Saúde

Cientistas encontram forma de 'desligar' o câncer sem atacar células saudáveis

Estudo aponta molécula que limita avanço do câncer ao afetar energia das células tumorais sem danificar tecidos saudáveis

Thiago Felipe Camargo

Publicado em 25/03/2026 às 08:16

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Molécula espelho surge como nova aposta ao tratamento de câncer / IA

Continua depois da publicidade

Uma descoberta científica recente abriu uma nova frente no combate ao câncer, com uma abordagem que chama atenção pela precisão: atacar diretamente o “combustível” das células tumorais.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Pesquisadores das universidades de Genebra, na Suíça, e de Marburg, na Alemanha, identificaram uma molécula capaz de interromper o metabolismo de células cancerígenas, levando essas estruturas à morte sem causar danos significativos aos tecidos saudáveis e sendo mais eficaz no tratamento contra a doença.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Descoberta impressiona ao eliminar câncer em ratos, mas aplicação em humanos ainda é incerta

• Avanço brasileiro na medicina: Novo exame de sangue detecta câncer de mama com 95% de precisão

• Oncologista aponta 5 alimentos consumidos regularmente que podem aumentar o risco de câncer

O composto estudado é uma forma modificada de um aminoácido, chamada D-cisteína. A substância atua em um ponto específico do funcionamento celular, explorando uma característica conhecida do câncer: o alto consumo de energia para sustentar a multiplicação acelerada.

Esse comportamento está ligado ao chamado Efeito Warburg, no qual células cancerígenas utilizam um processo menos eficiente, porém mais rápido, para gerar energia, aumentando sua dependência de nutrientes como a glicose.

Continua depois da publicidade

Junto com o novo exame de sangue que promete detectar a doença, essa descoberta é mais um grande avanço nos estudos que buscam formas de detecção e tratamento cada vez mais assertivas contra o câncer.

Descoberta pode ajudar no tratamento do câncer Descoberta pode ajudar no tratamento do câncer/IA

Como funciona a molécula descoberta pelos cientistas?

Nos testes realizados em laboratório, os cientistas observaram que a D-cisteína provoca um colapso no sistema energético das células tumorais. Sem energia suficiente, essas células passam a produzir menos, acumulam falhas no material genético e perdem a capacidade de se dividir.

O efeito é descrito como uma espécie de “fome metabólica”. As células cancerígenas ficam sem recursos para manter seu funcionamento e, principalmente, para continuar se multiplicando.

Continua depois da publicidade

O ponto central é que elas não necessariamente morrem de forma imediata. Em vez disso, o crescimento do tumor é desacelerado, o que pode conter o avanço da doença.

Apesar da descoberta, pesquisadores adotam tom de cautela

Um dos maiores desafios no tratamento do câncer está justamente na dificuldade de atingir apenas as células doentes sem causar danos ao organismo. Terapias como quimioterapia e radioterapia também afetam células saudáveis, o que gera efeitos colaterais conhecidos.

A proposta desse novo caminho é diferente. Em vez de atacar diretamente o tumor, a estratégia busca interromper o fornecimento de energia necessário para sua expansão.

Continua depois da publicidade

Apesar dos resultados considerados promissores, os próprios pesquisadores adotam cautela. Os testes ainda estão restritos ao ambiente de laboratório, sem aplicação em pacientes até o momento.

O próximo passo envolve estudos mais amplos, incluindo testes clínicos, que podem levar anos até uma eventual aprovação para uso médico.

Ainda assim, a descoberta reforça uma tendência crescente na ciência: o foco no metabolismo das células cancerígenas como alvo terapêutico.

Continua depois da publicidade

Se os resultados forem confirmados nas próximas etapas, a abordagem pode abrir caminho para tratamentos mais seletivos, com menor impacto no organismo e maior controle sobre o avanço da doença.

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software