Saúde

'Dieta do plástico' é o novo desafio viral nas redes que preocupa nutricionistas; entenda

Tendência incentiva pessoas a mastigar alimentos embrulhados em plástico para evitar calorias, mas especialistas alertam para riscos de asfixia e obstrução intestinal

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 08/03/2026 às 15:08

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Prática, que ganhou popularidade em plataformas digitais e ficou conhecida como 'plastic eating' / Reprodução/Instagram

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Um desafio que viralizou nas redes sociais tem chamado a atenção de especialistas em saúde e nutrição. Conhecida como “dieta de comer plástico”, a tendência consiste em mastigar alimentos envolvidos em filme plástico e depois cuspi-los, com a promessa de sentir o sabor da comida sem ingerir calorias.

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A prática, que ganhou popularidade em plataformas digitais e ficou conhecida como “plastic eating”, preocupa especialistas por apresentar riscos físicos e psicológicos.

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Segundo a nutricionista Andrea Calderón, diretora do mestrado em Nutrição, Composição Corporal e Metabolismo da Universidade Europeia, o comportamento não pode ser considerado uma estratégia alimentar.

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Por que a prática não gera saciedade

Quem promove o desafio afirma que mastigar o alimento seria suficiente para “enganar o cérebro” e reduzir a fome. No entanto, especialistas explicam que o processo de saciedade é mais complexo.

Para que o organismo registre que já recebeu energia suficiente, é necessário que os nutrientes cheguem ao sistema digestivo.

Hormônios que regulam o apetite, como leptina e grelina, além de peptídeos intestinais como o GLP-1, enviam sinais ao cérebro quando a digestão ocorre.

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Quando a comida é apenas mastigada e cuspida, esses mecanismos não são ativados de forma adequada.

Segundo Calderón, até pode existir uma sensação momentânea de saciedade, mas não ocorre uma resposta metabólica real no organismo.

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Possível relação com transtornos alimentares

Especialistas também apontam que o comportamento se aproxima de um padrão conhecido na área clínica: mastigar e cuspir alimentos para evitar ingestão de calorias.

Esse tipo de prática pode aparecer em pessoas que sofrem com transtornos alimentares como anorexia nervosa e bulimia nervosa.

De acordo com nutricionistas, a normalização desse comportamento nas redes sociais pode incentivar relações pouco saudáveis com a alimentação, principalmente entre adolescentes e jovens.

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Riscos físicos imediatos

Além das questões psicológicas, o desafio pode trazer riscos diretos à saúde. Caso o plástico seja engolido acidentalmente, podem ocorrer:

  • asfixia por obstrução das vias aéreas
  • aspiração para o sistema respiratório
  • irritações no trato digestivo
  • obstrução intestinal

Outro risco apontado por especialistas é a possibilidade de formação de microplásticos, caso o material se fragmente durante a mastigação.

Essas partículas microscópicas têm sido associadas a processos inflamatórios, alterações metabólicas e aumento do risco de doenças cardiovasculares.

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Sem benefícios nutricionais

Especialistas ressaltam que a prática não oferece qualquer benefício nutricional, já que não há ingestão real de alimentos.

A alimentação saudável envolve não apenas sabor, mas também nutrientes, contexto social e equilíbrio alimentar.

Segundo a nutricionista, estratégias eficazes para perda de peso continuam sendo aquelas baseadas em alimentação equilibrada, atividade física regular e hábitos de vida saudáveis, respaldadas por evidências científicas.

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