Entenda por que modelos médicos tradicionais estão deixando milhares de pessoas desprotegidas. / Reprodução/Freepik
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Um dado alarmante do maior estudo epidemiológico do mundo, o PURE (Prospective Urban Rural Epidemiology), que acompanhou 200 mil pessoas em 21 países, mostra que 4 em cada 10 infartos ocorrem em indivíduos classificados como de "baixo risco cardiovascular" pelos modelos médicos tradicionais.
Essa parcela da população, que normalmente não recebe acompanhamento preventivo intensivo, está desprotegida e representa uma falha crítica no sistema atual de prevenção.
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O estudo, traduzido pelo The Conversation, que incluiu participantes do Brasil, demonstra que o adoecimento cardiovascular é um reflexo da organização social. Com a urbanização, aumentam o sedentarismo, a alimentação ultraprocessada e o estresse, levando a obesidade, hipertensão e diabetes, que culminam em infarto e AVC.
Pesquisas complementares como o InterHeart identificaram que 9 fatores modificáveis respondem por 90% dos riscos de infarto: tabagismo, pressão alta, colesterol alterado, obesidade abdominal, diabetes, alimentação ruim, sedentarismo, álcool em excesso, estresse e depressão.
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No Brasil, os principais vilões são dislipidemia, obesidade abdominal, tabagismo, hipertensão e estresse.
Um paradoxo revelado pelo PURE mostra que países ricos têm populações com maior risco cardiovascular, mas menos mortes por infarto. A diferença está no acesso, onde há estrutura de saúde, diagnósticos precoces e tratamentos contínuos, há mais sobrevivência.
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Na nutrição, os dados revelados indicam que dietas ricas em carboidratos aumentam a mortalidade, enquanto frutas, legumes e proteínas protegem. Surpreendentemente, a gordura animal (em equilíbrio) associou-se a menor mortalidade, ao contrário da gordura trans.
O sal em excesso ou em quantidade muito baixa é prejudicial, enquanto o potássio (de alimentos naturais) é protetor.
Para a prevenção existem três pilares considerados fundamentais. O primeiro é o controle da pressão arterial. No Brasil cerca de quarenta e cinco por cento dos adultos têm hipertensão e apenas uma pequena parte consegue mantê la controlada.
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O segundo pilar é a prática regular de atividade física aeróbica como caminhar correr ou pedalar. O terceiro é a manutenção da força muscular que se mostrou um indicador direto de maior longevidade e melhor qualidade de vida.
Mesmo com tantas evidências a aplicação desse conhecimento ainda é falha. No Brasil cerca de vinte por cento das pessoas que já sofreram um infarto não usam nenhuma medicação preventiva.
Em escala global estima se que a maior parte dos eventos cardiovasculares esteja ligada a fatores que poderiam ser evitados com mudanças simples e acompanhamento adequado.
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A conclusão é direta. O grande desafio atual não é descobrir novos riscos mas colocar em prática o que já se sabe. Viver mais e melhor depende de transformar esse conhecimento em políticas públicas eficientes em rotinas médicas consistentes e em escolhas individuais mais saudáveis. A forma de prevenir a maioria dos infartos já é conhecida. O que falta é torná la realidade no dia a dia.