Duas a três xícaras por dia podem ajudar o cérebro, mas especialistas pedem cautela / Freepik
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Tomar duas ou três xícaras de café com cafeína ao dia pode estar associado a menor risco de demência. A conclusão aparece em um estudo publicado no JAMA (Journal of the American Medical Association), que acompanhou quase 132 mil pessoas por várias décadas.
Os dados indicam um efeito neuroprotetor discreto, porém consistente, especialmente quando o consumo faz parte de um estilo de vida saudável. Ainda assim, os autores ressaltam que a pesquisa aponta associação, não comprova causa direta.
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Em outras palavras, o café pode contribuir para a saúde do cérebro, mas não age sozinho.
Nos últimos anos, o debate sobre os impactos do café na saúde ganhou novos contornos. Evidências científicas sugerem que a bebida contém substâncias capazes de combater o estresse oxidativo e reduzir a neuroinflamação.
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Entre esses componentes, a cafeína se destaca. Ela pode aumentar a sensibilidade à insulina e, consequentemente, diminuir o risco de diabetes tipo 2, condição que também eleva as chances de desenvolver demência.
Durante o acompanhamento, cerca de 11 mil participantes receberam diagnóstico de demência. Ainda assim, os que consumiam mais café apresentaram risco 18% menor, além de melhor desempenho em testes cognitivos.
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Apesar dos resultados promissores, médicos evitam exageros. “Nossos resultados são consistentes com estudos anteriores que relataram associações protetoras entre o consumo de cafeína e o declínio cognitivo”, dizem os autores ao jornal espanhol El País.
O neurologista David Pérez reconhece a “robustez” da análise, mas pondera: “O café não é um potencializador cognitivo: quem consome cafeína experimenta melhorias muito modestas nas funções cognitivas.”
Ele também menciona o chamado efeito teto. Segundo o especialista, ultrapassar duas ou três xícaras diárias não amplia a proteção. Ao contrário, o excesso pode provocar ansiedade, insônia e outros desconfortos.
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Um dado chamou a atenção dos pesquisadores: o possível benefício não foi observado entre consumidores de café descafeinado. Por isso, a cafeína surge como principal candidata a explicar o impacto positivo.
Os cientistas levantam hipóteses para esse efeito. A substância pode atenuar processos inflamatórios no cérebro, melhorar a circulação sanguínea cerebral e atuar como antioxidante por meio de compostos como polifenóis.
Mesmo assim, especialistas lembram que estudos observacionais têm limitações. Como o consumo é relatado pelos próprios participantes, podem ocorrer vieses. Ensaios clínicos ainda são necessários para confirmar os achados.
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Os pesquisadores reforçam que o café não substitui hábitos essenciais. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e convivência social seguem como pilares na prevenção de doenças neurodegenerativas.
Outro ponto relevante envolve a forma de consumo. Investigações anteriores indicam que adicionar açúcar e creme pode reduzir os possíveis ganhos à saúde. Por isso, a versão preta e sem açúcar tende a ser mais indicada.
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Assim, a orientação final é clara: o café, quando consumido com moderação, pode colaborar para a saúde cognitiva. No entanto, ele funciona melhor como aliado dentro de um conjunto amplo de cuidados com o cérebro.