Saúde

Anvisa faz alerta sobre cúrcuma: suplemento 'viralizado' pode causar danos ao fígado

Uso de medicamentos e suplementos concentrados com a especiaria já foi associado a casos raros de intoxicação e hepatite

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 07/03/2026 às 18:29

Atualizado em 07/03/2026 às 18:29

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Em alguns desses locais, foram adotadas medidas como restrições a determinados produtos e a exigência de avisos de segurança nas embalagens / Divulgação

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou um alerta de farmacovigilância sobre o uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma.

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A medida foi divulgada após investigações internacionais apontarem casos raros, mas potencialmente graves, de inflamação e danos ao fígado associados ao consumo desses produtos em cápsulas ou extratos concentrados.

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Segundo a agência reguladora, o risco está relacionado principalmente a formulações que aumentam significativamente a absorção da curcumina — o principal composto ativo da cúrcuma — no organismo.

Em concentrações muito superiores às encontradas no consumo alimentar comum, a substância pode provocar reações adversas em alguns pacientes.

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Autoridades sanitárias de outros países também emitiram alertas semelhantes. Órgãos reguladores da Itália, Austrália, Canadá e França registraram episódios de intoxicação hepática associados ao uso de suplementos à base de cúrcuma.

Em alguns desses locais, foram adotadas medidas como restrições a determinados produtos e a exigência de avisos de segurança nas embalagens.

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Na França, por exemplo, a agência nacional de segurança sanitária identificou dezenas de relatos de efeitos adversos relacionados ao consumo de suplementos com cúrcuma ou curcumina, incluindo casos de hepatite.

De acordo com a Anvisa, o alerta é direcionado a profissionais de saúde, fabricantes de medicamentos e suplementos alimentares, além de consumidores.

Uso culinário continua seguro

A agência destacou que o aviso não se aplica ao uso da cúrcuma como tempero na alimentação diária. O pó utilizado na culinária, comum em diferentes tradições gastronômicas, é considerado seguro.

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Segundo a Anvisa, não há evidências de risco associadas ao consumo da cúrcuma como alimento ou aditivo alimentar. A principal diferença está na concentração dos compostos presentes nos suplementos e medicamentos, que podem ser muito mais elevados e ter maior absorção pelo organismo.

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Apesar disso, a especiaria continua sendo objeto de estudos científicos por possíveis benefícios à saúde, o que contribuiu para a popularização de suplementos com doses concentradas.

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Sinais de alerta

Pessoas que utilizam medicamentos ou suplementos com cúrcuma devem ficar atentas a sintomas que podem indicar problemas no fígado. Entre os principais sinais estão:

  • pele ou olhos amarelados (icterícia);
  • urina escura;
  • cansaço intenso e sem causa aparente;
  • náuseas ou dores na região do abdômen.

Caso esses sintomas apareçam, a recomendação é interromper o uso do produto e procurar avaliação médica.

Eventos adversos relacionados a medicamentos podem ser registrados no sistema VigiMed. Já no caso de suplementos alimentares, as notificações devem ser feitas pelo e-Notivisa.

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Mudanças em bulas e rótulos

Como medida preventiva, a Anvisa determinou a atualização das bulas de medicamentos que contêm cúrcuma, como Motore e Cumiah, que passarão a trazer novos avisos de segurança.

No caso dos suplementos alimentares, a agência informou que irá reavaliar o uso da substância e exigir advertências obrigatórias nos rótulos para alertar consumidores sobre a possibilidade de efeitos adversos.

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