Saúde

Descoberta impressiona ao eliminar câncer em ratos, mas aplicação em humanos ainda é incerta

Pesquisa inédita anima cientistas, mas aplicação clínica ainda enfrenta barreiras

Agência Diário

Publicado em 21/03/2026 às 00:14

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Avanço em laboratório reacende debate sobre segurança e doses em humanos / Freepik

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Um resultado surpreendente movimentou a comunidade científica ao revelar que o câncer de pâncreas foi totalmente eliminado em ratos. O feito é inédito, chama atenção internacional e reacende a discussão sobre novas terapias oncológicas.

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Conduzido pelo pesquisador espanhol Mariano Barbacid, o estudo abre perspectivas promissoras, mas também evidencia os desafios para transformar descobertas experimentais em tratamentos seguros para pessoas.

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Apesar do entusiasmo inicial, especialistas alertam que a distância entre resultados em laboratório e a prática clínica costuma ser grande, exigindo tempo, ajustes e rigorosos testes de segurança.

Um resultado que surpreendeu a ciência

A eliminação completa do câncer pancreático em ratos marca um ponto de virada na pesquisa oncológica. Trata-se de um tumor conhecido pela agressividade e pelas baixas taxas de resposta aos tratamentos atuais.

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O estudo foi liderado por Mariano Barbacid, do Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas, em Madri, e rapidamente ganhou repercussão fora do meio acadêmico, alcançando debates públicos e científicos.

Mesmo com o impacto da descoberta, a cautela se impõe. A principal dúvida agora é se os efeitos observados em roedores podem, de fato, ser reproduzidos em organismos humanos sem riscos graves.

A lógica por trás da estratégia combinada

O sucesso do experimento está associado a uma abordagem múltipla. Em vez de agir sobre um único mecanismo, os pesquisadores bloquearam três vias centrais para a sobrevivência das células tumorais.

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Entre elas estão o KRAS, frequentemente alterado em tumores agressivos, o EGFR, que impulsiona a multiplicação celular, e o STAT3, ativado quando outras rotas são inibidas.

xxO sucesso do experimento está associado a uma abordagem múltipla / Freepik

Com essas vias desligadas, os ratos apresentaram morte das células cancerígenas e desaparecimento do tumor. Resultados semelhantes surgiram com medicamentos, reforçando a eficácia da estratégia.

Os obstáculos que travam a aplicação clínica

De acordo com o virologista Roberto Burioni, um dos entraves está na dosagem. "In vivo, um dos medicamentos, o daraxonrasib, é utilizado na dose de 20 mg/kg por dia, e os próprios autores enfatizam que esta dose é aproximadamente cinco vezes maior que a utilizada nos ensaios clínicos", explicou ao jornal italiano L'unione Sarda.

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Outro medicamento citado, o afatinib, também foi administrado em níveis muito superiores aos praticados em humanos. Isso levanta preocupações sobre toxicidade e efeitos colaterais severos.

Além disso, um dos fármacos utilizados ainda está em fase experimental. Soma-se a isso o risco de eliminar completamente o STAT3, proteína essencial para funções vitais do organismo humano.

Avanço real, mas com passos cuidadosos

"Este estudo não promete uma cura para o câncer de pâncreas", esclarece Burioni. Ainda assim, ele destaca que os dados oferecem direções importantes para pesquisas futuras.

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O desafio agora é encontrar combinações equivalentes que sejam viáveis clinicamente, com doses seguras e perfis farmacológicos adequados para pacientes.

"Até mesmo o HIV era capaz de prejudicar o paciente enquanto atingíssemos apenas um alvo", afirma Burioni. "Quando atingimos três 'máquinas' diferentes simultaneamente, vencemos." O caminho, porém, segue longo.

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