Tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, tem despertado grande interesse entre pacientes e especialistas / Pexels
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A Prefeitura de Urupês, município de cerca de 14 mil habitantes localizado a 420 km da capital paulista, anunciou que iniciará a distribuição gratuita do Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da obesidade por meio da rede pública de saúde.
A iniciativa torna a cidade a primeira do estado de São Paulo a disponibilizar o medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS), em um movimento ainda incomum no país.
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Com custo elevado na rede privada — variando entre R$ 1,4 mil e R$ 3 mil por mês, conforme a dosagem — a tirzepatida tem despertado grande interesse entre pacientes e especialistas.
O preço, considerado proibitivo para grande parte da população, tem levado algumas pessoas a recorrerem a versões ilegais ou potencialmente falsificadas, o que aumenta os riscos à saúde.
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O projeto municipal prevê a oferta escalonada do Mounjaro a até 200 pacientes em situação de vulnerabilidade social, especialmente aqueles que aguardam na fila para cirurgia bariátrica e não têm condições de arcar com o tratamento particular.
Para participar do programa, será necessário cumprir critérios clínicos e sociais, entre eles:
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Pacientes com IMC acima de 40 kg/m² estarão dispensados do critério de idade.
Além da medicação, os contemplados receberão acompanhamento multidisciplinar pelo SUS, com suporte de endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social — estratégia considerada essencial para o controle sustentável do peso.
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Embora rara, a oferta municipal da tirzepatida não é inédita no Brasil. Em dezembro, a Prefeitura de Vilhena (RO) lançou um programa semelhante nas unidades básicas de saúde, contemplando 80 pacientes com IMC superior a 40 e comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono.
A adoção ampla de novos medicamentos pelo SUS depende da análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que avalia eficácia, segurança e custo-efetividade das terapias.
No ano passado, a comissão emitiu parecer desfavorável à incorporação da liraglutida e da semaglutida para obesidade, apontando impacto estimado de R$ 4,8 bilhões em cinco anos e incertezas relacionadas ao tempo de tratamento e ao reganho de peso após a interrupção.
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Apesar de reconhecidas como seguras e eficazes, as terapias foram consideradas economicamente inviáveis para o sistema público. A tirzepatida ainda não foi analisada pela Conitec.
Diante desse cenário, o SUS mantém a cirurgia bariátrica como principal alternativa terapêutica para o controle da obesidade.
Enquanto a incorporação de medicamentos não avança em nível nacional, iniciativas locais, como as de Urupês e Vilhena, surgem como experiências pioneiras e observadas com atenção por gestores e especialistas em saúde pública.
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