Saúde

Doença que atingiu Preta Gil cresce 45% entre jovens e acende alerta para sintomas comuns

Casos antes dos 50 anos saltam quase 50% e desafiam crenças sobre idade e genética

Nathalia Alves

Publicado em 25/03/2026 às 13:45

Atualizado em 25/03/2026 às 13:48

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Entenda por que nenhum sangramento deve ser tratado apenas como hemorroida ou cólica / Reprodução/Wikipédia

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O câncer de intestino é o segundo tipo mais mortal na Austrália. Um em cada 16 australianos será diagnosticado durante a vida, e mais de 5.200 pessoas morrem por ano por conta da doença.

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No Brasil, é o segundo mais frequente no aparelho digestivo e o terceiro que mais mata, segundo o INCA. Personalidades como a cantora Preta Gil, que morreu aos 50 anos, Simony, Pelé e Roberto Dinamite sofreram com a doença.

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Apesar de sua prevalência, o câncer de intestino ainda é amplamente incompreendido. Muitos acreditam que a doença afeta apenas pessoas acima de 50 anos e com histórico familiar, mas o cenário é mais complexo. Na Austrália, por exemplo, aproximadamente 12% dos diagnosticados a cada ano têm menos de 50 anos

Sintomas e avanço

O professor associado Graham Newstead, da Bowel Cancer Australia, lista os principais sintomas como: 

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  • sangue nas fezes,
  • cólicas intensas ou persistentes,
  • perda de peso inexplicável,
  • cansaço extremo,
  • inchaço abdominal
  • e qualquer alteração nos hábitos intestinais (diarreia, prisão de ventre ou sensação de evacuação incompleta).

Em entrevista, Newstead explica que os casos em pessoas com menos de 50 anos têm aumentado nos últimos 20 anos, estima-se que, nas últimas três décadas, o surgimento da doença antes dos 50 anos subiu cerca de 45%. 

Os sintomas são diferentes entre homens e mulheres?

Em geral, os sintomas não diferem entre os sexos. No entanto, especialistas observam que algumas mulheres, especialmente na perimenopausa ou com ciclos irregulares, podem confundir sangramento ou cólicas com a menstruação, atrasando a consulta médica. O mesmo se aplica a gestantes.

O importante é que nenhum sangramento deve ser presumido como hemorroida, sob o risco de que quadros mais graves sejam negligenciados.

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Além disso, as mulheres precisam estar atentas a qualquer sintoma incomum e relatar ao médico alterações que persistam por algumas semanas. Devido à rotina intensa, muitos desses sinais acabam sendo ignorados por esse público ou erroneamente atribuídos à perimenopausa.

Fatores de risco

O câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso. A forma mais comum é o adenocarcinoma, que geralmente começa a partir de um pólipo adenomatoso. A transformação pode levar de cinco a dez anos, o que abre uma janela para prevenção.

Cerca de 10% dos casos em pessoas com mais de 50 anos têm origem hereditária, mas os genes podem justificar até 25% dos casos de “início precoce”. Os principais fatores de risco modificáveis são: 

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  • obesidade,
  • dietas ricas em carnes vermelhas e processadas,
  • baixo consumo de fibras,
  • sedentarismo.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito por exames como pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia. Quando detectado precocemente, a taxa de sucesso no tratamento chega a quase 99%, com a cirurgia como principal abordagem. Em estágios avançados, são necessários radioterapia ou quimioterapia.

Diferente da Austrália, que oferece rastreamento gratuito à população, o Brasil ainda não conta com um programa nacional estruturado. O melhor jeito é por meio de testes de rastreio que estão disponíveis em farmácias.

Os dados da Bowel Cancer Australia mostram que quase 99% dos casos de câncer de intestino podem ser tratados com sucesso se detectados precocemente.

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“Quanto mais cedo for detectado, mais fácil será o tratamento”, diz Broun. “O principal tratamento para o câncer de intestino em estágio inicial é a cirurgia.”

Já os estágios mais avançados exigem tratamentos adicionais, como radioterapia ou quimioterapia, que variam de pessoa para pessoa.

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