O infarto do miocárdio é a principal causa de morte no Brasil / Freepik
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O infarto do miocárdio é a principal causa de morte no Brasil e ocorre quando uma artéria do coração é bloqueada por um coágulo, interrompendo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco. Sem oxigênio, as células começam a morrer em poucos minutos. Embora muitas pessoas associem o problema a um evento repentino, especialistas explicam que o processo costuma se desenvolver ao longo de anos, com o acúmulo de gordura nas artérias.
Segundo a cardiologista intervencionista Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, o organismo frequentemente apresenta sinais antes da emergência cardíaca.
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“Embora o evento agudo possa ser rápido, mais de 50% dos pacientes relatam ter sentido sintomas prévios que foram ignorados ou confundidos com estresse ou problemas digestivos”, explica.
Entre os sinais mais conhecidos está a dor ou pressão no peito. O sintoma costuma ser descrito como um aperto ou peso no centro do tórax, geralmente com duração superior a 15 ou 20 minutos e sem melhora com repouso. Em alguns casos, o desconforto aparece de forma intermitente, indo e voltando.
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Durante um infarto, a dor também pode irradiar para outras partes do corpo. É comum que o desconforto se espalhe para o braço esquerdo, às vezes chegando até os dedos, mas também pode atingir ambos os braços, o pescoço, os ombros, a mandíbula e até as costas, especialmente entre as escápulas. Algumas pessoas relatam dor na região do estômago, frequentemente confundida com gastrite ou má digestão.
Isso acontece porque o coração compartilha vias nervosas com essas regiões do corpo, o que faz o cérebro interpretar a dor como se tivesse origem em outros pontos.
A falta de ar é outro sinal importante e pode aparecer mesmo sem dor intensa no peito. Em alguns pacientes, especialmente mulheres e idosos, esse pode ser o principal sintoma. A sensação de sufocamento pode surgir de forma súbita, inclusive em repouso.
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O cansaço extremo também é considerado um alerta precoce. De acordo com especialistas, algumas pessoas relatam fadiga intensa semanas antes do infarto, com dificuldade para realizar atividades simples como subir escadas, caminhar ou até tomar banho.
Outros sintomas possíveis incluem náuseas, vômitos e desconforto abdominal, especialmente quando o infarto atinge a parede inferior do coração. A sudorese fria, suor intenso e pegajoso, também pode surgir devido à liberação de adrenalina provocada pelo estresse cardíaco.
Tontura, sensação de desmaio e queda da pressão arterial também podem ocorrer quando o coração não consegue manter o fluxo adequado de sangue para o cérebro.
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Além disso, algumas pessoas relatam alterações no sono ou sensação de inquietação nos dias que antecedem o episódio, acompanhadas de ansiedade incomum ou da percepção de que “algo não está bem”.
Fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar aumentam significativamente o risco de infarto. Ainda assim, a emergência cardíaca também pode ocorrer em pessoas sem fatores aparentes.
Na cardiologia, existe um conceito conhecido como “tempo é músculo”: quanto mais tempo a artéria permanece bloqueada, maior é o dano ao coração. A janela ideal para tratamento costuma ser de até 90 minutos após o início dos sintomas.
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Por isso, a recomendação médica é buscar ajuda imediatamente ao perceber sinais persistentes, especialmente dor no peito acompanhada de falta de ar, suor frio, náuseas, tontura ou dor irradiada para braço, mandíbula ou costas. Nesses casos, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192.