Saúde

Estudo desafia recomendação comum sobre carne vermelha e saúde

Um estudo recente colocou em debate uma recomendação bastante comum nos consultórios: trocar carne bovina por frango

Agência Diário

Publicado em 28/02/2026 às 11:44

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Estudo conduzido por universidades dos Estados Unidos avaliou glicose, insulina, colesterol e inflamação em dietas com carne bovina e frango ao longo de oito semanas / Freepik

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Um estudo recente colocou em debate uma recomendação bastante comum nos consultórios: trocar carne bovina por frango para proteger a saúde metabólica.

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A pesquisa indica que, quando consumida sem processamento, a carne vermelha pode não trazer prejuízos adicionais em comparação com a carne branca, ao menos em curto prazo e em um grupo específico.

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O trabalho foi publicado na revista científica Current Developments in Nutrition e conduzido por pesquisadores da Universidade de Indiana, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Illinois.

Adultos com pré-diabetes foram analisados, condição marcada por níveis de glicose acima do normal e maior risco de evolução para diabetes tipo 2.

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A carne de frango é fonte magra de proteína, especialmente quando consumida sem pele / Pixabay
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Costuma ter menor teor de gordura saturada em comparação a muitas carnes vermelhas / Pixabay
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Preparações grelhadas ou assadas ajudam a manter o valor nutricional e reduzir o excesso de gordura / Pixabay
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A carne vermelha é rica em ferro heme, nutriente importante para prevenir anemia / Pixabay
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Também fornece proteínas de alto valor biológico e vitamina B12 / Pixabay
Também fornece proteínas de alto valor biológico e vitamina B12 / Pixabay
O consumo excessivo e frequente pode estar associado a riscos cardiovasculares, exigindo moderação / Pixabay
O consumo excessivo e frequente pode estar associado a riscos cardiovasculares, exigindo moderação / Pixabay

O que o estudo investigou

A orientação para substituir carne vermelha por carnes brancas costuma aparecer em diretrizes de alimentação saudável, principalmente por associações entre consumo excessivo de carne vermelha e maior risco cardiovascular.

Diante disso, os pesquisadores decidiram avaliar se a carne bovina, quando consumida sem processamento e preparada de forma simples, realmente teria impacto negativo maior que o frango em marcadores metabólicos.

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Como a pesquisa foi feita

O estudo acompanhou 24 adultos com pré-diabetes, sendo cerca de 70% homens. Cada participante seguiu dois ciclos alimentares diferentes, com duração de quatro semanas cada: em um período, a dieta era baseada em carne bovina; no outro, em carne de frango.

Os pratos incluíam preparações como hambúrgueres e ensopados, sempre com acompanhamentos e bebidas semelhantes nos dois momentos. A proposta foi reduzir ao máximo outras variáveis que pudessem interferir nos resultados.

Ao final de cada etapa, os voluntários passaram por exames clínicos e laboratoriais para avaliação de glicose, insulina, colesterol e marcadores inflamatórios.

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Principais resultados

Segundo os pesquisadores, não houve diferença relevante entre os dois tipos de carne nos indicadores analisados.

A carne bovina sem processamento não apresentou piora significativa nos níveis de açúcar no sangue, na sensibilidade à insulina, no colesterol ou nos marcadores de inflamação, em comparação com o frango.

Em comunicado à Fox News Digital, o pesquisador Kevin Maki, um dos responsáveis pelo estudo, afirmou que não foram encontradas evidências de que o consumo de carne bovina tenha prejudicado a função das células beta — responsáveis pela produção de insulina.

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Para especialistas em saúde metabólica, no entanto, é importante lembrar que o risco de desenvolver diabetes envolve múltiplos fatores, como peso corporal, prática de atividade física, genética e padrão alimentar global — e não apenas um único alimento isolado.

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Pontos que exigem cautela

Apesar dos resultados, os próprios autores pedem prudência na interpretação. O número de participantes foi pequeno e o acompanhamento durou poucas semanas, o que limita a força das conclusões.

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Outro aspecto relevante é que o estudo avaliou apenas carnes não processadas e preparadas de forma simples, como grelhadas ou cozidas. Não foram analisadas versões processadas ou ultraprocessadas, como embutidos, que costumam estar associadas a piores desfechos em saúde.

Transparência e financiamento

A pesquisa recebeu financiamento da Associação Nacional de Pecuaristas de Carne Bovina dos Estados Unidos (NCBA). De acordo com os autores, o patrocinador não interferiu na condução nem na análise dos dados.

O ensaio clínico foi registrado previamente na plataforma pública ClinicalTrials.gov, sistema criado para ampliar a transparência e o controle sobre pesquisas com seres humanos.

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O que isso significa na prática

O estudo não conclui que carne bovina seja “mais saudável” que o frango, nem invalida recomendações médicas já consolidadas. Ele sugere, dentro de um contexto específico, que a diferença metabólica entre carne vermelha e branca pode não ser tão clara quando se trata de cortes in natura e consumo moderado.

Para quem tem pré-diabetes ou outras condições metabólicas, a orientação continua sendo buscar acompanhamento profissional e adotar uma alimentação equilibrada, variada e baseada em alimentos minimamente processados.

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