Saúde

'Caranguejo-do-diabo': Conheça o animal que causou a morte de influencer durante gravação

A morte de influenciadora filipina expõe os riscos do 'Zosimus aeneus', espécie que acumula veneno neurotóxico na carne e na carapaça

Giovanna Camiotto

Publicado em 13/02/2026 às 13:00

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'Caranguejo do Diabo' é altamente venenoso e não tem antídoto / Wikimedia Commons

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A morte de uma influenciadora de gastronomia, de 51 anos, chocou a comunidade de Puerto Princesa, nas Filipinas, e acendeu um alerta global sobre o consumo de espécies marinhas desconhecidas. A mulher, que era uma pescadora experiente, faleceu no último dia 6 de fevereiro após consumir o temido "caranguejo-do-diabo" (Zosimus aeneus) durante a gravação de um vídeo para suas redes sociais.

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O caso, que ganhou repercussão internacional na última quinta-feira (12), revela o perigo invisível por trás de animais com colorações vibrantes. As imagens divulgadas pela imprensa local mostram a influenciadora e amigos coletando mariscos em um manguezal no dia 4 de fevereiro.

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No registro, a influencer aparece cozinhando os crustáceos com leite de coco e provando iguarias marinhas. No entanto, o que parecia ser uma demonstração culinária rotineira tornou-se fatal. No dia seguinte, ela sofreu convulsões severas e foi hospitalizada às pressas. Exames de sangue confirmaram a presença de neurotoxinas letais que paralisaram seu sistema nervoso.

O caranguejo-do-diabo, da espécie Zosimus aeneus, vive em recifes de coral do Indo-Pacífico e é conhecido por acumular toxinas potentes no organismo/Tylwyth Eldar/Wikimedia Commons
O caranguejo-do-diabo, da espécie Zosimus aeneus, vive em recifes de coral do Indo-Pacífico e é conhecido por acumular toxinas potentes no organismo/Tylwyth Eldar/Wikimedia Commons
A carapaça apresenta coloração creme ou marrom-avermelhada com manchas vermelhas, padrão que funciona como alerta natural para predadores/University of Amsterdam/Wikimedia Commons
A carapaça apresenta coloração creme ou marrom-avermelhada com manchas vermelhas, padrão que funciona como alerta natural para predadores/University of Amsterdam/Wikimedia Commons
Tanto a carne quanto o casco podem conter neurotoxinas como tetrodotoxina e saxitoxina, substâncias que não são eliminadas mesmo após o cozimento/Anna Mitrošenkova/Wikimedia Commons
Tanto a carne quanto o casco podem conter neurotoxinas como tetrodotoxina e saxitoxina, substâncias que não são eliminadas mesmo após o cozimento/Anna Mitrošenkova/Wikimedia Commons
Apesar da alta toxicidade quando ingerido, o caranguejo-do-diabo não é agressivo e não representa risco ao ser apenas observado em seu habitat natural/Ewout Knoester/Creative Commons
Apesar da alta toxicidade quando ingerido, o caranguejo-do-diabo não é agressivo e não representa risco ao ser apenas observado em seu habitat natural/Ewout Knoester/Creative Commons

Espécie perigosa

O caranguejo-do-diabo é uma espécie de recife de coral que acumula tetrodotoxina e saxitoxina em sua carne e carapaça, as mesmas substâncias encontradas no peixe-baiacu.

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"Isso é muito triste, porque eles deveriam saber. Ela e o marido vivem do mar e conhecem esse caranguejo perigoso", lamentou um chefe da vila local, que encontrou as conchas do animal no lixo da residência. 

Diferente de outros alimentos, a toxicidade do Zosimus aeneus apresenta riscos específicos:

  • Bioacumulação: O animal armazena veneno ao se alimentar de algas e bactérias tóxicas.

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  • Resistência Térmica: As neurotoxinas não são eliminadas pelo cozimento, permanecendo ativas mesmo após horas de fervura.

  • Sinal de Alerta: Suas manchas marrons e avermelhadas servem como um aviso da natureza sobre sua alta periculosidade.

As autoridades de saúde das Filipinas agora monitoram os amigos da vítima que também participaram da refeição. Este não é um caso isolado na província: em outubro do ano passado, um pescador de 54 anos também morreu após ingerir a mesma espécie.

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O alerta permanece para que moradores e turistas evitem o consumo de qualquer crustáceo com padrões de cores exóticos e manchas bem definidas, priorizando a segurança alimentar sobre o exotismo gastronômico.

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