Estudo conduzido por universidades dos Estados Unidos avaliou glicose, insulina, colesterol e inflamação em dietas com carne bovina e frango ao longo de oito semanas / Freepik
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Um estudo recente colocou em debate uma recomendação bastante comum nos consultórios: trocar carne bovina por frango para proteger a saúde metabólica.
A pesquisa indica que, quando consumida sem processamento, a carne vermelha pode não trazer prejuízos adicionais em comparação com a carne branca, ao menos em curto prazo e em um grupo específico.
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O trabalho foi publicado na revista científica Current Developments in Nutrition e conduzido por pesquisadores da Universidade de Indiana, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Illinois.
Adultos com pré-diabetes foram analisados, condição marcada por níveis de glicose acima do normal e maior risco de evolução para diabetes tipo 2.
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A orientação para substituir carne vermelha por carnes brancas costuma aparecer em diretrizes de alimentação saudável, principalmente por associações entre consumo excessivo de carne vermelha e maior risco cardiovascular.
Diante disso, os pesquisadores decidiram avaliar se a carne bovina, quando consumida sem processamento e preparada de forma simples, realmente teria impacto negativo maior que o frango em marcadores metabólicos.
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O estudo acompanhou 24 adultos com pré-diabetes, sendo cerca de 70% homens. Cada participante seguiu dois ciclos alimentares diferentes, com duração de quatro semanas cada: em um período, a dieta era baseada em carne bovina; no outro, em carne de frango.
Os pratos incluíam preparações como hambúrgueres e ensopados, sempre com acompanhamentos e bebidas semelhantes nos dois momentos. A proposta foi reduzir ao máximo outras variáveis que pudessem interferir nos resultados.
Ao final de cada etapa, os voluntários passaram por exames clínicos e laboratoriais para avaliação de glicose, insulina, colesterol e marcadores inflamatórios.
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Segundo os pesquisadores, não houve diferença relevante entre os dois tipos de carne nos indicadores analisados.
A carne bovina sem processamento não apresentou piora significativa nos níveis de açúcar no sangue, na sensibilidade à insulina, no colesterol ou nos marcadores de inflamação, em comparação com o frango.
Em comunicado à Fox News Digital, o pesquisador Kevin Maki, um dos responsáveis pelo estudo, afirmou que não foram encontradas evidências de que o consumo de carne bovina tenha prejudicado a função das células beta — responsáveis pela produção de insulina.
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Para especialistas em saúde metabólica, no entanto, é importante lembrar que o risco de desenvolver diabetes envolve múltiplos fatores, como peso corporal, prática de atividade física, genética e padrão alimentar global — e não apenas um único alimento isolado.
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Apesar dos resultados, os próprios autores pedem prudência na interpretação. O número de participantes foi pequeno e o acompanhamento durou poucas semanas, o que limita a força das conclusões.
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Outro aspecto relevante é que o estudo avaliou apenas carnes não processadas e preparadas de forma simples, como grelhadas ou cozidas. Não foram analisadas versões processadas ou ultraprocessadas, como embutidos, que costumam estar associadas a piores desfechos em saúde.
A pesquisa recebeu financiamento da Associação Nacional de Pecuaristas de Carne Bovina dos Estados Unidos (NCBA). De acordo com os autores, o patrocinador não interferiu na condução nem na análise dos dados.
O ensaio clínico foi registrado previamente na plataforma pública ClinicalTrials.gov, sistema criado para ampliar a transparência e o controle sobre pesquisas com seres humanos.
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O estudo não conclui que carne bovina seja “mais saudável” que o frango, nem invalida recomendações médicas já consolidadas. Ele sugere, dentro de um contexto específico, que a diferença metabólica entre carne vermelha e branca pode não ser tão clara quando se trata de cortes in natura e consumo moderado.
Para quem tem pré-diabetes ou outras condições metabólicas, a orientação continua sendo buscar acompanhamento profissional e adotar uma alimentação equilibrada, variada e baseada em alimentos minimamente processados.