Saúde
Organizar a casa antes do Ano-Novo vai além da limpeza: gesto simbólico ajuda a encerrar ciclos, reduzir a ansiedade e preparar emocionalmente para o recomeço
Não é coincidência que, após um dia de faxina, muitas pessoas relatem cansaço físico, mas sensação de alívio mental / Pexels
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Com a chegada do fim do ano, cresce o impulso de organizar armários, gavetas e se desfazer do que já não tem utilidade.
Mais do que uma tarefa doméstica, a chamada “faxina de fim de ano” tem impacto direto na saúde mental e funciona como um importante ritual simbólico de encerramento de ciclos.
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Segundo a psicóloga Ana Lúcia Karasin, do Espaço Einstein Bem-estar e Saúde Mental, do Hospital Israelita Albert Einstein, o fim do ano atua como um marco psicológico natural.
“Temos a tendência de organizar nossa vida em ciclos. Quando um ciclo se encerra, como um ano, surge a necessidade de revisar, ajustar e preparar o terreno para o próximo”, explica.
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Colocar a mão na massa e reorganizar o ambiente também se transforma em uma forma prática de lidar com emoções acumuladas ao longo do ano.
“Ao organizar o espaço externo, muitas pessoas acabam reorganizando o mundo interno, encerrando pendências emocionais, elaborando experiências e ressignificando momentos vividos”, afirma a especialista.
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Parte essencial desse processo envolve o desapego. Separar roupas que não servem mais, papéis sem função ou objetos carregados de lembranças que já não fazem sentido vai além de abrir espaço físico.
“Quando a pessoa se desfaz do que perdeu significado, ela se autoriza simbolicamente a abrir espaço mental e emocional”, diz Karasin.
Segundo a psicóloga, esse gesto funciona como um verdadeiro rito de passagem. “O cérebro sai da lógica do acúmulo e passa para a lógica da renovação. É simples, mas tem um enorme poder psicológico.”
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Não é coincidência que, após um dia de faxina, muitas pessoas relatem cansaço físico, mas sensação de alívio mental. Ambientes organizados favorecem previsibilidade e segurança — dois pilares importantes para a regulação emocional.
Já o excesso de objetos e a desordem visual atuam como um ruído constante, aumentando o desgaste mental e a sobrecarga cognitiva.
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Outro benefício frequente é a redução da ansiedade. “A ansiedade está ligada à sensação de descontrole. Organizar o ambiente devolve à pessoa a percepção de que ela pode intervir na própria realidade, gerando efeito calmante e fortalecendo a sensação de autoeficácia”, destaca a especialista.
Para que esse bem-estar não fique restrito ao período de fim de ano, Ana Lúcia Karasin sugere práticas simples e contínuas, como:
“No fim das contas, a faxina de fim de ano é menos sobre a casa e mais sobre a própria pessoa. Arrumar, limpar e descartar são formas concretas de materializar o desejo de recomeçar. Um gesto simples, mas profundamente simbólico, de se preparar para o que vem pela frente”, conclui a psicóloga.
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