a única alternativa para salvar a vida ou restaurar a qualidade de vida de pacientes com falência orgânica em estágio terminal.

Pensando nisso, o Diário oferece informações gerais sobre os tipos de transplantes mais comuns realizados no Brasil, com foco nos motivos que fazem do transplante de rim o mais frequente, e descreve o funcionamento geral do sistema de doação.

Quais são os transplantes de órgãos mais realizados?

O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo, gerenciado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). A frequência de cada tipo de procedimento varia conforme a incidência de doenças que levam à falência orgânica e a viabilidade da doação.

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De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), os procedimentos mais comuns envolvem órgãos sólidos.

Os principais transplantes realizados no país, em ordem de frequência, são:

  • Rim: Substituição de um ou ambos os rins que perderam sua função de filtrar o sangue e eliminar toxinas do corpo.
  • Fígado: Troca de um fígado doente, frequentemente por causas como cirrose, hepatites virais ou doença hepática gordurosa, por um órgão saudável.
  • Coração: Procedimento indicado para pacientes com insuficiência cardíaca grave e irreversível, quando outras terapias não apresentam mais resultados.
  • Pulmão: Substituição de um ou ambos os pulmões em pacientes com doenças pulmonares avançadas, como fibrose cística ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
  • Pâncreas: Geralmente realizado em conjunto com o transplante de rim (pâncreas-rim) em pacientes com diabetes tipo 1 e insuficiência renal grave.

Além dos órgãos sólidos, também são realizados transplantes de tecidos, como córnea, medula óssea, pele e ossos, que são igualmente fundamentais para a saúde pública.

Por que o transplante de rim é o mais comum?

A alta prevalência do transplante renal em comparação com outros órgãos pode ser atribuída a uma combinação de fatores médicos e logísticos que o tornam um procedimento mais acessível e viável para um maior número de pacientes.

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Os principais motivos incluem:

  • Alta incidência de doenças renais crônicas: Condições como hipertensão arterial e diabetes mellitus são extremamente comuns na população e são as principais causas de doença renal crônica terminal, a condição que leva à necessidade de um transplante.
  • Possibilidade de doador vivo: Um ser humano pode viver de forma saudável com apenas um rim. Isso permite que doadores vivos (familiares ou, em casos específicos, não aparentados) doem um de seus rins, aumentando significativamente o número de órgãos disponíveis e reduzindo o tempo de espera para muitos pacientes. Essa possibilidade não existe para órgãos vitais únicos, como o coração.
  • Terapia de suporte (diálise): Pacientes com insuficiência renal podem ser mantidos vivos por meio de terapias de substituição renal, como a hemodiálise e a diálise peritoneal. Esses tratamentos funcionam como uma “ponte”, permitindo que o paciente aguarde na lista por um doador compatível por meses ou anos, algo que é mais complexo para pacientes com falência cardíaca ou hepática terminal.

Como o diagnóstico e a indicação para transplante são feitos?

A necessidade de um transplante é sempre determinada por uma equipe médica especializada após uma avaliação completa do estado de saúde do paciente. O processo geralmente segue etapas bem definidas e rigorosas.

  • Diagnóstico da falência orgânica: A primeira etapa é o diagnóstico de uma doença que causa a falência irreversível de um órgão. Isso é feito por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem.
  • Avaliação para o transplante: Uma vez confirmada a falência orgânica terminal, o paciente é encaminhado para um centro transplantador, onde passa por uma série de avaliações para verificar se ele tem condições clínicas de receber um novo órgão e se o transplante é a melhor opção terapêutica.
  • Inscrição na lista de espera: Se o paciente for considerado apto, ele é inscrito na lista única de espera do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). A alocação de órgãos de doadores falecidos segue critérios técnicos, como compatibilidade sanguínea e genética (histocompatibilidade), gravidade do caso e tempo de espera.

O sucesso de um transplante não depende apenas da cirurgia, mas também do acompanhamento pós-operatório, que inclui o uso contínuo de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do novo órgão pelo corpo.

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Este conteúdo é estritamente informativo e não constitui aconselhamento médico. A indicação e o acompanhamento de um transplante de órgãos são atos médicos complexos, realizados por equipes especializadas.

Para qualquer dúvida sobre sua saúde ou sobre o processo de doação e transplante, consulte um profissional de saúde qualificado.