Saúde

Doença silenciosa atinge 3,5 bi: Um pequeno erro na escovação pode causar a perda de todos os dentes

USP alerta para a inflamação comum que atinge bilhões de pessoas e pode causar danos irreversíveis ao osso da mandíbula

Luna Almeida

Publicado em 21/03/2026 às 13:00

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O quadro clínico geralmente se manifesta primeiro como gengivite / Freepik/zinkevych

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A doença periodontal se consolidou como a causa número um de perda dentária entre adultos em todo o mundo, atingindo a marca de 3,5 bilhões de pessoas afetadas globalmente. 

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O problema, que começa com uma inflamação aparentemente simples, destaca a importância de enxergar a saúde bucal como parte integrante da saúde geral do corpo. 

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O quadro clínico geralmente se manifesta primeiro como gengivite e, se não houver a intervenção correta, progride para a periodontite, uma condição que destrói as estruturas de suporte dos dentes.

De acordo com o professor Giuseppe Romito, especialista em Periodontia da USP, a negligência diante dos sinais iniciais é o que permite a evolução para danos irreversíveis. 

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Ele alerta que entender essa progressão é o passo crucial para evitar complicações sérias, reforçando que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para quem deseja manter a dentição completa ao longo da vida.

Da inflamação inicial à perda óssea dental

O surgimento dessas patologias está diretamente ligado ao acúmulo da placa bacteriana, aquela película pegajosa formada por resíduos de alimentos e bactérias sobre a superfície dos dentes. 

Quando a higiene bucal é inadequada, esse equilíbrio é rompido, desencadeando a inflamação. 

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No estágio inicial, conhecido como gengivite, o problema afeta apenas os tecidos gengivais, provocando vermelhidão e inchaço. Segundo o professor Romito, essa fase ainda é reversível e pode ser controlada com relativa facilidade por meio de cuidados profissionais e boa escovação.

O perigo real surge quando a inflamação não é tratada e evolui para a periodontite. Esta condição mais grave atinge os tecidos de suporte, incluindo o osso alveolar, que é o responsável direto pela fixação dos dentes na mandíbula e na maxila.

Conforme explica o especialista da USP, a periodontite é marcada por uma resposta inflamatória agressiva e duradoura que, com o passar do tempo, leva à perda óssea e, consequentemente, à queda do dente.

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Grupos de risco e fatores de vulnerabilidade

Certos perfis de pacientes apresentam maior suscetibilidade a desenvolver formas severas de periodontite. 

O tabagismo e o diabetes, especialmente o tipo 2 quando não está sob controle, são fatores determinantes que alteram a resposta inflamatória do organismo e dificultam a cicatrização dos tecidos bucais. 

Para esses grupos, o acompanhamento odontológico regular e a rigidez na limpeza diária são ainda mais críticos para evitar a perda óssea acelerada.

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Consequências que ultrapassam a saúde da boca

A periodontite não tratada gera impactos que vão muito além da estética ou da funcionalidade da mastigação, podendo causar retração da gengiva e mobilidade dentária. 

Há evidências científicas de que a doença periodontal possui associações com problemas cardiovasculares, complicações na gravidez e o agravamento do diabetes descompensado. O professor Romito lamenta que perder dentes por inflamações gengivais ainda seja algo comum e ressalta que muitos pacientes demoram a buscar ajuda especializada.

Para evitar danos graves, a recomendação é transformar a escovação correta em um hábito inegociável e manter as visitas ao dentista em dia. O diagnóstico precoce é vital não apenas para salvar o sorriso, mas para proteger a saúde de todo o organismo.

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