Saúde
Tendência incentiva pessoas a mastigar alimentos embrulhados em plástico para evitar calorias, mas especialistas alertam para riscos de asfixia e obstrução intestinal
Prática, que ganhou popularidade em plataformas digitais e ficou conhecida como 'plastic eating' / Reprodução/Instagram
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Um desafio que viralizou nas redes sociais tem chamado a atenção de especialistas em saúde e nutrição. Conhecida como “dieta de comer plástico”, a tendência consiste em mastigar alimentos envolvidos em filme plástico e depois cuspi-los, com a promessa de sentir o sabor da comida sem ingerir calorias.
A prática, que ganhou popularidade em plataformas digitais e ficou conhecida como “plastic eating”, preocupa especialistas por apresentar riscos físicos e psicológicos.
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Segundo a nutricionista Andrea Calderón, diretora do mestrado em Nutrição, Composição Corporal e Metabolismo da Universidade Europeia, o comportamento não pode ser considerado uma estratégia alimentar.
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Quem promove o desafio afirma que mastigar o alimento seria suficiente para “enganar o cérebro” e reduzir a fome. No entanto, especialistas explicam que o processo de saciedade é mais complexo.
Para que o organismo registre que já recebeu energia suficiente, é necessário que os nutrientes cheguem ao sistema digestivo.
Hormônios que regulam o apetite, como leptina e grelina, além de peptídeos intestinais como o GLP-1, enviam sinais ao cérebro quando a digestão ocorre.
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Quando a comida é apenas mastigada e cuspida, esses mecanismos não são ativados de forma adequada.
Segundo Calderón, até pode existir uma sensação momentânea de saciedade, mas não ocorre uma resposta metabólica real no organismo.
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Especialistas também apontam que o comportamento se aproxima de um padrão conhecido na área clínica: mastigar e cuspir alimentos para evitar ingestão de calorias.
Esse tipo de prática pode aparecer em pessoas que sofrem com transtornos alimentares como anorexia nervosa e bulimia nervosa.
De acordo com nutricionistas, a normalização desse comportamento nas redes sociais pode incentivar relações pouco saudáveis com a alimentação, principalmente entre adolescentes e jovens.
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Além das questões psicológicas, o desafio pode trazer riscos diretos à saúde. Caso o plástico seja engolido acidentalmente, podem ocorrer:
Outro risco apontado por especialistas é a possibilidade de formação de microplásticos, caso o material se fragmente durante a mastigação.
Essas partículas microscópicas têm sido associadas a processos inflamatórios, alterações metabólicas e aumento do risco de doenças cardiovasculares.
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Especialistas ressaltam que a prática não oferece qualquer benefício nutricional, já que não há ingestão real de alimentos.
A alimentação saudável envolve não apenas sabor, mas também nutrientes, contexto social e equilíbrio alimentar.
Segundo a nutricionista, estratégias eficazes para perda de peso continuam sendo aquelas baseadas em alimentação equilibrada, atividade física regular e hábitos de vida saudáveis, respaldadas por evidências científicas.
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