Especialista faz alerta para lado psicológico dos profissionais de saúde

Eles lidam com grandes cargas emocionais diariamente

Quem cuida de quem cuida? Essa é uma das perguntas que poucas pessoas fazem durante a correria da rotina e ainda menos durante um período imprevisível como a pandemia que levou à quarentena enfrentada não só pela Baixada Santista, mas pelo planeta inteiro. E em um período marcado com tantas homenagens e salvas de palmas aos servidores da saúde, uma psicóloga de Santos faz um alerta: É preciso cuidar da saúde mental destas pessoas.

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De acordo com a psicóloga Mariana Teixeira, os servidores que trabalham diretamente com a saúde pública, o que inclui médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, recepcionistas, auxiliares de limpeza e tantas outras segmentações que fazem parte de hospitais, prontos-socorros e unidades de saúde em geral já possuem uma carga mental muito pesada e que precisam enfrentar diariamente.

“Mesmo durante esse período de pandemia, o profissional de saúde deveria fazer terapia porque é alguém que vai estar todos os dias ali lidando com dor, sofrimento e luto. São pessoas que têm muito medo dessa finitude e estar lidando com esse conteúdo todos os dias gera um baque mental”, explica.

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A pandemia, segundo Mariana, acaba resultando em um stress dobrado para os profissionais, ainda mais se tratando de uma doença invisível e que pode ser transmitida durante uma simples conversa a uma distância insegura, mas considerada normal durante a rotina natural de cada uma destas pessoas antes da pandemia ter se iniciado.

“Estamos vendo isso em massa. É algo que não podemos nem ver e controlar no caso desse vírus”.

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Levando isso em consideração, ela explica que além dos cuidados já de conhecimento público e praticado naturalmente por qualquer profissional que passa por momentos de nervosismo em seu ambiente de trabalho, outras ajudas devem ser procuradas.

“Existem meios de a gente manter a saúde mental. Não é só manter alimentação saudável, exercícios e boas relações próximas de nós, fazer cosias que gostamos, evitar excesso de álcool, cigarros, aquelas medidas gerais para nossa vida, é necessário não levarmos o trabalho para casa ao sair dele. É muito difícil, porque somos uma pessoa só. A pessoa que vai trabalhar é a mesma que vai ter problemas em casa então é muito importante desligar porque se não fizermos isso, a gente não vai viver a nossa vida”, explica a psicóloga.

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Além de recomendar e afirmar que está mais fácil fazer terapia, existindo até mesmo profissionais que fazem terapia à distância e de forma gratuita, Mariana também explica que é necessário ter um apoio familiar mais intenso com o profissional durante o período que vivemos.

“É uma via de mão dupla porque o movimento que fazemos nesse momento é sugar esse profissional de informações assim que ele chega em casa e não deveria ser assim. A família tem que ser nesse momento o porto seguro desse profissional, acolher e cuidar na melhor maneira possível. Esse profissional tem uma carga maior ao voltar do trabalho porque pode ser que esteja em um turno longo e fica mais tempo longe da família enquanto os outros estão perto”.

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“A gente diz que a família não escolheu essa vida, mas infelizmente tem que aceitar porque essa pessoa está saindo de casa está indo cuidar dos outros e tem também medo de ser um vetor de transmissão, trazer a doença do hospital para casa e em contrapartida a família tem que ajudar o profissional a focar em outros assuntos, conversar como foi o dia além de todo esse assunto que gira ao redor da pandemia. Precisam ajudar essa pessoa a desfocar desses assuntos e se aliviar dessa carga que já vem do trabalho”.

Para concluir, Mariana aproveita a oportunidade para destacar que é importante também para o paciente ter paciência e principalmente respeito com estes profissionais ao se deslocar até uma unidade de saúde.

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“A gente tem que reconhecer quem somos porque se eu estou doente, não é por causa do funcionário do hospital que está pronto para me receber. Temos que esvaziar a cabeça, não pensar em culpa. Precisamos saber que estamos lidando com um profissional que saiu de casa bem, saudável, deixou a família dele para cuidar da gente”.