O estudo acompanhou 7.914 participantes com 65 anos ou mais / Freepik/katemangostar
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Um estudo de grande escala conduzido no Japão indica que o consumo regular de queijo pode estar associado a um menor risco de demência em pessoas idosas. Embora não represente uma solução definitiva para a doença, o hábito alimentar pode contribuir para a prevenção em uma população que envelhece rapidamente.
Publicado em outubro de 2025 na revista científica Nutrients, o trabalho foi desenvolvido por pesquisadores do Centro Nacional de Geriatria e Gerontologia, da Universidade Niimi e da Universidade de Chiba.
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A pesquisa analisou dados de idosos japoneses ao longo de três anos e identificou uma redução modesta, porém significativa, na incidência da doença entre consumidores semanais de queijo.
O estudo acompanhou 7.914 participantes com 65 anos ou mais, residentes em suas próprias casas e sem necessidade prévia de cuidados de longa duração. Os dados foram extraídos do programa Japan Gerontological Evaluation Study (JAGES), referente ao período de 2019 a 2022.
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Os voluntários foram divididos em dois grupos: aqueles que consumiam queijo pelo menos uma vez por semana e aqueles que não consumiam o alimento.
Para reduzir distorções estatísticas, os pesquisadores utilizaram um método que iguala características importantes entre os grupos, como idade, renda, escolaridade, estado de saúde e capacidade funcional.
Durante o acompanhamento, 3,4% dos participantes que recebiam seguro de cuidados de longa duração desenvolveram demência, contra 4,5% entre os que não estavam nessa condição. A diferença corresponde a uma redução relativa de cerca de 24% no risco.
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Os autores ressaltam que o objetivo foi identificar associação, não provar causalidade, mas consideram os resultados relevantes para estratégias preventivas em larga escala.
O queijo contém nutrientes que podem influenciar a saúde cerebral. Entre eles está a vitamina K2, importante para o funcionamento vascular e para o metabolismo do cálcio, fatores ligados ao risco de demência, especialmente a vascular.
O alimento também fornece proteínas, aminoácidos essenciais e compostos bioativos produzidos durante a fermentação, que podem exercer efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, processos frequentemente associados ao declínio cognitivo.
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Outra hipótese envolve a microbiota intestinal. Queijos fermentados, como Camembert e Brie, possuem probióticos capazes de atuar no chamado eixo intestino-cérebro, área cada vez mais estudada na relação com doenças neurodegenerativas.
No entanto, a maioria dos participantes consumia queijo processado, geralmente mais pobre em probióticos, o que indica que o efeito observado pode estar ligado a fatores mais complexos da dieta ou do estilo de vida.
Os pesquisadores observaram que os consumidores de queijo também apresentavam padrões alimentares mais variados, com maior ingestão de frutas, vegetais, carnes e peixes — todos associados a um envelhecimento cognitivo mais saudável.
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Após ajustar os resultados para esses fatores, a redução de risco caiu de 24% para cerca de 21%, mantendo ainda assim relevância estatística. Isso sugere que o queijo pode contribuir de forma específica, embora não isolada.
A frequência de consumo também foi considerada importante. A maioria dos participantes consumia o alimento uma ou duas vezes por semana, indicando que quantidades moderadas já podem estar associadas ao efeito observado.
Os próprios autores destacam limitações importantes. O consumo de queijo foi registrado apenas no início da pesquisa, sem acompanhamento das quantidades ou mudanças ao longo do tempo.
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Além disso, os dados sobre demência foram obtidos a partir de registros administrativos, e não de diagnósticos clínicos detalhados.
Fatores genéticos relevantes, como o gene APOE ε4 — associado ao Alzheimer —, também não foram considerados. Outro ponto é que o consumo de queijo no Japão é baixo em comparação com países europeus, o que pode influenciar os resultados.
Apesar das restrições, os pesquisadores acreditam que o estudo contribui para orientar políticas de saúde e futuras investigações sobre dieta e envelhecimento cognitivo.
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A pesquisa foi publicada como: Jeong, S., et al. (2025). “Cheese consumption and incidence of dementia in community-dwelling Japanese older adults: the JAGES 2019–2022 cohort study.” Nutrients, 17(21), 3363.